Este livro trata da participação blindada italiana na guerra do norte de Africa. Ora o capÃtulo mais interessante é o primeiro que fala sobre a itália dos anos 20 e 30.
Sendo um paÃs recente, não possuÃa colónias e quando tentou conquistar territórios só lhe restava zonas marginais. Quando rebentou a primeira guerra mundial, embora tivesse excelentes relações com a Alemanha, a sua rivalidade com o império austro-hungaro e as promessas dos aliados, fez a Itália balançar para este campo. Terminada a guerra, a Itália recebeu menos do que lhe foi prometido, além de estar numa situação de crise. O seu parque industrial era inferior à s outras potências industriais europeias, não possuÃa combustÃveis nem matérias-primas (carvão, petróleo, ferro), tendo de importar tudo.
O fascismo nos anos 20 esteve demasiado ocupado em adquirir o controle do paÃs, para se lançar em expedições.
Entretanto, decidiram criar uma força blindada (que era vista como a arma do futuro) e foram construÃdos milhares de tanques ligeiros e extremamente ágeis.
Nos anos 30, com o aparecimento de outros regimes nacionalistas, a Itália pôde lançar-se em aventuras externas sem perigos de retaliação. Na Etiópia, e em Espanha utilizou os seus tanques como arma fulcral (apesar de algumas derrotas estrondosas acabaram por se sair bem) e do ponto de vista táctico acabaram por chegar às mesmas conclusões que os alemães: os tanques deviam ser utilizados em grandes formações e sempre apoiados por infantaria, artilharia e aviação, e nunca enviados isolados (como fariam os ingleses) ou mero suporte da infantaria (como os franceses); só assim conseguiriam os seus tanques extremamente ligeiros e rápidos (ideais no seu impérios colonial).Por outro lado, o seu novo império colonial era composto por territórios atrasados, que não lhe davam riquezas e ainda exigiam despesas (que para a construção de infra-estruturas, quer de tropas de defesa).
Entretanto, os italianos aperceberam-se que os seus tanques apesar de bons para os seus domÃnios coloniais (por serem muito rápidos e deslocarem-se em grandes distâncias) como o Fiat L3 e L11, contra outros europeus estavam a ficar ultrapassados e decidiram construir outros; mas os elevados custos, a desorganização e sobretudo a resistência em deitar fora milhares de tanques que tanto tinham custado à Itália construir, impediram essa modernização ser levada a cabo de forma rápida.
Entretanto, Mussolini que desconfiava de Hitler, acabou por se deixar atrair por uma coligação por este, dada as promessas que lhe eram feitas formando o Eixo, mas sem se comprometer a uma guerra (o que o tornou muito popular no seu paÃs, e admirado pelos seus supostos adversários). De facto Mussolini sabia que a Itália não estava preparada para a guerra moderna, e o plano de rearmamento só estaria pronto (na melhor das hipóteses) em 1943.
Com a campanha fulgurante de Hitler em França, Mussolini decidiu arriscar e declarou guerra aos aliados (perdendo o dinheiros dos turistas e divisas congeladas nesses paÃses).
O plano de ataque à Grécia foi mal concebido e pior executado (para começar, a Itália atacou com menos efectivos do que dispunham os gregos, num território desconhecido), e não ter perdido a Albânia foi uma sorte; os alemães acabaram por resolver a situação.
Para o mau desempenho das tropas italianas contribuiu o facto do governo dar provas de oportunismo polÃtico, arranjando inimigos conforme as ocasiões, o que fazia com que os soldados não conseguissem entusiasmar-se pelo combate. As tropas não recebiam qualquer treino de combate com fogo real (as munições e combustÃvel eram caros), de modo que muitos oficiais e soldados disparavam pela primeira vez na vida quando entravam em combate (e os mais velhos tinham-no feito só na grande guerra).
Os capÃtulos seguintes tratam dos combates no norte de africa. Os italianos a partir da LÃbia atacaram com o objectivo de conquistar o Egipto. O momento era perfeito (os ingleses tinham enviado as suas melhores tropas para a Grécia) e a fraqueza dos tanques italianos era compensada pela superioridade numérica e conseguiram chegar à fronteira. Só que aÃ, o comandante italiano (Grazianni) decidiu parar para não entrar numa guerra de atricção (apesar de ter uma vantagem numérica de homens de 1 para 10); apesar de Mussolini lhe exigir que avançasse, não o fez. Quando os ingleses foram reforçados, contra-atacaram. E levaram tudo pela frente; destruÃram os tanques italianos e anti-tanques (havia anti-tanques que disparavam a poucas dezenas de metros tiros directos, sem consequências para os carros ingleses). Quando tudo parecia perdido, Hitler enviou Rommel, que reverteu a situação.
Ora o autor indica que a modernização das forças italianas começaram também a dar os seus frutos na época de Rommel; começaram a ser enviados tanques com verdadeiros canhões (de 47 mm) como o M13/40 em grandes quantidades e não a conta-gotas. Apesar de terem pior blindagem e armamento que os seus equivalentes os italianos passaram a utilizar um recurso eficaz: avançar o mais depressa possÃvel para ao adversário, anulando essas vantagens e beneficiando do apoio inter-armas. Mais tarde outros tanques ainda melhores (mas sempre piores que os dos seus adversários) foram sendo enviados.
Apesar da performance das divisões italianas ser muito inferior à s suas congéneres alemãs, acabaram por ser melhor do que lhe é atribuÃdo; o seu ratio de perdas/danos foi igual à dos seus adversários (mesmo quando estes já dispunham de Shermans e os italianos ainda combatiam com M13/40). Para isso contribuiu quer as tácticas já indicadas, a superior experiência das suas tripulações (que combatiam sem parar ao contrário das aliadas, que eram substituÃdas), o uso de ataques de flanco, camuflagem e serviços de informação que por vezes eram superiores aos alemães.
O autor considera que as forças italianas no perÃodo de Rommel (que os aproveitou ao máximo, permitindo quer tivessem resultados muito melhores do que com o seu próprio comando) e portaram-se muito bem dadas as circunstâncias, e não poderiam ter feito mais. Mas que o governo italiano esse sim, poderia ter feito as coisas de forma diferente. Concentrando os seus recursos no norte de Africa, em vez de enviar centenas de milhares de homens e centenas de tanques e aviões para a Rússia, onde nada contribuÃram; a apoiar Rommel, poderiam ter alterado o resultado da campanha do médio oriente (mas não da guerra em si, já que a sorte se jogou na frente de leste).