segunda-feira, novembro 07, 2011




nu

na pele crua
  a verdadeira face
  face Ă  carne
  faz-se nua

  - farto
  o homem
  em descaminhos

  revira o lixo da histĂłria
  procura pĂ©talas
  - asas
  escassas

  na sorte da rua
  colhendo migalhas
  da prĂłpria amargura
 
  sem lume
  e nenhum perfume
  volta ao beco

  - ainda oco de tanto eco -
 
  clĂĄudia gonçalves

domingo, agosto 28, 2011



ebulição


a noite se arrasta
na pista do
desassossego

que teima
acordar
os fantasmas

que habitam
o musgo
do tempo-ido

clåudia gonçalves

sexta-feira, junho 10, 2011



agrura


farpado Ă© o
arame
que arranha os
afetos

no rodapé
das
entrelinhas

- vazio sem rastro -

clåudia gonçalves

sexta-feira, março 11, 2011









 
hiato

folha a folha
despiu-se o outono
num sĂșbito piscar

- seca no jardim do afeto -

clåudia gonçalves

quinta-feira, março 10, 2011



a intrusa

se esconde
em mim
            uma outra
que me arranca
do que
            nĂŁo quero

por momentos
       se apodera
            me parte

sai da superfĂ­cie
- Ă© sĂł arte -

sem o peso dos medos
que tenho

clåudia gonçalves

terça-feira, março 01, 2011



trĂąnsito

[para Moacyr Scliar]

cortina de vento
a vida passa
sem aviso

..........prévio


clåudia gonçalves

quinta-feira, setembro 23, 2010


 
foto-grafia

te vejo em pele
de uva
nas flores de ontem
- completo a taça –


faço metåfora
o tinto de hoje


quebrado o silĂȘncio
um sussurro rouco

- palavras tontas –


percorrendo estreitos
de um sĂł
...........noturno


clåudia gonçalves

terça-feira, agosto 31, 2010










agridoce

arde na veia
pimenta
.........picante

no destravar
da lĂ­ngua
..........voa

pousando livre
o mel
no poema

clåudia gonçalves

quarta-feira, agosto 25, 2010









lacuna
 
embrenhado
na trama
saiu de cena

no canto do ser
coube o vazio

- perdido enredo -

ficou de fato
o escasso
sorriso teu

clåudia gonçalves

segunda-feira, maio 31, 2010



afrasia

......a palavra
...................zune
.........................Ă  deriva

........................despido
..............o verso
.........cala

clåudia gonçalves

quarta-feira, agosto 05, 2009



isento


por favor
não faça alarde
eu conheço essa arenga
vire o disco
bata a porta

- jĂĄ fechei todos os poros –


troquei a arena
...ficaram pérolas
bem guardadas
pra brilhar
em outra cena


clåudia gonçalves

quinta-feira, julho 16, 2009



uniVerso

na
Corda
bamba
bailam
letras
tontas
ondas
di_verso
da
poesia
ainda
nĂŁo dita

Clåudia Gonçalves

sexta-feira, fevereiro 06, 2009



Do cinza ao arrebol

a correnteza
joguei toda
a mĂĄgoa
no papel
sangrou a poesia

o coração
dilatado
em cativeiro

na revolta do mar
intimo e vasto
- um navio negreiro -

inda que os deuses
desaprovem
de ti
nĂŁo me afasto

por mais
que me levem
as ĂĄguas

no encanto do azul
dançam
as trĂȘs marias

e se o rumo
do vento mudar
nascerão açucenas
na janela do sol

ClĂĄudia Gonçalves & Ricardo Sant’anna Reis

quarta-feira, fevereiro 04, 2009



garça na areia
calando o uivo do vento
o som do mar

Clåudia Gonçalves

quarta-feira, outubro 22, 2008



Caçada

fome
de arte
me tome

grito
teu nome
no ar
 

te invoco
no sonho
na trilha
na trama da rede

- no mar

da esquina
até marte
nĂŁo vou
me burlar

vem...
vou amar-te
- Ă© meu foco -
nĂŁo posso adiar

Clåudia Gonçalves


Petição

vai...
madrugada
insone

sĂł
me desperte
com o beijo do sol

Clåudia Gonçalves

sexta-feira, outubro 17, 2008



conCreto

dentro
dos
olhos
brilho
espesso
-lĂĄgrima
sĂłlida
embriagada
de
saudade

Clåudia Gonçalves


quinta-feira, julho 31, 2008



epitĂĄfio

aqui nĂŁo Jaz
_nada
em pĂł
prefiro navegar

no abraço
das ondas
o mistério do mar

despertando
a poesia
que ficou
no cais

Clåudia Gonçalves



quarta-feira, julho 16, 2008



Absinto

nos cantos da casa
amores_vestĂ­gios
nuvem evidente
a bulir o instinto

jogada ao vento
a certeza furtiva
que algo no tempo
perdeu o sentido

o acre sabor
congela o gemido
-nos porÔes da alma
adormece a ferida-

Clåudia Gonçalves

quarta-feira, julho 09, 2008


So_turno


pra
zombar
do
cr
epĂșsculo

sol_
vejo
cravejado
de
estrelas

sol_

R
......I
..........N
...............D
....................O

Clåudia Gonçalves

terça-feira, julho 08, 2008

Suspiro ou aurora

nĂŁo foi insĂŽnia
nem medo
do escuro

foi o brilho do sol
que acordou
sorrindo

ao ver a lua
mergulhando
no

I
.........N
................F
........................I
................................N
........................................I
.................................................T
.........................................................O

sĂĄbado, junho 28, 2008


(a jiddu saldanha)
da janela do outono
fogem beijos e cores
-folhas secas-


Clåudia Gonçalves

sexta-feira, junho 27, 2008



Mutação

congelei a lĂĄgrima
deixando
escorrer o mel

bebi
nas curvas
do tempo

-um néctar de céu-

do pĂł
recomeço
do fel
guardarei o doce

ébria ou sóbria
vejo a dor
-diluĂ­da em versos-

Clåudia Gonçalves

segunda-feira, junho 02, 2008



Fases

a
...lua
..........minguante
...........................de
.................................tédio


ficou

.........cheia
...................de
........................razĂŁo

subiu
..........no
...............salto

numa
..........crescente

..........................vida
.................................nova

Clåudia Gonçalves

segunda-feira, maio 05, 2008



FĂȘnix

vazio em ecos
descortinado sentido
sonho renasce
...retalhos

pĂĄssaros em cores
num vĂŽo sonoro
de alma livre

cirandando a luz
de pirilampos
um denso desfiar
de emoçÔes

Clåudia Gonçalves

sexta-feira, abril 11, 2008

Amoreira plantada por crianças da ong do
sitio do Juca em Guaratinguetå - SP, e pelo poeta Tonho França.
Só mesmo em poesia, é possível demonstrar a emoção

que senti ao receber um presente tĂŁo especial!



a(MOR)a

entre pétalas

de silĂȘncio

aflora

carmim_desejo

doce sabor

de amora


Clåudia Gonçalves


quarta-feira, abril 09, 2008



Lapso

meados
de um
dia branco

dos poros
da alma
exala
poesia

alterando
calendĂĄrios

Clåudia Gonçalves

sexta-feira, março 14, 2008



pa_lavra

na
lavra
do
pensamento
a
larva
da
palavra
cava
o
torto
verso
meu

Clåudia Gonçalves

segunda-feira, fevereiro 25, 2008



Parceria poética com jeito de canção.
Do poeta, Rogerio Santos, sou suspeita para falar... afinal sou fĂŁ de carteirinha...
adoro o estilo despojado e ao mesmo tempo bem arquitetado de sua poesia.
obrigada pela feliz parceria!
Para conhecer mais do trabalho do poeta e letrista Rogério Santos (clique em)
"Folha de cima"
É um lindo blog!

HipĂłtese
CLÁUDIA GONÇALVES

ROGERIO SANTOS


bem que poderia
o dia equatorial
burlar a sina

bem que poderia
a pira do sol
se despir poesia

enfeitar o dia
com onze horas
de final de tarde

bem que poderia
quem sabe um dia
bem que poderia

embocar a boca
na boca da noite
boreal

bem que poderia
livrar a noite
das lentes escuras

e vocĂȘ me ver passar
no meio da multidĂŁo
sĂł pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema sĂł pra gente
universo meu e seu

sexta-feira, janeiro 18, 2008



HipĂłtese

bem que poderia
a noite livrar-se
das lentes escuras

e vocĂȘ me ver passar
no meio da multidĂŁo
sĂł pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema sĂł pra gente
universo meu e seu

Clåudia Gonçalves

quinta-feira, janeiro 17, 2008



Do calar

Ă s
vezes
basta
ouvir
o
silĂȘncio

e
tudo
muda
de
lugar

na
esquina
do
calar

foi
ali
que
nos
perdemos

Clåudia Gonçalves

domingo, janeiro 06, 2008


Noite

Salgado silĂȘncio
pintado de breu

andando
de rua em lua
buscando a cor
na derme do escuro

um mergulho vermelho
no tĂșnel da boca

um coral
de palavras loucas
entorpecendo
...cantando
em labaredas

beijos
que inflamam
aquecem
transpiram
e calam

Clåudia Gonçalves

quarta-feira, dezembro 26, 2007



Beijo guardado

No cais da boca
guardei seu beijo
pode abrir a janela
a paisagem Ă© cristalina

Ă© sĂł uma gota de orvalho
neblina que vira verso
deixa chegar Ă  retina

outra vez o sol ilumina
o dia que nasce azul

Clåudia Gonçalves

segunda-feira, dezembro 17, 2007



Distração

quase meia-noite
onde estava
que nĂŁo embarquei

contando estrelas
talvez...

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e nĂŁo...
nĂŁo escutei

quase meia-noite
onde estava
que nĂŁo embarquei

se o bonde passou
deixei... sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
...desisti

Clåudia Gonçalves

quinta-feira, dezembro 13, 2007



ma(R)io

O rio embriagado
pelas ondas do mar

...mar do rio
que o guaíba-rio abraçou

no alto de um andar qualquer
amoras,morangos,cerejas
vermelho rubro
...ao céu da boca

janelas mortas
em pedras vivas

e o sol foi tirando do bolso
um sorriso quente
e apaixonado

eram fogos de artifĂ­cio
saudando mar e rio.

Clåudia Gonçalves

segunda-feira, novembro 26, 2007



Breve

houve
um tempo
em que
o momento
voou
e passou
em silĂȘncio

Clåudia Gonçalves


quinta-feira, novembro 22, 2007



Pupila

de repente

num piscar
o que era geleira
abriu-se
em chamas

a luz do teu olhar
despiu meus medos


é laço forte
que aperta
desperta
de um grito mudo

ecoando
até o infinito

Clåudia Gonçalves

quarta-feira, novembro 21, 2007



Preciosidade

no
baĂș
dos
meus
encantos
te
guardei
nele
te
trago
te
leio
te
verso
e
parto
pro
meu
porto

Clåudia Gonçalves

segunda-feira, novembro 19, 2007




Pele de jornal

No silĂȘncio
que guarda
no armĂĄrio do nada

um gole de esperança
vestido de solidĂŁo
pinta-se de coragem

e com um amargo
sal nos olhos
mais um dia termina
com gosto de nĂŁo vivi

Clåudia Gonçalves


Inquietude

de toda
a estranheza
que me invade
entrego-me
a nudez
da poesia

Clåudia Gonçalves