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Reco-reco

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Reco-reco
Reco-reco
Guiro Cubano
Informações
Classificação Idiofone

Reco-reco ou dicanza[1] (em quicuio: (ku)kanzana), também conhecido no Brasil por: raspador, caracaxá ou querequexé[2], e em Portugal por: reque-reque ou raspadeira, é um termo genérico que indica os idiofones cujo som é produzido por raspagem.[3]

A sua origem é incerta, sendo que as evidências arqueológicas mais antigas do instrumento remontam a cerca de 25 000 anos, na Idade da Pedra.[4] Já a sua presença no mundo lusófono terá origem africana congolesa, tendo sido importado para o Brasil através do tráfico negreiro. A sua presença em Portugal é debatida, sendo incerto se terá sido introduzido simultaneamente com o Brasil, ou se de forma indireta. [5]

Há dois tipos básicos de reco-reco: os de madeira, de origem angolana[6]; e os de aço, de origem brasileira. O reco-reco de madeira é muito comum em estilos de música latino-americanos como a cumbia e a salsa.

Em Angola

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Este intrumento é conhecido em Angola por dicanza[1] e é tipicamente feito a partir de um gomo de bambu ou uma pequena ripa de madeira com talhos transversais.

A presença deste instrumento na música contemporânea angolana pode ser observada através da obra de Euclides Fontes Pereira, mais conhecido por "Fontinhas", antigo percussionista dos N'gola Ritmos, falecido em 2013 e considerado um dos maiores especialistas de dicanza[7]. Outros artistas, como Bonga e Yuri da Cunha, também recorrem ao instrumento nas suas gravações.

No Brasil

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Antiga gravura de músicos com reco-reco e pandeiro

No Brasil, o tipo mais popular de reco-reco é o de aço. É comumente utilizado em grupos de samba/pagode ou em baterias de samba-enredo. Alguns autores[8] atribuem a sua invenção, ou ao menos seu aperfeiçoamento para a forma atual, ao popular músico e humorista Mussum, que possuía formação em técnico de mecânica e o introduziu no grupo de que fazia parte, os Originais do Samba.

O reco-reco de aço consiste numa caixa de metal com duas ou três molas de aço esticadas sobre o tampo, contra as quais é friccionada uma baqueta de metal. Nesse modelo, é possível utilizar-se da reverberação prolongada nas molas após a fricção ou abafá-las com a mão que segura a caixa. Em alguns modelos, a caixa possui um orifício inferior, permitindo que o instrumentista altere a reverberação interna ao tampar e destampar o orifício, de forma semelhante ao que é feito com a cabaça de um berimbau.

Em Portugal

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Reque-reque minhoto em exposição no Musical Instrument Museum (Phoenix)

Em Portugal, o instrumento apresenta difusão restrita, ocorrendo apenas na Madeira e no Minho.

No Minho, dividem-se em dois tipos: os reque-reques feitos em cana e os feitos em madeira maciça, sendo os primeiros o tipo mais comum na região. Os do segundo tipo encontram-se em Guimarães, Braga, Barcelos e Esposende, e são ornamentados de forma a assemelharem-se a figuras humanas ou animais.[9]

Na Madeira, o instrumento é quase sempre feito de cana-vieira, com a particularidade de se usar uma "cana rachada" para raspar, o que lhe confere um tom mais reverberante do que a variante continental. [10]

Referências

  1. 1 2 «Dicanza». Infopédia
  2. ROCCA, Edgar Nunes "Bituca", Escola Brasileira de Música: Uma visão Brasileira no ensino da música e seus instrumentos de percussão 1. Rio de Janeiro: Europa, EBM, 1986
  3. «Reco-reco — Universidade Federal da Paraíba - UFPB Laboratório de Estudos Etnomusicológicos - LABEET». www.ccta.ufpb.br. Consultado em 28 de agosto de 2022
  4. Stasi, Carlos (1998). Representations of musical scrapers: the disjuncture between simple and complex in the study of a percussion instrument (Doctoral dissertation). University of Natal in Durban: [s.n.] p. 55
  5. Veiga de Oliveira, Ernesto (1975). Instrumentos musicais populares portugueses. Viseu: Eden Gráfico, Lda. p. 21
  6. «O toque da dikanza». Jornal de Angola. 24 de julho de 2013. Consultado em 28 de abril de 2014
  7. «Restos mortais de "Fontinhas" foram a enterrar no Alto das Cruzes». ANGOP. 1 de julho de 2013. Consultado em 28 de abril de 2014
  8. Barreto, Juliano (2014). Mussum Forévis: samba, mé e trapalhões. Rio de Janeiro: Leya
  9. Veiga de Oliveira, Ernesto (1975). Instrumentos musicais populares portugueses. Viseu: Eden Gráfico, Lda. p. 21
  10. «Reque-Reque». Construir Sons. Episódio 1. 9 de Julho de 2026. RTP Madeira. Consultado em 8 de Agosto de 2026

Ligações externas

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