Intercept Brasil
| Periodicidade | Jornal on-line |
|---|---|
| Sede | Brasil |
| País | Brasil |
| Fundação | 2 de agosto de 2016 (10 anos) |
| Fundador(es) |
|
| Presidente | Andrew Fishman |
| Editor |
|
| Idioma | português |
| Website | intercept.com.br |
Intercept Brasil é um portal de jornalismo investigativo brasileiro independente e sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro.[1] Fundado em 2016 por Andrew Fishman, Cecília Olliveira e Glenn Greenwald como uma filial do The Intercept, se tornou independente da matriz americana em outubro de 2022.[2]
Se tornou relevante pela divulgação de casos de grande impacto no cenário político nacional, como uma série de reportagens que revelou trocas de mensagens entre membros da Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro, justificando a hipótese de haver motivação política na operação, caso que se tornaria conhecido como Vaza Jato.[3]
A redação voltou a atrair atenção internacional em maio de 2026, quando publicou conversas privadas e documentos que comprovavam que Flávio Bolsonaro havia negociado pessoalmente um financiamento de US$ 22 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A série de reportagens intitulada “Vaza Flávio” contradizia declarações públicas anteriores de Flávio Bolsonaro, nas quais ele negava qualquer ligação com o ex-CEO do Banco Master, o homem no centro da maior fraude financeira da história do Brasil.[4]
Histórico
[editar | editar código]Fundação como filial do americano The Intercept
[editar | editar código]Em agosto de 2016, o The Intercept lançou uma versão brasileira, chamada The Intercept Brasil (posteriormente renomeada para Intercept Brasil, sem o artigo em inglês). Editada em português, voltada para o noticiário político brasileiro e produzida por uma equipe de jornalistas brasileiros, que também apresenta notícias traduzidas da edição em inglês.[6]
Quando do lançamento da versão brasileira da publicação, no seu perfil no Facebook, Greenwald disse:
"Com o intuito de ajudar a preencher essa lacuna, anunciamos hoje o lançamento do The Intercept Brasil. Para este projeto piloto, reunimos uma excelente equipe de jornalistas e editores brasileiros que produzirão matérias originais sobre as questões políticas, econômicas, sociais e culturais a serem publicadas na versão em português de nosso site. Também trabalharemos com jornalistas freelance de destaque e outros veículos independentes. Além disso, vamos traduzir nossos artigos de interesse internacional para o inglês, além de publicar outras traduções de matérias do Intercept em português. Neste mês, nosso foco inicial será o julgamento e a votação final do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal, assim como matérias sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além da publicação de conteúdo original, vamos implementar os mesmos princípios de proteção de fontes que ocupam um espaço central na missão do Intercept. As mesmas tecnologias adotadas para que nossas fontes forneçam informações confidenciais contando com a máxima proteção contra vigilância e ataques online (como o SecureDrop) também serão disponibilizadas para nossas fontes de informação brasileiras".
Desmembramento da matriz como uma operação independente
[editar | editar código]Em 14 de outubro de 2022, o jornal publicou um nota em que anunciava a sua separação da matriz, passando a ser financiado somente por doações de leitores.[2]
Censura judicial
[editar | editar código]Ricardo Nicolau
[editar | editar código]Algumas matérias do jornal foram objeto de censura judicial. Em 13 de novembro de 2020, o Intercept Brasil publicou a matéria "Candidato de Manaus conta com o hospital da família, covid e Judiciário para subir nas pesquisas", sobre Ricardo Nicolau (PSD-AM), ex-deputado estadual da Assembleia Legislativa do Amazonas e então candidato à prefeitura de Manaus. O subtítulo da matéria cita: "Ricardo Nicolau foi denunciado por abuso de poder econômico, mas a juíza que analisa os processos é amiga da cunhada do candidato". A matéria foi retirada do ar em 15 de novembro por decisão do juiz Alexandre Henrique Novaes de Araújo da justiça eleitoral do Amazonas, e o Intercept obteve decisão para restaurar o texto 3 dias depois.[7] Um editorial foi publicado com mais detalhes do caso: "Uma reportagem do Intercept foi censurada e nós descobrimos o motivo", com o subtítulo "Fomos obrigados a tirar uma reportagem do ar pela primeira vez em nossa história – graças às relações entre política e Judiciário no Amazonas".[8]
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicou uma nota repudiando o caso. O então editor-executivo do Intercept Brasil declarou que "Juízes, procuradores, promotores e políticos têm utilizado os Juizados Especiais Cíveis para processar jornalistas, o que é um absurdo por reduzir muito nossa capacidade de defesa. Além disso, uma decisão como essa, na qual o juiz diz que publicamos “fatos sabidamente inverídicos”, mas não aponta quais são, é perigoso. Mostramos a rede de amizade [do candidato] no Judiciário, as fragilidades da peça. Se isso virar regra, a liberdade de imprensa está em risco".[9]
Sidney Zamora
[editar | editar código]Em setembro de 2025, o Intercept Brasil publicou a matéria "O raio-x de um latifúndio", detalhando propriedades de Sidney Zamora, um pecuarista com terras na Amazônia investigado por suspeitas de fraude, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro, desmatamento e formação de milícias com uso de forças policiais para ameaçar e atacar os sem-terra em sua propriedade,[10] sendo apontado por investigações da Polícia Federal como responsável por um esquema de grilagem de terras que teria gerado um prejuízo de 68 milhões de reais.[11] A matéria foi retirada do ar por determinação do juiz Leandro Leri Gross, da 3.ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, no Acre, sendo o texto substituído por um informe da decisão. O texto acrescenta ainda: "O Intercept Brasil discorda veementemente da decisão, que considera uma afronta à liberdade de imprensa prevista na Constituição brasileira, e irá recorrer."[12] A matéria censurada original pode ser acessada através da Wayback Machine.[10]
Um editorial sobre a censura recebida, publicado no mesmo mês, intitulado "Ordem de censura ameaça o futuro de todos nós para defender um latifundiário"[13] foi igualmente censurado, por determinação do mesmo juiz. Acessando o link, lê-se um breve texto sobre a decisão, com o título de "Este editorial sobre censura foi censurado". O texto acrescenta: "A censura voltou. E voltou pior: um juiz mandou tirar nossa reportagem do ar e nos proibiu de publicar qualquer coisa sobre os poderosos que pediram a censura."[14] O editorial censurado também pode ser acessado através da Wayback Machine.[13]
Outros veículos de imprensa também foram alvo de decisões judiciais de censura, tais como o Brasil de Fato, embora tenham conseguido decisões favoráveis em instâncias superiores.[15]
Prêmios
[editar | editar código]| Prêmio Vladimir Herzog de Texto | |||
|---|---|---|---|
| Ano | Obra | Autores | Resultado |
| 2020 | "FBI e a Lava-Jato (série Vaza Jato)" | Natalia Viana, Mariam Saleh, Andrew Fishman, Alice Maciel, Rafael Neves, Marina Amaral, Bruno Fonseca e Larissa Fernandes (Agência Pública, em parceria com The Intercept Brasil) | Venceu[16] |
| Menção Honrosa do Prêmio Vladimir Herzog por Multimídia | |||
|---|---|---|---|
| Ano | Obra | Autores | Resultado |
| 2020 | "Arsenal Global" | Cecília Olliveira e Leandro Demori (The Intercept Brasil) | Venceu[16] |
Críticas e controvérsias
[editar | editar código]Separar controvérsias numa se(c)ção específica pode não ser a melhor maneira de se estruturar um artigo, pois pode gerar peso indevido para pontos de vista negativos. |
"Estupro culposo"
[editar | editar código]Em 3 de novembro de 2020, o site publicou uma reportagem sobre o Caso Mariana Ferrer que mostrava uma audiência que aconteceu em setembro no mesmo ano em que o advogado de André Aranha, Cláudio Gastão, é mostrado aviltando Mariana e sem nenhuma ação do juiz do caso, nessa mesma reportagem o portal utiliza o termo "estupro culposo" que não é citado pelos promotores e nem pelo magistrado, como diz o professor de direito constitucional Thiago Sorrentino: “A expressão “estupro culposo” embaralhou e atrapalhou muito o devido conhecimento sobre o caso, pois não só é equivocada no Direito, como em nenhum momento foi utilizada na sentença. Em lógica jurídica, trata-se de uma falácia”.[17]
Referências
- ↑ «Sobre». Intercept Brasil. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 13 de maio de 2026
- 1 2 «"The Intercept Brasil" pede doações para não fechar». Poder360. 14 de outubro de 2022. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «Mensagens vazadas revelam que Moro orientou investigações da Lava Jato». UOL. 9 de junho de 2019. Consultado em 10 de junho de 2019. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Série: Vaza Flávio». Intercept Brasil. 13 de maio de 2026. Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 23 de maio de 2026
- ↑ «Glenn Greenwald anuncia saída do The Intercept». Isto É. 29 de outubro de 2020. Consultado em 9 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 23 de abril de 2024
- 1 2 Glenn Greenwald (2 de agosto de 2016). The Intercept, ed. «Bem-vindo ao The Intercept Brasil». Consultado em 10 de junho de 2019. Cópia arquivada em 28 de fevereiro de 2023
- ↑ Felizardo, Nayara (13 de novembro de 2020). «Candidato de Manaus conta com o hospital da família, covid e Judiciário para subir nas pesquisas». Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2020
- ↑ Felizardo, Nayara (17 de novembro de 2020). «Uma reportagem do Intercept foi censurada e nós descobrimos o motivo». Intercept Brasil. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 17 de novembro de 2025
- ↑ Esperidião, Maria; Teixeira, Pedro (18 de novembro de 2020). «Para especialistas, censura ao Intercept Brasil e a pesquisas eleitorais é ameaça à democracia». Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2026
- 1 2 Fuhrmann, Leonardo (30 de setembro de 2025). «O raio-x de um latifúndio». Intercept Brasil. Consultado em 15 de maio de 2026. Arquivado do original em 1 de outubro de 2025
- ↑ Comunicação Social da Polícia Federal em Rondônia (1 de novembro de 2024). «PF deflagra operação contra esquema criminoso que causou prejuízo de R$ 68 milhões». gov.br. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2025
- ↑ Fuhrmann, Leonardo (30 de setembro de 2025). «O raio-x de um latifúndio». Intercept Brasil. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 1 de março de 2026
- 1 2 Fishman, Andrew (26 de setembro de 2025). «Ordem de censura ameaça o futuro de todos nós para defender um latifundiário». Intercept Brasil. Arquivado do original em 26 de setembro de 2025
- ↑ Fishman, Andrew (16 de outubro de 2025). «Este editorial sobre censura foi censurado». Intercept Brasil. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2026
- ↑ Bataier, Carolina (27 de fevereiro de 2026). «Justiça rejeita processo de ruralista do Acre contra o Brasil de Fato e reafirma liberdade de imprensa». Brasil de Fato. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 1 de abril de 2026
- 1 2 «Premiados – 42° Prêmio Vladimir Herzog». Prêmio Vladimir Herzog. Consultado em 27 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2020
- ↑ «Especialistas dizem que "estupro culposo" não foi citado no caso Mariana Ferrer». Poder360. 8 de novembro de 2020. Consultado em 13 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 16 de novembro de 2025