Bichos Escrotos
| "Bichos Escrotos" | ||||
|---|---|---|---|---|
| Single de Titãs do álbum Cabeça Dinossauro | ||||
| Lançamento | 1986 | |||
| Formato(s) | 12" | |||
| Gravação | 1986 | |||
| Gênero(s) | Funk rock, post-punk | |||
| Duração | 3:32 | |||
| Gravadora(s) | WEA | |||
| Composição | Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Nando Reis | |||
| Produção | Liminha | |||
| Cronologia de singles de Titãs | ||||
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"Bichos Escrotos" é a nona faixa do álbum Cabeça Dinossauro, dos Titãs, e foi composta por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Nando Reis. Ao ser editada em single, foi-o numa versão ao vivo.
Era tocada pela banda desde 1982, mas só fora gravada nas sessões do Cabeça Dinossauro devido à censura do regime militar no Brasil.[1] Quando finalmente pôde ser gravada, sua execução nas rádios ainda era proibida, mas as rádios recebiam tantos pedidos para tocá-la, que decidiram executar a faixa e arcar com a multa depois, cujo valor baixo tornava o infringimento da censura algo compensatório.[1] Para o videoclipe, o verso "vão se foder" foi substituído por "vocês vão ver".[2]
História
[editar | editar código]A faixa foi escrita por Nando Reis, Sérgio Britto e Arnaldo Antunes. Durante uma gravação de uma demo dos Titãs, os três aproveitaram um momento instrumental e se ausentaram da sala, ficando em um pátio. Em dado momento, Nando viu uma barata saindo de um ralo e isso inspirou os três a começarem a criar uma música ali mesmo sobre o tema.[3] Segundo ele, a música usa os animais citados em sua letra (baratas, ratos e pulgas), que são considerados marginais, como metáforas para os próprios Titãs, que buscavam fugir de padrões e estereótipos estéticos, musicais e morais.[3]
Em uma das primeiras apresentações da faixa, Nando se disfarçava e se misturava em meio à plateia. Em determinado momento, ele interrompia a apresentação, dizendo que aquilo não era música; simulava uma discussão com Arnaldo Antunes e depois se juntava aos colegas para continuar a execução da faixa.[4]
Foi regravada em 2010 no CD/DVD Bailão do Ruivão, trabalho de Nando Reis e Os Infernais, coautor da canção.
Versão de Anitta
[editar | editar código]Em 2026, a cantora brasileira Anitta gravou uma versão da faixa para o filme Corrida dos Bichos. A regravação gerou ampla repercussão nas redes sociais após seu lançamento.[5] A nova versão deu à música uma sonoridade funk, com produção do duo Tropkillaz.[6][7] Em meio à repercussão da faixa nas redes sociais, "Bichos Escrotos" deixou de aparecer entre os lançamentos recentes no perfil oficial de Anitta na plataforma, embora a gravação tenha permanecido disponível para reprodução e a cantora continuasse creditada normalmente na faixa.[8][9]
Sérgio Britto, então único coautor da faixa ainda integrante da banda, comentou que a versão de Anitta, "apesar de ser radicalmente diferente da nossa, tem ali uma leitura pertinente daquilo que a gente quis dizer". Ele disse também que viu "pontos de contato com o que se faz no Funk também porque é uma linguagem muito direta, mas é surpreendente e anárquica."[7] Paulo Miklos, vocalista da versão original e hoje fora da banda, disse ter "adorado" a nova versão, comentando que "Anitta cantou com essa ironia fina e mandou o recado".[7]
Referências
- 1 2 Soares, Jô (21 de julho de 2014). «Jô Soares entrevista a banda Titãs». Rede Globo. São Paulo: Organizações Globo. Consultado em 23 de julho de 2014
- ↑ «Cabeça Dinossauro». Enciclopédia Itaú Cultural. Banco Itaú. 4 de outubro de 2017. Consultado em 30 de janeiro de 2021
- 1 2 Nando Reis - A história de "Bichos Escrotos". YouTube. 12 de janeiro de 2020. Em cena em 0:50-2:01 (inspiração); 02:01-15:49 (explicação). Consultado em 18 de setembro de 2020
- ↑ Nando Reis - 50 fatos sobre os Titãs. YouTube. 11 de novembro de 2020. Em cena em 15:57-16:50. Consultado em 29 de janeiro de 2021
- ↑ «Anitta regrava 'Bichos Escrotos' para o longa 'Corrida dos Bichos'». Terra. Consultado em 12 de agosto de 2026
- ↑ «Anitta remove versão de 'Bichos Escrotos' das plataformas após repercussão». UOL. Consultado em 12 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2026
- 1 2 3 Ernani, Felipe (12 de agosto de 2026). «A opinião dos Titãs sobre a versão de Anitta para "Bichos Escrotos"». Tenho Mais Discos Que Amigos!. Consultado em 1 de setembro de 2026
- ↑ «Anitta remove cover de clássico dos Titãs do Spotify após música virar meme». Rede Fan FM. Consultado em 12 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2026
- ↑ «Voz original de 'Bichos Escrotos', Paulo Miklos opina sobre versão funk de Anitta». Quem. Consultado em 12 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2026
Bibliografia
[editar | editar código]- Taborda, Jeferson Camargo; Bernardes, Anita Guazzelli (2018). «A produção da cidade higiênica: cartografias da prática da pichação para pensar a experiência urbana e a gestão dos fluxos». ECOPOLÍTICA (20)
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- dos Santos, João José Gomes; Machado, Leila Domingues (2014). «ensaio sobre um tecido que dizia não». verve. revista semestral autogestionária do Nu-Sol. (26)
- Ribas, Lis Cristina Camargo; Guimarães, Leandro Belinaso (2006). «Cantando o mundo vivo: aprendendo biologia no pop-rock brasileiro». Ciência & Ensino (ISSN 1980-8631). 7 (1)
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- Rigo, Larissa; Porto, Luana Teixeira (2015). «Crônicas de Caio Fernando Abreu: a subjetividade e a busca pelo diálogo com o leitor». Revista Desenredo. 11 (1)
- Pelizzoli, Marcelo L.; SAYÃO, Sandro. Sabedoria e loucura. [S.l.]: Fragmentos
- Bezerra, Wagner (1999). Manual do telespectador insatisfeito. 61. [S.l.]: Summus Editorial
- dos Santos Prado, Gustavo. «A JUVENTUDE DOS ANOS 80 EM AÇÃO: MÚSICA, ROCK E CRÍTICA AOS VALORES MODERNOS.»
- Cunha, André Luiz Fernandes. «Fotografando a geringonça sem freio: breve investigação sobre as transformações da música em Brasília desde os anos 80». Em Tempo de Histórias (31)
- de Souza, Carlos Eduardo Pilleggi; de Souza, Jean Gabriel. «UNDERSTANDING THE POISONOUS ANIMALS: DIFFERENT BOARDINGS OF HISTORICAL DIMENSION, SOCIAL, ENVIRONMENTAL AND CULTURAL FROM SCIENCES OF NATURE.»
- Barberena, Ricardo Araújo (2016). «A hipercontemporaneidade ensanguentada em Ana Paula Maia». RevistaLetras Hoje, Porto Alegre. 51 (4): 458–465
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- Seino, Eduardo; Algarve, Giovana; Gobbo, José Carlos (2013). «Abertura política e redemocratização brasileira: entre o moderno-conservador e uma "nova sociedade civil». Revista Sem Aspas. 2 (1): 31–42