domingo, dezembro 8

Ví(vidas)

 
 
Partem
pelas horas tardias
quando o ocaso acontece
 
Lançam
sorrisos de fogo-fátuo
em trajes de aparências
 
Banham-se
quais iridescentes libélulas
em taça de espuma iminente
 
Expressam
em fúteis flores o vácuo
modelando amores, na internet
 
Anunciam
sentidos incongruentes
sob a hora da demência
 
Assim cantam o frio
na escassez da mente
onde tudo é leve, contente
e da vida não se pensa
 
 
 

 

sábado, julho 25























Talvez me voe… Talvez não…
Um poema incompleto
Seja errado, seja certo
Numa escrita de Verão

Talvez caminhe… Talvez pare…
O pensamento em ti
Talvez apenas te enlacem
Carinhos que omiti

E as árvores correm mudas
Sob os pios agudos dos pássaros
Talvez saibas e não usas
Protegendo os estilhaços
Pelos trilhos arrastados
Ante o brilho amorfo da lua
Que, nua, longínqua e crua
Se vira para outro lado

Talvez avistemos um dia
Da rosa as pétalas rubras
E dancemos a harmonia
Dos abraços apertados


(imagem de Amanda)

sábado, janeiro 3

Sofisma!... Paralogismo!...
Acesa discussão prosseguia na ágora.

Num dia decididamente suave,
o eminente oráculo,
no desvendar subtil da mudança das palavras
e reencontro da acalmia e bondade,
emitiu alva carta
ao patrono das Artes:

Iluminado é aquele que aceita
a linha sinuosa dos passos.

(minha participação no jogo daqui )

quarta-feira, dezembro 10

Outono


Essa eterna tendência de acreditar
que todos são como nós, cientes
do Outono que nos passa levemente


Essa tendência de sofrer com as gentes
que nos cruzam por momentos
distantes ou mais perto,
quem sabe se apenas logram o caminho
de ingénua e crédula ausência


Quando verificamos o trilho inflorido
de cores, adornos pintados em fátuo vento
com afagos tão breves,
admitimos e cremos
que o tempo é uma breve passagem
permanecendo ocres ramas
de um ver que, por escasso,
não se entende


Com muito carinho desejo a todos os que aqui passam ou
passaram um Alegre Natal e que o Ano Novo vos traga
muita Felicidade.
(imagem de Mondrian)

quarta-feira, maio 14

Pensamento


"Se pensas que penso em ti
Não penses que pensas mal
Eu nunca pensei nem penso
Nem penso pensar em tal" *

Se, que pensas em mim, penso
Desde a Aurora à Madrugada
Que não te valha o tormento
No que penso, não és nada.

Se não pensas nem pensaste
Quando pensavas direito
A amarga ilusão que trajaste
Pele da minha é em teu peito.

E se versejando me avisas
Com tal denodada insistência
Crê que as folhas da tua vida

Jorrando assim pensamentos
Partes são da nossa existência
Em ternos, quentes momentos.


* versos que, desde menina, ouvia meu pai cantar

(pintura de Arlette Steenmans)