Esta história, sem grandes pretensões, irá continuar, esperamos, em publicação impressa, em tempo a anunciar aqui futuramente.
LuĂsa, Eduardo, Mariana e companhia, deixam assim o contacto com os leitores deste blog, aos quais agradecemos o carinho e as dicas que nos estimularam e ajudaram a aprender e a tentar melhorar a escrita na medida das nossas possibilidades.
Começámos a publicar quando apenas tĂnhamos completado meia dĂşzia de capĂtulos, sem sequer termos um plano definido que nos apontasse o rumo, mas conseguimos chegar a um termo que nos parece razoavelmente aceitável.
Sem grandes pretensões à partida, achamos que excedemos as nossas melhores expectativas em termos de divertimento e aprendizagem.
Foram 3 anos em que partilhámos a nossa amizade com muitos de vós, a quem não esqueceremos, se não pelo nome e pelo rosto, pelo nick e pela alma.
Iremos, especialmente, seguir no rasto de Francisco e de Rita e dar ao Eduardo a possibilidade de se relacionar mais de perto com crianças, permitindo-lhe pôr em prática os seus conhecimentos de psicologia infantil.
Qualquer novidade relacionada, será, naturalmente, noticiada neste blog.
Um grande abraço de amizade e carinho a cada um(a) dos(as) nossos(as) leitores(as)!
─ Olha bem os meus olhos! ─ pediu pegando-lhe docemente na mão ─ sim, eu sou o Eduardo que tu amaste, o Eduardo que te amou e quase morreu de desgosto quando tu desapareceste.
Congelada na sua frente, com o olhar perplexo como se tivesse acabado de ver um fantasma, Mariana reviu na sua mente todo o horror por que havia passado.
Eduardo teve o impulso de a segurar porque lhe pareceu que ela ia desmaiar e cair no chão desamparada, mas, ao estender os braços para ela, Mariana, com os olhos voltados para o chão, conseguiu dizer:
Eduardo abraçou-a e as lágrimas caĂam pelos rostos de ambos, indiferentes Ă s crianças que jogavam a bola e eram, no momento, os outros utilizadores daquele espaço. Um dos pequenos jogadores foi beber água e ficou parado a olhá-los como um pardalito admirado que nunca tivesse visto gente grande a chorar.
─ Anda daà jogar! ─ chamou o colega de equipa, vendo que ele se demorava.
─ Desculpa, estou todo transpirado de correr e tu tens o perfume do meu amor de há muitos anos atrás! ─ exclamou Eduardo, apartando-se dela.
─ Pois sou! ─ respondeu a sorrir, ao mesmo tempo que tentava descobrir em si o que ainda sentiria por ela.
─ E agora?
─ Agora temos muitas coisas a esclarecer, mas eu tenho de ir tomar um banho quente e mudar de roupa antes que arrefeça. Vem comigo que depois levo-te a casa.
─ Vim sozinha porque a Sara estava a dormir. Tenho de a avisar!
─ Eu ligo-lhe!
Eduardo marcou o nĂşmero e a irmĂŁ atendeu:
─ Eduardo, que se passa?
─ É só para te dizer que esqueças o plano para eu me encontrar com a tua irmã.
─ E eu não assisti ao vosso encontro. Espero que tenha corrido bem!
─ Sim, correu, está a correr muito bem. Foi uma feliz coincidência, depois contamos-te. Andei a fazer um treino na praia e agora tenho de ir a casa tomar banho. A tua irmã vai comigo e depois vamos buscar-te para irmos jantar fora os quatro, está bem?
─ Pronto, vamos? ─ perguntou Eduardo a Mariana quando terminou a chamada.
─ Vamos.
─ Sabes, há uma coisa que preciso de saber com verdade e gostaria que mo dissesses. Há uns tempos surgiram-me umas suspeitas e nĂŁo tenho conseguido parar de pensar no assunto desde entĂŁo ─ disse Eduardo a caminho da casa de LuĂsa.
─ É verdade! Tenho de ir a Pamplona dizer-lho pessoalmente.
─ Claro que virás!
Mariana calou-se, por momentos, muito emocionada e depois disse, um pouco timidamente:
─ Já sei que não estás sozinho…
─ Esperei tantos anos por ti, procurei-te por todo o lado… ─ explicou como que a desculpar-se de não ter esperado mais, por ter perdido a esperança de a voltar encontrar e não saber se ela ainda o amava.
As duas mulheres beijaram-se e Mariana disse a sorrir:
─ É muito bonita, o Eduardo tem muito bom gosto!
─ Pelos vistos sempre o teve! ─ respondeu LuĂsa, devolvendo o elogio. ─ Vamos entrando!
─ Olha, amor, guarda as batatinhas que vamos comer fora. Conversem um pouco enquanto vou ao meu banho; a seguir vamos buscar a Sara e O sobrinho. ─ disse Eduardo radiante.
Depois de um breve silĂŞncio, enquanto enfiava um vestido pela cabeça, LuĂsa disse:
─ Desculpa mas tenho de te falar uma coisa!
─ Imagino que estejas preocupada pela minha presença aqui. Vamos estar unidas por laços de famĂlia e ser amigas com certeza, por isso nĂŁo receies falar. ─ convidou Mariana com um sorriso franco, deixando a outra muito Ă vontade.
─ Compreendeste-me bem, obrigada! ─ agradeceu LuĂsa a sorrir. ─ Como achas que me fica este vestido?
─ Belissimamente, pareces uma rainha!
─ Vamos então?
─ Vamos!
EpĂlogo
Eduardo, que já as esperava, viu as duas mulheres saĂrem de braço dado do quarto de LuĂsa e, erguendo-se do sofá, envolveu-as no mesmo abraço dizendo:
─ Minhas lindas senhoras, vamos comemorar a Vida!
─ Precisas, certamente, de descansar antes de mais nada. ─ disse Sara, como quem pergunta sabendo antecipadamente a resposta, depois de o sobrinho as deixar em casa e abalar para o hospital e de Mariana ter ligado para casa a dizer que tinha chegado bem.
─ Sim, seria melhor. ─ confirmou Mariana. ─ Ai, estou tão feliz de te tornar a ver, minha querida irmãzinha!
─ Então podes avaliar o que eu sinto! ─ exclamou Sara abraçando-a emocionada.
─ Tenho muitas coisas para te contar. Toda a minha vida neste intervalo de tempo.
A escritora continuou acordada, olhos fixados no tecto, ouvindo o respirar tranquilo da irmĂŁ e tentando imaginar como correria o encontro com o passado a que em breve a conduziria.
Sara sentou-se numa cadeira, de um conjunto de quatro e uma mesinha de jardim, de ferro fundido pintado de branco, a condizer com a casa, que um dia achara que fazia ali falta e oferecera ao sobrinho, para servir de pouso nos dias lisos e amenos, a contemplar o exterior, como metáfora de extroversão, ouvindo o canto dos pássaros saltitando entre os ramos das árvores e ali permaneceu a olhar quem passava, mas com a atenção voltada para os seus próprios pensamentos.
NĂŁo era feminista porque achava que o feminismo mais nĂŁo era do que as mulheres quererem substituir-se aos homens, continuando a gerir os destinos da humanidade do mesmo modo que eles, e ela queria algo de novo em que as mulheres tivessem um papel determinante, mas de acordo com as suas prĂłprias regras.
─ Oh amor, porque nĂŁo vais correr um pouco na praia? Nunca te vi tĂŁo agitado, tu gostas e acho que te faria bem. ─ sugeriu LuĂsa ao ver o namorado ansioso, andando de um lado para o outro na casa, algum tempo depois do telefonema de Sara.
─ Tens razão, acho que vou fazer isso mesmo, desculpa!
─ Vou fazer aquele bacalhau, mas só começarei quando regressares. Para já, apenas descascarei as batatas. Leva o telemóvel, pode acontecer alguma coisa!
Mariana acordou com o peito tão repleto de plenitude que lhe apeteceu sair para a rua de mão dada com a irmã e gritar: «Estou feliz!»
Olhou para o lado e viu Sara adormecida com uma expressĂŁo de serenidade que lhe revelava a profundidade do sono.
Mas tinha de sair para a rua, mesmo sozinha, porque a felicidade que sentia nĂŁo era passĂvel de ficar contida nos limites do corpo e da casa. Como uma amiba, necessitava de estender para o mundo os seus pseudĂłpodes em todas as direcções.
Perto da zona das piscinas, Eduardo, já transpirado, voltou para trás e dirigiu-se para a saĂda da praia tomando a praça onde havia uma fonte. A intenção de beber um pouco de água levou-o a abeirar-se da bica onde uma senhora estava debruçada na mesma necessidade de se abastecer. Aguardou a vez e, quando ela, dessedentada, ergueu o tronco e se voltou preparando-se para abandonar o local, admirado viu-a parada na sua frente, os olhos muito abertos como se o reconhecesse, e ouvi-a dizer:
─ Desculpe, parece-me que o reconheço, não se chama Eduardo?