O meu (bastante) escape semanal, encontro de cafĂ©, de tertĂșlia, de sorrisos.
Em Novembro, pela Jawaa, fomos desafiados por imagens, letras e palavras bonitas. Na Ășltima semana, "Fotografando as palavras dos outros", o poema de Alda Lara era precioso, como uma canção no cair da noite em Ăfrica.
Suponho, pela cadĂȘncia e a nostalgia que se desprende como um odor, ao ler as as palavras:
Testamento
Ă prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, lĂmpido e puro...
E Ă quela virgem esquecida
Rapariga sem ternura
Sonhando algures uma lenda
Deixo o meu vestido branco
O meu vestido de noiva
Todo tecido de renda.
Este meu rosĂĄrio antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que nĂŁo acredita em Deus...
E os livros, rosĂĄrios meus
Das contas de outro sofrer
SĂŁo para os homens humildes
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que sĂŁo de dor
Sincera e desordenada
Esses, que são de esperança
Desesperada mas firme,
Deixo-tos a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
VĂĄs por essa noite fora
Com passos feitos de lua
OferecĂȘ-los Ă s crianças
Que encontrares em cada rua.
As propostas dadas por cada um foram, mais uma vez, apropriadas e cheias de poesia, coloridas por risos, livros, rendas, brumas e luas.
Como muitas vezes faço - oportunidades de rever as décadas... - procuro as minhas alternativas, casando e justapondo frases e imagens.
A primeira, de rendas e brincos:
Algumas por cĂĄ ficaram, esperando outras luzes: