sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Rachadura

Há uma rachadura na parede do meu quarto, ao lado da minha cama um sentimento rachado, eu sou a veia que corta o tijolo que edifica a parede, sou esse vazio no concreto, eu sou a poeira entre  os tijolos, o silĂŞncio entre o cimento, o vácuo do concreto, o oco do meu sono, a fresta do meu sonho. 

Essa linha que atravessa o branco sou eu, na incessante busca por ar, quero respirar o sopro de vida na seiva do cĂ©u. Vou subindo em estreitos labirintos de pensamentos pesados. Desvio-me do que nĂŁo sou eu e subo com o fĂ´lego do espĂ­rito. 

Eu me entrego, ó força súbita do meu ser, tu que és o puro frescor da inocência misturado à coragem dos amantes, tu que és o conhecedor da história vivida, a que me identifiquei... À tu me entrego. Relaxo em teus grandiosos braços de vento, inspiro o ar do teu pulmão imenso, recaio em mim sem medo, no sussurro de teu sublime canto. Me encanto de teu brilho encantado, de tua poesia suspensa por estrelas-rainhas da noite, que seguram como a um véu, uma bandeira no marinho infinito do universo. Cintilam as palavras e eu não as leio. Deitada no teu seio, apenas me entrego. Sou eu este incansável mistério?

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O͟͟ q͟͟u͟͟e͟͟ s͟͟o͟͟u͟͟

Quanto de mim eu sou capaz de expor e contar?

Sei dizer o que escondo? Sei falar das partes que envergonham? Sei mostrar o feio, esquisito, duvidoso?

NĂŁo. Eu nĂŁo sei. Eu me preocupo demais com os outros, com o que pensam de mim. Para mim Ă© muito importante ser amada, admirada e, atĂ© mesmo, curtida e comentada (rs). Tenho loucuras difĂ­ceis de compreender, fanatismos, amores que preenchem meu coração. Converso com fotos e choro com lembranças vivas em mim. 

Eu renasço e a vida se contenta.

S͟͟e͟͟n͟͟t͟͟i͟͟r͟͟

Pronto. Agora todos já sabem que aquilo nĂŁo era. 

NĂŁo bem assim. 

Por mais que tentasse fingir, peso demais para mentir o tempo todo. 

O que Ă©, Ă©! Me diz uma amiga. 

O que Ă©, Ă©!

Somos o que somos. E mesmo sem ninguĂ©m ter nada a ver com isso, os outros sĂŁo o espelho do olhar que lançamos sobre nĂłs mesmos. O julgamento severo que nĂłs mesmos nos fazemos. Por vezes encobrindo segredos. 

E se todos souberem? NĂŁo seremos mais amados? Somos mesmo amados?

E se eu souber? Como viver com o que sei? Como seguir com o que eu nĂŁo sei?[de mim]

Respirar. Relaxar. Provar a leveza de ser. 


Lembrar de respirar. Lembrar de relaxar. Le͟͟m͟͟b͟͟r͟͟a͟͟r͟͟ d͟͟e͟͟ m͟͟i͟͟m͟͟đź’•