Trator

O trator (AO 1945: tractor) é um veículo de engenharia projetado para exercer grande esforço de tração e torque em baixas velocidades, destinado a rebocar reboques ou acionar máquinas usadas na agricultura, na mineração e na construção civil. Na linguagem corrente, o termo designa sobretudo o trator agrícola, que fornece a força e a tração necessárias para mecanizar as tarefas do campo, a começar pelo preparo do solo. Os implementos podem ser rebocados ou montados no próprio trator, que também lhes transmite potência quando são acionados mecanicamente.
Os antecessores do trator foram as locomóveis e as máquinas de tração a vapor do século XIX. Os primeiros tratores com motor de combustão interna surgiram nos Estados Unidos e no Reino Unido na década de 1890, e a produção em série de modelos leves e baratos, como o Fordson, a partir de 1917, levou à sua difusão. O engate de três pontos de Harry Ferguson, a tomada de força e o sistema hidráulico tornaram o trator uma fonte versátil de força para dezenas de implementos. A difusão do trator alterou profundamente a produtividade agrícola e reduziu a demanda por animais de tração e por mão de obra no campo.
Há tratores de configurações muito diversas, desde os motocultivadores de duas rodas conduzidos a pé até os grandes tratores articulados de tração nas quatro rodas e os tratores de esteiras. No Brasil, a fabricação nacional começou com o Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas, de 1959, e o censo agropecuário de 2017 contou mais de 1,2 milhão de tratores nos estabelecimentos rurais do país. O termo também se aplica, por extensão, ao cavalo mecânico dos semirreboques e aos tratores de artilharia.
Etimologia
[editar | editar código]A palavra provém do latim tractor, substantivo agente derivado do verbo trahere, "puxar".[1] Em inglês, o primeiro registro do termo com o sentido de motor ou veículo para puxar carroças ou arados data de 1896 e deriva da expressão anterior traction motor, documentada desde 1859.[2]
No Reino Unido, na Irlanda, na Austrália, na Índia, na Espanha, na Argentina, nos Países Baixos e na Alemanha, entre outros países, a palavra designa em geral o trator agrícola. No Canadá e nos Estados Unidos, também se refere ao cavalo mecânico dos caminhões semirreboque,[carece de fontes] uso que se repete no Brasil com a expressão "caminhão trator".
História
[editar | editar código]Máquinas a vapor
[editar | editar código]Os primeiros equipamentos motorizados usados na agricultura, no início do século XIX, foram as locomóveis, máquinas a vapor montadas sobre rodas que acionavam máquinas agrícolas por meio de uma correia. O engenheiro britânico Richard Trevithick projetou em 1812 uma máquina a vapor semiportátil para uso rural, empregada para acionar uma debulhadora de cereais.[3] A locomóvel propriamente portátil foi criada em 1839 por William Tuxford, de Boston, no Lincolnshire, com uma caldeira do tipo usado em locomotivas, um grande volante no virabrequim e uma correia de couro que transmitia o movimento à máquina acionada. Na década de 1850, John Fowler usou uma locomóvel da Clayton & Shuttleworth nas primeiras demonstrações públicas de lavração por cabo.[carece de fontes]
Paralelamente, muitos engenheiros tentaram tornar as locomóveis autopropelidas, em geral ligando por corrente uma roda dentada no virabrequim a outra maior no eixo traseiro, com resultados variados.[4] A primeira máquina de tração na forma que se reconhece hoje foi desenvolvida em 1859, quando o engenheiro britânico Thomas Aveling adaptou uma locomóvel da Clayton & Shuttleworth, que até então era levada de um serviço a outro por cavalos, instalando uma longa corrente entre o virabrequim e o eixo traseiro.[5]
A primeira metade da década de 1860 foi de intensa experimentação, mas ao fim dela a forma padrão da máquina de tração estava definida e mudaria pouco nos sessenta anos seguintes, com ampla adoção na agricultura. Os primeiros tratores foram máquinas de lavrar a vapor usadas em pares, uma de cada lado do campo, puxando o arado de um lado a outro por meio de um cabo de aço. No Reino Unido, fabricantes como a Mann's e a Garrett desenvolveram tratores a vapor para lavração direta, mas o solo pesado e úmido da Inglaterra tornava esses modelos menos econômicos que uma parelha de cavalos. Nos Estados Unidos, onde o solo permitia, os tratores a vapor puxavam diretamente os arados. As máquinas agrícolas a vapor continuaram em uso até o século XX, quando surgiram motores de combustão interna confiáveis.[6]
Motores de combustão interna
[editar | editar código]Os primeiros tratores a gasolina foram construídos em 1889, em Illinois, por John Charter, que combinou motores monocilíndricos do tipo Otto com o chassi de uma máquina a vapor Rumely.[7][8] Em 1892, John Froelich construiu um trator a gasolina no condado de Clayton, no Iowa, montando um motor monocilíndrico Van Duzen sobre o chassi de uma máquina Robinson e acrescentando uma caixa de engrenagens de sua invenção.[9] Depois de obter a patente, Froelich fundou a Waterloo Gasoline Engine Company, na qual investiu todo o seu patrimônio, mas o negócio fracassou e ele faliu em 1895.[10]
A empresa britânica Richard Hornsby & Sons produziu e vendeu o primeiro trator com motor a óleo do Reino Unido, inventado por Herbert Akroyd Stuart. A Hornsby-Akroyd Patent Safety Oil Traction Engine, de 1896, tinha motor de 15 kW (20 hp) e foi vendida em 1897, a primeira venda de trator registrada no país; no mesmo ano, recebeu uma medalha de prata da Royal Agricultural Society of England.[carece de fontes]
O primeiro trator leve a gasolina para uso geral com êxito comercial foi construído em 1901 pelo inventor britânico Dan Albone,[11] que pediu a patente em 15 de fevereiro de 1902 e fundou a Ivel Agricultural Motors Limited. O Ivel Agricultural Motor era leve, potente e compacto, com uma roda dianteira de borracha maciça e duas grandes rodas traseiras, como num trator moderno. Tinha uma marcha à frente e uma à ré, e uma polia lateral permitia usá-lo como motor estacionário. Custava 300 libras esterlinas em 1903, foi premiado na Royal Agricultural Show em 1903 e 1904, e cerca de quinhentas unidades foram construídas, muitas delas exportadas.[12]
O primeiro trator americano bem-sucedido foi construído por Charles W. Hart e Charles H. Parr, que desenvolveram um motor a gasolina de dois cilindros e se estabeleceram em Charles City, no Iowa. Em 1903, a empresa produziu quinze tratores. O seu modelo n.º 3, de cerca de 6 350 kg, é o mais antigo trator com motor de combustão interna preservado nos Estados Unidos e está exposto no Museu Nacional da História Americana, em Washington. O motor fornecia 22 kW (30 hp) na polia e 13 kW (18 hp) na barra de tração.[13]

Em 1908, a Saunderson Tractor and Implement Co., de Bedford, lançou um modelo de quatro rodas e tornou-se a maior fabricante de tratores do Reino Unido. Os tratores pesados da primeira geração tiveram boa aceitação de início, mas ficou cada vez mais claro que o peso de uma grande estrutura de suporte era menos eficiente que um projeto leve.[14] Pouco populares no início, os tratores a gasolina se difundiram na década de 1910, à medida que ficaram menores e mais baratos.[15] Em 1917, Henry Ford lançou o Fordson, trator leve produzido em série que dispensava o chassi, usando o próprio bloco do motor como estrutura.[16] Fabricado nos Estados Unidos, na Irlanda, na Inglaterra e na Rússia, chegou a deter 77% do mercado americano em 1923, e na década de 1920 o trator com motor a gasolina já era a norma.[carece de fontes]
Engate de três pontos
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O engenheiro norte-irlandês Harry Ferguson desenvolveu na década de 1920 o engate de três pontos, forma padronizada de acoplar implementos ao trator com dois pontos de ligação inferiores e um superior, acionados por cilindros hidráulicos.[17] A patente britânica foi concedida em 3 de julho de 1928, e a americana em 4 de julho de 1933.[18] Em 1933, Ferguson fechou acordo com David Brown para produzir o Ferguson-Brown modelo A, com o seu sistema hidráulico de três pontos.[17]
Em 1938, Ferguson associou-se a Henry Ford para produzir o Ford-Ferguson 9N, lançado no ano seguinte, que também tinha uma tomada de força traseira para acionar implementos montados no engate, como as segadoras de barra. O sistema logo se tornou o preferido dos agricultores em todo o mundo.[carece de fontes] A parceria terminou em disputa judicial, e a Ford acabou por pagar a Ferguson mais de 9 milhões de dólares num acordo; o sucesso do engate nos tratores da série N levou outros fabricantes a criar versões próprias, e as especificações foram padronizadas pela American Society of Agricultural Engineers (norma ASAE S217) e, mais tarde, pela Organização Internacional de Normalização (norma ISO 730-1).[17]
Difusão
[editar | editar código]Historiadores econômicos consideram o trator uma das inovações tecnológicas de maior impacto na agricultura moderna, por ter ampliado enormemente a força disponível nas propriedades, elevado a produtividade e transformado a paisagem rural.[19] A sua adoção, contudo, enfrentou resistência.[20][21]
Nos Estados Unidos, havia quinhentos tratores a gasolina em 1910 e quase cinco mil em 1920.[22] Em 1920, 3,6% das propriedades americanas tinham trator;[21] no fim daquela década, eram 13,5%,[23] e durante a Grande Depressão a proporção chegou a 40%.[24] Em 1935, havia quase um milhão de tratores em uso nos Estados Unidos, contra quinze mil na Alemanha.[25] A França tinha 35 mil tratores em 1938 e mais de um milhão em 1965.[26]
Nas décadas de 1910 e 1920, quando a publicidade enganosa era comum, os testes obrigatórios criados pela lei de testes de tratores do estado de Nebraska e conduzidos pela Universidade de Nebraska passaram a medir de forma independente o desempenho de todos os tratores de 30 kW (40 hp) ou mais vendidos no estado. Os resultados ajudaram os agricultores de toda a América do Norte a confrontar as alegações dos fabricantes, e os testes continuam a ser realizados.[27]
No Brasil
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Em 1949, a fabricante de máquinas Romi, de Santa Bárbara d'Oeste, construiu em parceria com o professor André Tosello, do Instituto Agronômico de Campinas, o Toro, um trator leve com motor Continental importado e rodas, rolamentos e pneus nacionais, aprovado em ensaios do instituto naquele ano. A concorrência dos tratores importados impediu a produção em série, e a Romi suspendeu o projeto em 1953; resta uma única unidade, no acervo da Fundação Romi.[28]
Até 1960, todos os tratores usados no Brasil eram importados, principalmente dos Estados Unidos, e circulavam no país mais de 140 marcas e modelos, o que dificultava a assistência técnica.[29] O Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas foi instituído pelo Decreto n.º 47 473, de 22 de dezembro de 1959, no governo de Juscelino Kubitschek, e confiou ao Grupo Executivo da Indústria Automobilística a coordenação das medidas para implantar a fabricação nacional.[30] O decreto previa o início da produção em 1960, com nacionalização mínima de 70% do peso do trator.[31]
O plano previa tratores leves, de 25 a 35 cv, médios, de 35 a 45 cv, e pesados, com mais de 45 cv na barra de tração, e obrigava os fabricantes a submeter os modelos a ensaios na Fazenda Ipanema, do Ministério da Agricultura, em Sorocaba. Em troca, concedia isenção tarifária, importação de máquinas sem cobertura cambial e proibição de importação de tratores concorrentes. Dos dez projetos aprovados, seis foram implantados, e três das empresas encerraram as atividades em menos de dez anos. Na década de 1960, a produção média foi de cerca de 9 mil unidades por ano, com pico de 11 537 em 1964; entre 1969 e 1976, cresceu 31% ao ano, impulsionada pela expansão da soja e da cana-de-açúcar, e chegou a 63 178 tratores de rodas em 1976. Segundo um estudo do Ministério da Indústria e Comércio de 1967, os tratores nacionais custavam em média 39% mais que os importados equivalentes. Na avaliação de Toshio Nojimoto e Elias José Simon, o plano atendeu mais ao fortalecimento do setor industrial que às necessidades da agricultura.[29] Entre as empresas que se instalaram nesse período estavam a Massey Ferguson, a Ford, a Valmet, a Fendt, a Deutz e a Companhia Brasileira de Tratores.[29]
O censo agropecuário de 2017 registrou 1 229 907 tratores nos estabelecimentos rurais brasileiros em 30 de setembro daquele ano, 49,9% a mais que em 2006, ao mesmo tempo que o pessoal ocupado no campo caiu 8,8%.[32]
Na década de 2020, cresceu a presença de fabricantes asiáticos. Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, as marcas chinesas e indianas oferecem máquinas mais simples, com custo de aquisição até 30% inferior à média nacional, mas o crédito oficial do Finame, do BNDES, só alcança produtos nacionalizados. Entre as chinesas que chegaram ao país estão a Lovol, a YTO, em parceria com uma revenda de Ribeirão Preto, e a Zoomlion, que anunciou fábrica em Indaiatuba; a indiana Mahindra produz em Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, há mais de uma década, sobretudo tratores compactos e estreitos, e a Sonalika distribui a marca Solis, de compactos com menos de 30 cv voltados à agricultura familiar, em parceria com a Yanmar. Os autores apontam como incertezas a durabilidade dessas máquinas, que em pequenas propriedades costumam durar mais de trinta anos, e a oferta de peças e assistência por importadores sem fábrica no país.[33] De janeiro a setembro de 2026, a importação de tratores agrícolas da China cresceu 117%, para cerca de 5 200 unidades, volume igualado pelas importações da Índia; juntos, os dois países responderam por 93% dos tratores importados. Nas licitações públicas de 2025, as marcas chinesas ficaram com 33,5% das máquinas agrícolas e rodoviárias compradas.[34]
Tratores elétricos e autônomos
[editar | editar código]Em 1969, a General Electric lançou o Elec-Trak, o primeiro trator elétrico comercial, um trator de jardim movido a baterias que fabricou até 1975.[35] No século XXI, a alemã Fendt e as americanas Solectrac e Monarch Tractor passaram a desenvolver tratores elétricos a bateria,[36][37] e a produção dos modelos da Monarch foi contratada com a Foxconn, na fábrica de Lordstown, no Ohio.[38] A John Deere testou um protótipo alimentado por cabo elétrico,[39] e a Kubota apresentou em 2020 um protótipo elétrico autônomo.[40]
Em janeiro de 2022, a John Deere apresentou na feira Consumer Electronics Show, em Las Vegas, uma versão autônoma do trator 8R, controlável pelo telefone celular, com doze câmeras e recursos de inteligência artificial para detectar obstáculos.[41] Em dezembro do mesmo ano, a CNH Industrial apresentou o New Holland T4 elétrico e autônomo, com comercialização prevista para setembro de 2023.[42]
Configuração e componentes
[editar | editar código]Configuração
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Os tratores podem ser classificados pelo número de eixos: os tratores de duas rodas, de um só eixo, e os de quatro rodas, de dois eixos; mais eixos são possíveis, mas raros. Entre os de quatro rodas, a maioria tem tração em duas rodas, em geral as traseiras, mas muitos contam com tração dianteira auxiliar, tração integral (muitas vezes com direção articulada) ou esteiras contínuas de aço ou borracha. Na nomenclatura brasileira, distinguem-se os tratores de tração simples (4x2) e de tração total (4x4).
O trator agrícola clássico é um veículo aberto, com duas rodas motrizes muito grandes num eixo sob o assento do operador, que fica ao centro junto com o volante, e com o motor à frente, sobre as duas rodas dianteiras direcionais. Esse desenho básico mudou pouco ao longo dos anos, mas quase todos os modelos modernos têm cabine fechada, para segurança e conforto do operador. Em regiões de solo pesado ou úmido, como o Vale Central da Califórnia, popularizaram-se os tratores de esteiras, de tração e flutuação superiores, manobrados por pedais de freio e embreagens laterais acionadas por alavancas em vez de volante.[carece de fontes]

Os tratores de tração nas quatro rodas surgiram na década de 1960. Alguns mantêm a configuração de duas rodas grandes e duas pequenas, típica dos tratores menores, enquanto outros têm quatro rodas grandes e motrizes; os maiores são em geral articulados no centro e direcionados por cilindros hidráulicos que movem a unidade dianteira. No início do século XXI, tratores com esteiras múltiplas direcionais, articulados ou não, substituíram em grande parte o tipo Caterpillar no uso agrícola. Um desenvolvimento mais recente é a troca das rodas ou das esteiras de aço por esteiras flexíveis de borracha reforçada com aço, em geral acionadas por sistemas hidrostáticos ou inteiramente hidráulicos.[carece de fontes]
Motor e combustíveis
[editar | editar código]Desde o início do século XX, o motor de combustão interna é a fonte de força preferida. Entre 1900 e 1960, a gasolina foi o combustível predominante, e o querosene era uma alternativa comum; em geral, um mesmo motor podia queimar ambos, com partida a frio mais fácil na gasolina, guardada num pequeno tanque auxiliar. A dieselização ganhou força a partir da década de 1960, e os tratores agrícolas modernos usam quase sempre motores a diesel, com potências de cerca de 13 a 430 kW (18 a 575 hp). O gás liquefeito de petróleo também foi usado, mas exige tanques pressurizados e equipamento próprio de abastecimento e rende menos potência, de modo que ficou restrito sobretudo a trabalhos em ambientes fechados.[carece de fontes]
Durante a Segunda Guerra Mundial, a escassez de derivados de petróleo na Europa levou muitos veículos, inclusive tratores, a serem convertidos para gasogênio.[43] Em alguns países, como a Alemanha, o biodiesel é bastante usado nos tratores,[44] e há agricultores que empregam óleo vegetal puro.[45]
Transmissão
[editar | editar código]O trator usa caixa de câmbio e diferencial traseiro reforçado, próprios para o trabalho agrícola. A maioria dos tratores antigos tem câmbio manual com três a seis marchas, muitas vezes multiplicadas por duas ou três faixas de redução, que permitem velocidades de menos de 1 até cerca de 40 km/h: as menores para o trabalho no campo e as maiores para o deslocamento em estrada. Nos modelos mais recentes, a caixa pode ter de 8 a 24 marchas à frente e de 2 a 24 à ré, mecânica ou automática;[carece de fontes] a grande variação de marchas decorre da relação entre velocidade, torque e rotação do motor, diretamente ligada à produtividade do equipamento. Alguns tratores modernos, como o JCB Fastrac, chegam a cerca de 80 km/h em estrada.[carece de fontes]
Velocidades baixas e controláveis são necessárias na maior parte das operações, mas causam filas e transtornos quando o trator circula em vias públicas; em alguns países, como os Países Baixos, há sinalização que proíbe tratores em certas estradas. Os tratores antigos têm em geral transmissão não sincronizada, que exige parar o veículo para trocar de marcha, recomendação que consta dos manuais de operação. Nos projetos mais novos, essas caixas foram substituídas por transmissões sincronizadas, com mudança sob carga (powershift), ou por transmissões continuamente variáveis, que permitem ajustar a velocidade de deslocamento mantendo o motor na faixa de rotação ideal.[carece de fontes]
Engates e transmissão de potência
[editar | editar código]A potência do motor chega ao implemento pela barra de tração ou pelo engate, quando o implemento é puxado, pela polia ou pela tomada de força, quando ele é acionado mecanicamente, ou por uma combinação dos dois.
Barra de tração
[editar | editar código]Os arados e outros implementos de preparo do solo eram ligados ao trator sobretudo por uma barra de tração, uma barra de aço presa ao trator à qual o implemento era fixado por um pino. O sistema era simples e permitia trocar o implemento com facilidade, mas exigia que este tivesse rodas próprias e um mecanismo para erguê-lo do solo nas manobras e no transporte. A barra de tração apresentava risco de capotamento conforme a forma como o torque era aplicado,[46] e o Fordson, com entre-eixos muito curto, tendia a empinar para trás. Adequada ao início da mecanização, quando os implementos de tração animal já tinham rodas, a barra de tração continua sendo um dos meios usuais de engate.
Alguns fabricantes produziram implementos montados diretamente no trator, como carregadeiras frontais, segadoras ventrais, cultivadores e plantadeiras. Essas montagens fixas eram em geral exclusivas de cada marca e demoradas de instalar, de modo que o implemento costumava ficar no trator durante toda a estação.[carece de fontes]
Engate de três pontos
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Antes do engate de três pontos de Harry Ferguson, a barra de tração era praticamente o único meio de acoplar implementos que não fossem montados diretamente no trator.[18] No engate de três pontos, também chamado de terceiro ponto ou sistema Ferguson, duas barras inferiores e uma superior são ligadas a um cilindro hidráulico, comandado por uma alavanca, que ergue ou baixa o implemento; este fica em geral inteiramente sustentado pelo trator.[17] O sistema converte o arrasto do implemento numa força para baixo na traseira do trator, o que aumenta a aderência justamente quando o esforço é maior,[17] e regula automaticamente a profundidade de trabalho: quando a resistência cresce, como ao bater numa pedra, a hidráulica levanta o implemento até passar o obstáculo, em vez de partir o engate ou capotar o trator. Também mantém o implemento, sobretudo o arado, nivelado em relação ao solo, e pode ser travado e usado como elevador hidráulico.[carece de fontes]
Enquanto o sistema estava protegido por patente, outros fabricantes criaram engates próprios, como o Fast Hitch de dois pontos dos tratores Farmall, da International Harvester. Com o fim da proteção, o engate de três pontos tornou-se padrão da indústria, e quase todos os tratores o usam ou usam um derivado.[17] O engate rápido, acoplado ao de três pontos, permite que uma só pessoa conecte o implemento com mais rapidez e menos risco.[carece de fontes]
Tomada de força e sistema hidráulico
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Além de puxar os implementos, o trator pode fornecer-lhes força mecânica para acionar máquinas como enfardadeiras, segadoras e bombas. Os primeiros tratores usavam correias ou cabos enrolados no volante do motor ou numa polia separada para acionar equipamentos estacionários, como debulhadoras, serras e ensiladeiras, o que obrigava o trator a ficar parado.[carece de fontes] Os tratores modernos usam a tomada de força, um eixo rotativo em geral na traseira ao qual se liga, por um eixo cardã, o implemento rebocado ou montado no engate de três pontos, dispensando motor próprio no equipamento; alguns modelos têm também tomada de força dianteira.[carece de fontes]
Praticamente todos os tratores modernos também fornecem óleo hidráulico e energia elétrica aos implementos, por mangueiras e cabos: por uma derivação do circuito, a bomba hidráulica do trator aciona os cilindros e motores hidráulicos dos equipamentos.[carece de fontes]
Operação
[editar | editar código]Os tratores modernos têm na cabine numerosos comandos elétricos e alavancas. Ao lado do câmbio manual tradicional, são cada vez mais comuns as transmissões hidráulicas com mudança sob carga e as continuamente variáveis, que simplificam muito a operação; nas primeiras, o pedal de embreagem é substituído por um pedal de avanço lento, que corta o fluxo hidráulico para as embreagens. Diferentemente do automóvel, a rotação do motor pode ser fixada por um acelerador manual, o que mantém a velocidade constante no trabalho de campo e a potência estável quando o trator aciona um implemento pela tomada de força.[carece de fontes]
Os pedais de freio esquerdo e direito são independentes, o que permite frear uma só roda para fechar a curva ou transferir a rotação para a roda com melhor aderência em solo mole ou escorregadio; para o deslocamento em estrada, os dois pedais podem ser travados juntos. Um botão ou pedal acionado com o calcanhar, à frente do assento, aciona o bloqueio do diferencial traseiro, que obriga as duas rodas a girar na mesma velocidade e reduz a patinagem; o bloqueio precisa ser desfeito antes das curvas.[carece de fontes]
Até o fim da década de 1950, os tratores tinham uma só alavanca de câmbio, em geral com três a cinco marchas à frente e uma à ré. Depois vieram as caixas com grupos de marchas, com uma segunda alavanca, e o inversor de sentido junto ao volante; com as transmissões continuamente variáveis, várias alavancas foram substituídas por comandos elétricos ou controlados por computador. O mesmo ocorreu com o engate de três pontos, cuja posição pode ser regulada eletronicamente entre limites predefinidos, e com os comandos hidráulicos externos e a tomada de força.[carece de fontes] Muitos tratores modernos oferecem cabines com ar-condicionado, assentos com amortecimento de vibrações e localização por GPS.[carece de fontes]
Agricultura de precisão
[editar | editar código]Receptores de GPS e computadores de bordo, oferecidos como opcionais nos tratores, são a base da agricultura de precisão. Os sistemas de direção automática, em que o operador só assume o comando nas cabeceiras, evitam sobreposições que desperdiçam combustível e falhas entre as passadas, e vários fabricantes trabalham em tratores sem operador.[carece de fontes]
Segurança
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Nos Estados Unidos, a agricultura é uma das atividades mais perigosas, superada apenas pela mineração e pela construção, e nenhuma máquina agrícola está tão associada a esses riscos quanto o trator.[47] Os acidentes com tratores respondem por cerca de 32% das mortes e 6% dos ferimentos não fatais na agricultura americana, e mais da metade deles se deve a capotamentos.[48]
A estrutura de proteção contra capotamento, conhecida pela sigla inglesa ROPS (roll-over protective structure), e o cinto de segurança, quando usado, são os dispositivos mais importantes para proteger o operador da morte em caso de capotamento.[49][50] Nos tratores abertos, a ROPS é um arco de aço sobre o assento; nos de cabine, faz parte da estrutura da própria cabine, que protege ainda mais o operador. A Suécia foi o primeiro país a exigi-la por lei, em 1959.[carece de fontes] Os tratores para culturas em linha anteriores à ROPS eram especialmente perigosos, pelo desenho em triciclo, com as rodas dianteiras muito próximas; agricultores morreram em capotamentos em encostas íngremes, ao puxar cargas excessivas presas acima da altura do eixo ou quando os pneus congelados no solo faziam o trator girar em torno do eixo traseiro.[47] Nos Estados Unidos, a ROPS passou a ser obrigatória em 1986, sem efeito retroativo, e por isso foram criadas estruturas de baixo custo para adaptação aos tratores antigos.[50]
Nos Estados Unidos, os tratores com cabine fechada costumam ter um assento de instrução, com cinto, destinado ao treinamento de novos operadores e ao diagnóstico de defeitos.[51] A norma ISO 23205:2014 fixa os requisitos mínimos desse assento e estabelece que ele não se destina a crianças,[52] mas mais de 40% das famílias de agricultores levam os filhos de carona no trator, muitas vezes nesse assento.[53]
Principais tipos
[editar | editar código]Trator de pneus
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O trator agrícola de pneus é equipado com motor de combustão interna, em geral a diesel, caixa de transmissão e diferencial traseiro reforçado, três ou quatro rodas com pneus traseiros caracteristicamente grandes e tração simples (4x2) ou total (4x4). É usado principalmente na agricultura, para puxar e acionar arados, grades, plantadeiras, pulverizadores, carretas e a maioria dos implementos agrícolas, e também para acionar bombas de irrigação e outras máquinas estacionárias.[carece de fontes]
Os primeiros tratores, chamados standard, destinavam-se quase só à lavração e à gradagem, com assento baixo e recuado, bitola fixa e pequena altura livre do solo, o que os tornava inadequados para entrar em lavouras em linha já plantadas. O trator para culturas em linha (row-crop), de uso geral, foi popularizado pelo Farmall, da International Harvester, lançado em 1924: o cultivador ficava à frente, à vista do operador, as rodas dianteiras eram muito próximas e as traseiras, de bitola ajustável, passavam entre as fileiras, permitindo cultivar quatro linhas de uma vez. De 1924 a 1963, o Farmall foi o trator para culturas em linha mais vendido.[carece de fontes] Em resposta, a John Deere lançou em 1928 o Model GP, de uso geral.[54] Há ainda tratores de grande altura livre para culturas altas, como o algodão, e tratores utilitários, menores, de baixo centro de gravidade e pequeno raio de giro, usados em serviços gerais na propriedade.[carece de fontes]
Trator isométrico
[editar | editar código]Os tratores isométricos ou isodiamétricos são tratores de pneus com rodas dianteiras e traseiras de mesmo diâmetro e centro de gravidade mais baixo que o dos tratores convencionais, o que facilita o trabalho onde há limitação de altura ou declividade acentuada. A distribuição de peso lhes dá equilíbrio e estabilidade. Há basicamente duas versões, a articulada e a de rodas esterçantes.[carece de fontes]
Trator de esteiras
[editar | editar código]Os tratores de esteiras têm esteiras no lugar das rodas, com melhor aderência e distribuição de peso, sobretudo em terra solta ou terreno pantanoso. São mais usados na construção de estradas e em grandes obras civis, mas também têm aplicações na agricultura, onde a menor compactação do solo favorece o seu uso.[carece de fontes] O buldôzer é um trator de esteiras com uma lâmina frontal e um guincho traseiro, destinado a empurrar e arrastar materiais; dele derivaram as pás carregadeiras, em que a lâmina é substituída por uma caçamba erguida por braços hidráulicos, e as minicarregadeiras, adequadas a espaços confinados.[carece de fontes]
Retroescavadeira
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A variação mais comum do trator agrícola clássico é a retroescavadeira, que tem uma caçamba carregadeira na frente e um braço escavador atrás, montado no engate de três pontos de tratores agrícolas ou industriais. É usada em construção, pequenas demolições, transporte de materiais, abertura de valas, carregamento de caminhões e pavimentação, e as dimensões reduzidas e os comandos precisos a tornam muito comum em obras urbanas. No Reino Unido e na Irlanda, a marca JCB tornou-se sinônimo desse tipo de máquina.[carece de fontes]
Trator compacto
[editar | editar código]O trator compacto utilitário é uma versão menor do trator agrícola, voltada ao paisagismo e à manutenção de propriedades, com potência típica de 15 a 37 kW (20 a 50 hp). Tem engate de três pontos hidráulico, tração dianteira auxiliar e, muitas vezes, transmissão hidrostática; a tomada de força traseira gira a 540 rpm, padrão na América do Norte, ou a 540 e 1 000 rpm, padrão em outros mercados. O implemento mais comum é a carregadeira frontal.[carece de fontes] Um dos primeiros modelos para pequenas propriedades, de 1,2 a 12 hectares, foi um trator de três rodas lançado pela Sears & Roebuck em 1954, ao preço de 598 dólares.[55]
Trator de jardim
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Os tratores de jardim são pequenos e leves, destinados a jardins, gramados e pequenas propriedades. Os modelos voltados para o corte de grama são chamados de tratores cortadores de grama; os tratores de jardim propriamente ditos são mais robustos, com chassi mais forte, motor de virabrequim horizontal, transmissão por correia e eixo de transmissão integrado, e aceitam uma gama maior de implementos dianteiros, ventrais e traseiros.[carece de fontes]
Trator de pomar
[editar | editar código]Os tratores para pomares têm perfil baixo e carenagens lisas que deixam os galhos deslizar sem enganchar, escapamento sob o chassi em vez de vertical, para-faíscas e, muitas vezes, gaiolas que protegem o operador.[carece de fontes]
Motocultivador
[editar | editar código]Definição e implementos
[editar | editar código]O motocultivador é um trator de duas rodas e um só eixo, conduzido por um operador que caminha atrás da máquina e a dirige por meio de rabiças, num arranjo semelhante ao da tração animal. Concebido de início apenas para a capina, com uma enxada rotativa na traseira, passou a receber implementos e acessórios que permitem quase todas as tarefas de uma pequena propriedade, como o preparo do solo, o plantio, a capina, a aplicação de defensivos e o transporte de carga.[56] É muito usado em pequenas áreas, sobretudo na horticultura, e entre os implementos usuais estão carretas para carga, pulverizadores, enxadas rotativas, encanteiradores, arados e sulcadores.[57][58]
Motores e modelos
[editar | editar código]Os motocultivadores mais leves usam motores a gasolina ou diesel refrigerados a ar, de 5 a 7 cv. O Tratorito BD-5.0, lançado pela Branco em 2010, por exemplo, tinha motor diesel de 5 cv e pesava 85 kg.[59] Em 2016, entre os motocultivadores a gasolina oferecidos no Brasil estavam o Buffalo BFG 920 e o Toyama TE700, de 6,5 e 7 cv.[56] A Toyama, fundada em 1999 como importadora de motores e geradores, vende motocultivadores e microtratores numa rede de mais de cinco mil revendas.[60]
Operação e segurança
[editar | editar código]A operação é mais exigente que a de um trator de quatro rodas. A direção é feita por embreagens independentes em cada roda motriz, e a lógica dos comandos se inverte conforme o terreno, numa subida ou numa descida. Os comandos foram projetados para o operador em pé e, quando ele vai sentado, o esforço no volante chega a cerca de dez vezes o de um trator com direção hidráulica; o ruído supera 90 dBA durante o trabalho.[56] Num estudo publicado em 2015 com 53 voluntários, 49,1% não conseguiram desviar de um obstáculo simulado com o motocultivador, contra 5,7% com o trator, e quase todos os participantes consideraram o motocultivador menos seguro. O mesmo trabalho cita um levantamento em que os motocultivadores responderam por 26% de 110 acidentes com máquinas agrícolas estudados em Santa Catarina.[61]
Microtrator
[editar | editar código]Características
[editar | editar código]O microtrator é a versão mais robusta do trator de duas rodas, com guidão ou volante e conexão para diversos implementos agrícolas. Em geral tem motor diesel monocilíndrico refrigerado a água, de 6 a 18 cv e 250 a 500 cm³, pesa de 200 a 450 kg e tem quatro marchas à frente, uma à ré e uma reduzida. No Sul do Brasil, muitos são equipados com carreta articulada e assento, o que permite transportar cargas e pessoas.[56] É muito usado em pequenas e médias propriedades, principalmente para o transporte de cargas e o manejo do solo, e também na extração e no transporte de madeira em sistemas de manejo florestal de pequena escala.[62]
Difusão no mundo
[editar | editar código]Pequenos e baratos, os tratores de duas rodas custavam muitas vezes menos que um trator de dois eixos de potência equivalente antes da década de 1960, e continuam especialmente difundidos na Tailândia, em Bangladesh, na Índia e em outros países do Sudeste Asiático.[carece de fontes] Na China, maior fabricante desse tipo de máquina, o número de tratores pequenos em uso passou de cerca de 12,6 milhões em 2000 para 17,2 milhões em 2008, e o país exportou naquele ano 4 412 tratores de rabiça para a África, a um preço médio de 938 dólares por unidade.[63]
Tobatta e a indústria nacional
[editar | editar código]No Brasil, os microtratores são conhecidos popularmente como tobata ou tobatta, nome da primeira marca fabricada no país.[64][65] A empresa Marukyu Indústria de Máquinas Agrícolas, fundada em 1956 para importar motocultivadores japoneses da Kubota, obteve do Grupo Executivo da Indústria Automobilística a aprovação para nacionalizá-los e lançou em maio de 1960, numa fábrica em Diadema, os primeiros cultivadores brasileiros, com motor importado de 5 hp e vendidos com a marca Tobatta. Em 1965, passou a se chamar Kubota-Tekko do Brasil. A produção mensal subiu de cerca de cem para trezentas unidades até 1980, caiu a um terço com a recessão seguinte e retomou o ritmo com os modelos M 140N e M 160N, de 14 e 16 hp; a empresa deixou o mercado em meados da década de 1990, depois de fabricar mais de 65 mil máquinas.[66] Os incentivos à fabricação local impulsionaram as vendas da década de 1970 à de 1990: segundo a Anfavea, o pico foi de cerca de sete mil unidades em 1986, contra 1 350 em 2011.[56] A Kubota voltou ao mercado brasileiro por meio da importadora Tratores Mercosul (TMI), de Linhares, no Espírito Santo.[33]
Yanmar e Agritech
[editar | editar código]Em 1987, a Yanmar do Brasil começou a produzir tratores pequenos e microtratores numa fábrica em Indaiatuba. Em 2001, a unidade foi comprada pelo grupo gaúcho Francisco Stédile, controlador da Agrale, e deu origem à Agritech Lavrale, que manteve a marca Yanmar Agritech, a equipe e a orientação para a agricultura familiar.[67] A Yanmar voltou a vender tratores diretamente no país em 2018, passou de cem unidades naquele ano para mais de cinco mil em 2024, com cerca de 80% das vendas financiadas por linhas como o Pronaf Mais Alimentos, e anunciou em 2025 uma nova fábrica em Indaiatuba, com investimento de 280 milhões de reais e início previsto para 2027.[68]
Modelos
[editar | editar código]Em 2016, os microtratores diesel oferecidos no Brasil incluíam o Yanmar Agritech TC-14, o Tramontini NG 18, o Kawashima ZT 15 e o Koyote 2218, de 14 a 18 cv.[56]
Agricultura familiar
[editar | editar código]Na agricultura familiar, que preza a diversificação e a durabilidade dos equipamentos, o microtrator tornou-se uma ferramenta central de mecanização, sobretudo em propriedades de até cerca de 20 hectares e em terrenos acidentados, como os de Santa Catarina.[56] Nesse estado, as máquinas de até 20 cv, em grande parte microtratores, formavam cerca de 41% da frota de tratores, com estimativa de mais de vinte mil unidades.[61]
O Programa Mais Alimentos, linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) criada no Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, financia máquinas, equipamentos e outras benfeitorias para agricultores familiares.[69] Em 2009, a linha cobria motocultivadores e tratores de 11 a 78 cv e respondeu por 80,7% das vendas da indústria nessa faixa de potência, com 17 410 unidades.[70] Na safra 2016/2017, o programa financiou 40,2% dos tratores vendidos no país, 16 033 de 39 805.[69]
Trator rodoviário
[editar | editar código]O trator rodoviário é o caminhão, incluindo a cabine, que puxa a carreta nos transportes rodoviários, formando o conjunto semirreboque. No Brasil, é chamado de cavalo mecânico.
Trator de artilharia
[editar | editar código]Os tratores de artilharia são tratores, em geral de esteiras, usados para fins militares, principalmente para rebocar peças de artilharia ou cargas militares. Ao contrário dos carros de combate, têm pouca ou nenhuma blindagem. Muitas vezes usam o chassi de outros veículos de combate e podem ser armados com um canhão anticarro.
Fabricantes
[editar | editar código]Entre os fabricantes e as marcas de tratores do mundo, estão:
- Agrale
- Belarus
- Case IH
- Caterpillar
- Claas
- Companhia Brasileira de Tratores (extinta)
- Deutz-Fahr
- Fendt
- Iseki
- JCB
- John Deere
- Kubota
- Landini
- LS Tractors
- Mahindra
- Massey Ferguson
- New Holland
- Steyr
- TAFE
- Toyama do Brasil
- Tramontini Máquinas
- Ursus
- Valtra
- Zetor
Além dos fabricantes comerciais, o projeto Open Source Ecology desenvolveu protótipos de um trator de hardware livre, o LifeTrac.[carece de fontes]
Ver também
[editar | editar código]Referências
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