O Irão inverte a assimetria
Trump encontra-se encurralado entre um adversário que não capitulará e um calendário eleitoral que avança inexoravelmente. Ainda poderia ordenar um ataque espectacular, na esperança de que a violência criasse a imagem de uma vitória. Mas o Irão já demonstrou que as bases americanas já não são refúgios, que os arsenais americanos não são inesgotáveis e que a escalada decidida em Washington já não garante a última palavra. A antiga assimetria foi quebrada. Washington ainda pode destruir. Mas já não pode ditar as regras.
Sem vacilações
Por mais que a História seja – como é! – um campo essencial da batalha ideológica (sobretudo em tempos de reescrita e revisão), não deixa de ser mais fácil posicionarmo-nos perante o passado do que face aos complexos embates do presente. Há até os que, afirmando-se de esquerda (ou “progressistas”, para o caso tanto faz), guardam toda a sua clareza para as lutas travadas há muito, sobrando pouca ou nenhuma para as de hoje.
Portugal: 9º e 8º no preço mais caro do gasóleo e da gasolina entre os 27 UE. E isto com um dos rendimentos per capita mais baixos
A entidade dita reguladora (ERSE) “aconselhou” o governo, no relatório que fez, a não intervir no mercado dos combustíveis, a ministra do Ambiente diz, com o seu ar triste, são “os mercados a funcionar”, e o governo promete aprovar um imposto sobre os lucros extraordinários, mas adia “sine die” com medo dos grupos económicos controlados já em grande parte por capital estrangeiro que dominam este setor estratégico da atividade económica (o da energia). O governo e a entidade reguladora criaram assim o ambiente para um total descontrolo dos preços dos combustíveis. As petrolíferas aproveitam a conivência da ERSE e a cobardia política do governo para obter enormes lucros e distribuir dividendos milionários aos acionistas.
Festa da solidariedade
A solidariedade internacional marcou de novo na enorme Festa do Avante! de 2026. Destaque para a solidariedade com Cuba, mas igualmente com a luta de todos os povos que enfrentam a ofensiva imperialista, nomeadamente com o povo mártir da Palestina, com o povo libanês, com o povo iraniano e outros povos do Médio Oriente que estão na primeira linha dos ataques da dupla genocida EUA-Israel, com o povo sarauí, com os povos da América Latina hoje sujeitos a uma brutal ofensiva de Trump e das oligarquias enfeudadas ao imperialismo EUA. Solidariedade que irrita profundamente os serventuários das classes dominantes, tal como os irrita a própria existência da Festa do Avante!. Todos os anos se repetem campanhas contra a Festa. Este ano o pretexto foram acusações de convites a organizações “terroristas”: organizações palestinianas que resistem ao genocídio e à ocupação sionista. Essa gente tem o mundo virado às avessas: o terrorismo de Estado e os genocídios das potências imperialistas são “defesa do mundo livre”, e quem se lhes opõe é “terrorista”.
África procura silenciar as armas
A União Africana (UA) organizou em Luanda uma cimeira sobre a prevenção e resolução de conflitos no continente. Os governantes dos 55 países que integram a organização pan-africana estão preocupados com as ingerências estrangeiras, o terrorismo, os conflitos, as ameaças cibernéticas e de informação como alguns dos desafios para conquistar a paz. O continente africano procura as vias da paz, do desenvolvimento e da soberania. E os seus potenciais adversários estão principalmente fora: as velhas potências coloniais, que continuam a alimentar grupos terroristas e tentativas de golpes de Estado, como há poucos dias sucedeu no Níger.
Francesca Albanese alerta: Israel pode aproveitar a remoção dos escombros para ocultar o genocídio
A relatora da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, alerta que a remoção em grande escala dos escombros em Gaza poderá apagar provas de crimes de guerra, crimes contra a humanidade ou genocídio. A FLP afirmou que Israel já o está a fazer. O poder sionista acrescenta crimes a crimes: profana com bulldozers os cadáveres de palestinianos que assassinou. Como diz Francesca Albanese, trata-se de uma “reconstrução” de Gaza condicionada ao apagamento do seu passado e das provas necessárias para garantir justiça às suas vítimas.
Gaza silenciosa
O imperialismo EUA decidiu subir mais um degrau na escalada de agressão contra Cuba que sustenta há mais de seis décadas. O objectivo é abertamente genocida: um bloqueio que mata, privando de alimentos, medicamentos, energia. Como uma “Gaza silenciosa”, na expressão do Presidente Diaz-Canel. Um dos países com melhor assistência médica do mundo vê aumentar a mortalidade infantil por impossibilidade de assistência, vê milhares de cirurgias não realizadas devido aos cortes de energia, vê toda a ordem de dificuldades de abastecimento. Por muito silencioso que possa parecer. Um massacre é um massacre. Apenas a solidariedade, material e política, de todos os povos do mundo face à ilha heroica poderá deter a criminosa agressão ianqui.
Naciona… quê?
Pululam “nacionalistas” na direita mais ou menos extrema. Sempre tão aguerridos contra as alegadas “portas abertas” aos imigrantes pobres vindos da Ásia, de África ou da América Latina, perdem a voz quando se trata dos “investidores” norte-americanos, franceses ou alemães, que especulam com a habitação e a tornam praticamente inacessível à generalidade das famílias portuguesas. E nem um pio se ouve desses lados (e não, não falamos só do Chega) para criticar o saque anual de milhares de milhões em lucros, dividendos e transferências para off-shores – riqueza essa, nunca é de mais sublinhar, produzida em Portugal e sobretudo por portugueses. Como conciliar todo este “nacionalismo” com a defesa acérrima que fazem da entrega da TAP a multinacionais? Por mais piruetas discursivas que dêem, integram-se bem na seita “nacionalista” dos vende-pátrias.
EUA: crise e contradições
Há hoje uma indesmentível popularidade do socialismo nos EUA. Dizem-no sondagens de opinião e resultados eleitorais concretos de candidatos DSA (Socialistas Democráticos da América) que se integram no Partido Democrata, cuja direcção lhes é hostil. Direcção que é altamente especializada em cooptar seja que tendência “progressista” for. Mas a crise actual é talvez demasiado profunda. Dentro do PD, dentro dos DSA, dentro da classe trabalhadora, dentro dos EUA, dentro do capitalismo e dentro das cabeças dos trabalhadores, freme um burburinho de forças enfrentadas e contradições insanáveis que só nos garantem uma coisa: tudo está a mudar porque tudo tem de mudar. Quem achar que já sabe como isto termina lembre-se: a História tem mais imaginação do que nós.
Trump pondera aumentar a pressão para forçar a capitulação iraniana
Ao que consta, Trump gostaria de utilizar a arma atómica contra o Irão, mas há gente responsável que o desaconselha de cometer um tal crime. Assim, por enquanto, a estratégia voltou-se para forçar a derrota do Irão por meios económicos. O secretário do Tesouro dos EUA, Bessent, insiste que a situação económica do Irão é catastrófica e que as medidas que preconiza o derrubarão. Mas pode estar a cometer vários e muito importantes erros de avaliação. Não só é pouco credível que novas sanções venham a provocar o efeito que décadas de sanções anteriores não conseguiram, como pode bem acontecer que estas venham a acelerar o movimento de muitos outros países no sentido de procurar uma segurança económica distanciada do dólar.
Nova escalada no ataque à Segurança Social (II). Denunciar e esclarecer o que tentam esconder.
Jorge Bravo, a comunicação social e o governo tentam esconder e desviar a atenção de dois instrumentos essenciais da mudança estrutural dos actuais sistemas de pensões: a “conta virtual” e o “mecanismo automático de reequilíbrio dos sistemas da Segurança Social e da CGA”, em que no caso de desequilibro se reduziria a valorização dos direitos dos trabalhadores e das pensões. Tudo têm feito para tentar diluir o justificado alarme suscitado pelo Relatório: que está em discussão, que nada mudou, etc. Mas tudo indica que está já a ser construída a infraestrutura informática que poderá ser utilizada para implementar esta nova tentativa de destruição do sistema de Segurança Social actual.
A luta para defender a Segurança Social e a CGA vai ser difícil e longa, dada a sua complexidade. Mas é agora que começa.
A alimentar o inimigo: como a obsessão de Washington com o Irão subverteu a sua própria guerra contra o terrorismo sunita
Uma cuidada síntese sobre a alargada utilização pelos EUA do terrorismo islâmico como arma. Processo que vem de décadas antes da alegada “guerra global contra o terrorismo” após o ataque às Torres Gémeas em 11 de Setembro de 2001: do Afeganistão à Chechénia e à Bósnia, era já uma engrenagem idêntica, devidamente treinada, financiada e telecomandada que surgia no terreno. Para sucessivas presidências EUA, grupos terroristas só o serão se atacarem interesses ou cidadãos EUA. Se se voltam contra quem os EUA querem atacar, não só deixam de o ser, como são recebidos de braços abertos na Casa Branca.

Passa no dia 2 de Agosto o centenário de Miguel Urbano Rodrigues, fundador e editor de odiario.info
Chegou-nos a dolorosa notÍcia do falecimento de Jean Salem. Deixa-nos assim um ser humano excepcional, um dos grandes filósofos marxistas do nosso tempo, um combativo revolucionário cuja penetrante inteligência abarcava todas as expressões do que é humano. Alguém que, reflectindo profundamente acerca da felicidade sabia que ela é, em última análise, inseparável da ideia de revolução. De alguém cuja coerência e inteligência de pensamento e intervenção tinham granjeado admiração e respeito em todo o mundo. Um grande amigo de odiario.info.
Passaram a 10 de Janeiro 50 anos sobre a 1ª edição do jornal “O Diário”. Publicou-se entre 1976 e 1990.

Esta intervenção foi feita há 14 anos. Mas será hoje porventura ainda mais significativa e relevante do que na altura em que foi feita. Os movimentos internacionais em defesa da Paz já contam um século de corajosa intervenção. E as razões da sua existência e da sua acção não fazem mais do que acumular-se. Os conflitos armados – em que se destaca o crescente empenho e agressividade belicista do bloco EUA-NATO-UE – atingem uma escala comparável Í dos que antecederam a última guerra mundial. A causa da Paz não é apenas a de um mundo sem guerra. É a de uma humanidade com futuro.
Aproxima-se o dia do 120º aniversário do nascimento de Bento de Jesus Caraça. Mas não será nunca necessária uma data redonda para evocar esta extraordinária figura de intelectual, de cientista, de combatente pela democracia e a liberdade nas duras condições do Portugal fascista. Caraça permanece um alto exemplo do intelectual que vê na emancipação dos trabalhadores e do povo simultaneamente condição e consequência do desenvolvimento da ciência, da cultura e da arte.



