Gaston Doumergue
Pierre Paul Henri Gaston Doumergue (fr; 1 de agosto de 1863 — 18 de junho de 1937) foi um político francês que atuou como Presidente da França de 1924 a 1931.
Encarregado de portfólios ministeriais importantes, foi nomeado pela primeira vez Presidente do Conselho de Ministros em 1913, mas foi forçado a deixar o poder alguns meses após a sua nomeação. Ele foi eleito Presidente do Senado em 1923. Ao fim do seu mandato como Presidente da França, recusando-se a concorrer contra o seu eventual sucessor, Doumergue se aposentou, mas chefiou um governo de união nacional durante a crise criada pelos protestos de 6 de fevereiro de 1934.
Juventude e carreira
[editar | editar código]Origens protestantes
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Gaston Doumergue vinha de uma família protestante. Seu pai, Pierre Doumergue, era um viticultor em Aigues-Vives. Sua mãe, Françoise Pattus,[1] o criou na fé protestante[2] e na admiração pelos ideais republicanos.[3][4] Ele também era tio-avô da dramaturga Colette Audry[5] e da cineasta Jacqueline Audry.
Estudante brilhante, ele afirmou ter pertencido à "geração da revanche, animada por um belo ardor patriótico", após a derrota na Guerra Franco-Prussiana de 1870.[6] Ele estudou na ala masculina do Liceu Alphonse-Daudet, em Nîmes.[7]
Magistratura
[editar | editar código]Após o bacharelado e o doutorado em direito na Faculdade de Direito de Paris, ele se inscreveu em 1885 na ordem dos advogados de Nîmes e participou do ruidoso julgamento do deputado Numa Gilly,[8][9] antes de ingressar na magistratura em 1890 como substituto em Hanói, na Indochina Francesa. Sua passagem por lá foi breve porque ele retornou à França com a morte de seu pai em 1891.[10][a]
Carreira política
[editar | editar código]Início no Parlamento (1893–1901)
[editar | editar código]Em 1893, enquanto atuava como juiz de paz na comuna de Aïn El Arbaa,[11] retornou a Aigues-Vives, na França, e apresentou sua candidatura para uma eleição legislativa parcial em dezembro de 1893, destinada a preencher a vaga de [[Émile Jamais[[, um amigo de longa data que havia acabado de ser reeleito na eleição de agosto de 1893, mas faleceu repentinamente em 18 de novembro, antes da abertura da sessão parlamentar. Nada o destinava à política, e seu avô havia inclusive recusado uma nomeação para prefeito do vilarejo em 1836 devido à modéstia de sua fortuna em um sistema tributário censitário.[12]
Incentivado por sua mãe, que acompanhava sua carreira passo a passo,[13] Doumergue foi eleito deputado radical por Nîmes com 10 101 votos, derrotando, no segundo turno, o prefeito de Nîmes, Gaston Maruéjol, que obteve apenas 24 votos.[14][15][2] Ele compareceu ao banquete oferecido em Lyon pelo presidente Sadi Carnot em 24 de junho de 1894, durante o qual este último foi esfaqueado fatalmente pelo anarquista italiano Sante Geronimo Caserio. Este evento o fez perceber a gravidade e o perigo do exercício do poder.[16]
Foi reeleito deputado em 8 de maio de 1898, no primeiro turno da votação, com 11 514 votos contra o conservador Albert de Nesmes-Desmarets. Estava muito envolvido na política colonial da França e, durante seus discursos na tribuna (que foram bem recebidos pelas bancadas de esquerda), criticou governos sucessivos por seu intervencionismo militar[2] e, em particular, pela ocupação de Madagascar.[17] A partir de 1894, ele também denunciou a "benevolente indiferença e não a simpatia pronunciada" da opinião pública em relação à política colonial, que mascarava o saque dos territórios conquistados e a violência da administração.[18]
Suas convicções laicas e republicanas o levaram a ficar ao lado de Alfred Dreyfus. Seus mandatos sucessivos também foram uma oportunidade para defender os pequenos produtores agrícolas. Sua influência dentro da esquerda cresceu. Foi eleito deputado pela terceira vez em 27 de abril de 1902, no primeiro turno.