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Nuclebrás

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Nuclebrás
Razão socialEmpresas Nucleares Brasileiras S.A.
Sociedade de economia mista
AtividadeTecnologia nuclear
Fundação16 de dezembro de 1974
Encerramento1989
SedeRio de Janeiro,  Rio de Janeiro,  Brasil
Proprietário(s)União (acionista majoritária)
ProdutosMineração de urânio, combustível nuclear e equipamentos para usinas
Antecessora(s)Companhia Brasileira de Tecnologia Nuclear
Sucessora(s)Indústrias Nucleares do Brasil

A Empresas Nucleares Brasileiras S.A. (Nuclebrás) foi uma sociedade de economia mista brasileira criada em 1974 a partir da Companhia Brasileira de Tecnologia Nuclear (CBTN). Vinculada ao Ministério de Minas e Energia, reunia empresas que mineravam urânio, produziam combustível nuclear e fabricavam equipamentos para usinas, além de cuidar dos projetos de engenharia. A reorganização do setor entre 1988 e 1989 deu origem à Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que assumiu parte de suas atividades.[1][2][3][4][5]

Criação e atribuições

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A Lei n.º 5.740, de 1971, autorizou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) a constituir a CBTN. Em 16 de dezembro de 1974, a Lei n.º 6.189 mudou seu nome para Nuclebrás e transferiu à União as ações da CNEN. A lei reservava à União pelo menos 51% do capital votante[nota 1] e atribuía à Nuclebrás e a suas subsidiárias a execução das atividades industriais do monopólio nuclear federal[nota 2], enquanto a CNEN permanecia responsável por orientação, fiscalização e pesquisa.[6][1]

Cabia à empresa pesquisar e lavrar minerais nucleares, desenvolver técnicas de tratamento e enriquecimento do urânio e produzir materiais e componentes para reatores. A legislação também lhe permitia construir instalações industriais, negociar equipamentos e serviços do setor, transferir tecnologia à indústria nacional e prestar apoio técnico e administrativo à CNEN. A comercialização de materiais nucleares abrangidos pelo monopólio era sua atribuição exclusiva, sujeita às licenças e à fiscalização da CNEN.[6][1]

Programa nuclear e subsidiárias

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A Nuclebrás foi organizada no governo Ernesto Geisel para executar a parte brasileira do acordo de cooperação nuclear firmado com a Alemanha Ocidental em 1975. O plano previa mineração, desenvolvimento do ciclo do combustível, construção de usinas e fabricação de seus equipamentos. Sua direção inicial ficou a cargo do embaixador Paulo Nogueira Batista.[2][7]

Entre as subsidiárias criadas para o programa estavam a Nuclebrás Auxiliar de Mineração (Nuclam), dedicada à pesquisa e à lavra de urânio; a Nuclebrás Engenharia (Nuclen), responsável pelos projetos de engenharia; a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), que fabricaria componentes de grande porte; e a Nuclebrás Enriquecimento Isotópico (Nuclei), voltada ao enriquecimento de urânio. Essas empresas reuniam capital brasileiro e, em alguns casos, parceiros industriais alemães e austríacos.[2] Em 1980, a construção das usinas previstas no acordo passou à esfera da Nuclebrás; a subsidiária Nucon foi criada para essa tarefa no ano seguinte e desativada em 1984.[2][8]

Área da Juréia

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O Decreto n.º 84.771, de 4 de junho de 1980, declarou de utilidade pública, para desapropriação pela Nuclebrás, aproximadamente 23 600 hectares de terras e benfeitorias no litoral sul de São Paulo. A área, entre Peruíbe e Iguape, abrangia a Juréia e o Rio Una do Prelado. O decreto a destinava à implantação das usinas nucleares 4 e 5, projetadas para 1 200 megawatts cada.[9]

Reorganização

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O Decreto-Lei n.º 2.464, de 31 de agosto de 1988, determinou a mudança da denominação Nuclebrás para Indústrias Nucleares do Brasil e a transferência de ativos e participações ligados a outras atividades nucleares. O texto também destinava à Furnas Centrais Elétricas os acervos das obras de Angra 2 e Angra 3 e à CNEN os do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear. Em junho de 1989, o presidente do Senado declarou o decreto-lei rejeitado, pois o prazo para sua apreciação havia transcorrido sem deliberação do Congresso.[5][10]

A Lei n.º 7.862, de 30 de outubro de 1989, tratou da sucessão da União em obrigações financeiras da Nuclebrás e de suas subsidiárias, deixando determinados créditos com a INB. A Nuclebrás deixou de operar como grupo nessa reorganização.[11][12]

Ver também

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Notas e referências

Notas

  1. ↑ Capital votante é a parte das ações que dá direito de voto nas decisões da empresa.
  2. ↑ A lei reservava à União certas atividades industriais do setor nuclear, executadas pela Nuclebrás e suas empresas.

Referências

  1. 1 2 3 «Lei n.º 6.189, de 16 de dezembro de 1974». Câmara dos Deputados. 1974. Consultado em 28 de outubro de 2026
  2. 1 2 3 4 «Nuclebrás». Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Fundação Getulio Vargas. Consultado em 28 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 11 de março de 2025
  3. ↑ Cabral, Anya (2011). «História das usinas nucleoelétricas no Brasil». Revista Eletrônica de Energia. 1 (1): 58–71. Consultado em 28 de outubro de 2026
  4. ↑ Carvalho, Joaquim Francisco de (1987). «As perspectivas da geração nuclear» (PDF). Revista do Serviço Público. 43: 37–41. doi:10.21874/rsp.v43i0.1948. Consultado em 28 de outubro de 2026
  5. 1 2 «Decreto-Lei n.º 2.464, de 31 de agosto de 1988». Câmara dos Deputados. 1988. Consultado em 28 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2025
  6. 1 2 «Lei n.º 5.740, de 1.º de dezembro de 1971». Câmara dos Deputados. 1971. Consultado em 28 de outubro de 2026
  7. ↑ «Decreto Legislativo n.º 85, de 1975». Câmara dos Deputados. 1975. Consultado em 28 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 20 de abril de 2024
  8. ↑ «Caracterização do empreendimento de Angra 3». Eletronuclear. Consultado em 28 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2024
  9. ↑ «Decreto n.º 84.771, de 4 de junho de 1980». Câmara dos Deputados. 1980. Consultado em 28 de outubro de 2026
  10. ↑ «Ato Declaratório de 14 de junho de 1989». Câmara dos Deputados. 1989. Consultado em 28 de outubro de 2026
  11. ↑ «Lei n.º 7.862, de 30 de outubro de 1989». Câmara dos Deputados. 1989. Consultado em 28 de outubro de 2026
  12. ↑ «História». Indústrias Nucleares do Brasil. Consultado em 28 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2026

Leitura adicional

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Ligações externas

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