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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 | | 0 comentários

Frase

"Figuras como Darcy Ribeiro e Paulo Francis - capazes de incendiar a mesmice com ambições originais para o Brasil -, fazem uma falta imensa. A mediocridade e despolitização me assustam. Há uma certa síndrome de frigidez editorial."
Geneton Moraes Neto, autor do documentário “Garrafas ao Mar - A Víbora Manda Lembranças”, exibido no fim de semana pela Globo News, em reportagem da "Folha de S. Paulo"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 | | 0 comentários

Jornalismo: as lições do professor Geneton

Descubro, em algum escaninho virtual, uma espécie de carta que escrevi, faz alguns anos, para um estudante de jornalismo imaginário. A carta seria parte de um manual de jornalismo que nunca foi publicado:

A primeira obrigação do jornalista é ser claro e objetivo. Aos fatos, pois:

1 - Se, depois de tantos anos de convivência em redações, eu fosse convocado a dar um “conselho” a uma turma de recrutas do jornalismo, diria simplesmente:  em nome de todos os santos, por favor, please, s`il vous plâit,  não percam nunca a capacidade de se espantar diante dos fatos. Vejam tudo com os olhos curiosos de um menino descobrindo a maravilha do mundo. O olhar faz toda a diferença. É o que distingue um jornalista burocrata de um jornalista interessante. Não existe assunto chato: o que existe é jeito chato de tratar de um assunto.  

(...) 

3 - O jornalista pertence a uma categoria especialíssima: de tanto conviver com fatos extraordinários, ele corre o risco de um achar tudo “normal” e “ordinário”. Neste momento, ele se transforma naquele sujeito entediado que, para o bem do Jornalismo, deveria estar exercendo outra profissão. Cuidado para não se transformar num desses inimigos da notícia. Parece incrível, mas existem, às pencas, nas redações. 

(...) 

7 - Seja saudavelmente pretensioso. Faça a si mesmo uma pergunta antes de resmungar porque foi escalado para entrevistar uma celebridade que já deu mil entrevistas: quem sabe se, na milésima primeira entrevista, eu não consigo arrancar uma história nova, uma declaração inédita, um detalhe que ninguém conhece?  Não jogue fora a notícia antes de tentar.

8 - Fazer bom jornalismo é dar, ao leitor, ouvinte ou telespectador, uma informação que ele não conhecia. Tente ser o porta-voz da novidade.  

9 - Ainda não inventaram uma fórmula mágica. A velha regra vale para todos os filhos de Deus: só escreve bem quem lê muito. Ponto final. Revogam-se as disposições em contrário. Cansei de ver nas redações: nem todo mundo que lê consegue ter um texto claro, límpido e atraente. Mas, invariavelmente, quem não lê não sabe escrever. Os maiores absurdos que já li foram escritos por gente que sofre de bibliofobia – horror a livro. Preferem ler revista de celebridade na sala de espera do dentista. (...)

Fonte: Geneton Moraes Neto, "Dez coisas que aprendi sobre ela, a profissão de Jornalista", blog Dossiê Geral, 8/11/12.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012 | | 0 comentários

Frase

“Há um vasto espaço para o sonho. Mas também há o perigo de que esse espaço seja preenchido por um tipo errado de sonho: por sonhos nacionalistas, por sonhos racistas, por sonhos de ressurreição de religiões fundamentalistas.”
Eric Hobsbawm, historiador britânico que morreu nesta segunda-feira (1/10), em entrevista a Geneton Moraes Neto (para ler a íntegra, clique aqui)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012 | | 0 comentários

Relatos de uma paixão

Sem ter o que fazer, decidi assistir na Internet ao que considero um dos melhores programas da TV brasileira, o “Dossiê Globo News”. O entrevistado era Gay Talese, ícone do jornalismo mundial e um dos expoentes do chamado “new journalism”, o “novo jornalismo”.

A entrevista me deixou com um nó na garganta, com vontade de chorar. Por razões diversas, pessoais e profissionais. É inspiração no seu estágio mais puro. Todo jornalista (aliás, todo mundo) deveria assisti-la. Dois grandes jornalistas (o entrevistador é Geneton Moraes Neto) falando de jornalismo e de vida.


Perdoe-me o desabafo grosseiro, mas é assim que ele precisa ser feito: eu amo essa merda chamada jornalismo, é só o que sei fazer, mas a realidade que se impõe me afasta cada vez mais dele. Da profissão, dos sonhos, de tudo.

Por isso vejo a areia descer pelo espaço miúdo da ampulheta.

domingo, 26 de setembro de 2010 | | 0 comentários

A volta de Geraldo Vandré

“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”
(Trecho inicial do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves dias. Para ler a íntegra, clique aqui)

O jornalista Geneton Moraes Neto faz um trabalho excepcional no programa “Dossiê GloboNews”. São entrevistas em que ele consegue tirar do entrevistado revelações e o âmago do seu pensamento. Geneton faz parte do time dos melhores entrevistadores brasileiros, alguém em quem se espelhar.

O último “Dossiê GloboNews” foi especial. “Depois de quatro décadas de isolamento, o cantor e compositor Geraldo Vandré, que se transformou em um dos maiores enigmas da MPB, resolve finalmente quebrar o silêncio. Autor de clássicos como ‘Disparada’ e ‘Pra Não Dizer que Falei das Flores’ – esta, transformada em hino de manifestações contra a ditadura militar - Vandré deu uma entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto no dia em que completava 75 anos de idade. Desde que voltou do exílio, no segundo semestre de 1973, ele não falava para a televisão”, resume o link disponível no site da GloboNews.

Para quem não viu, recomendo. É revelador e emocionante, como de praxe nas entrevistas de Geneton. São 50 minutos de música, história e vida.



“Já sabia que arte é cultura inútil. Mas hoje eu consegui ser mais inútil do que qualquer artista. Eu sou advogado num tempo sem lei. Quer coisa mais inútil que isso?”

“As razões pelas quais eu me afastei continuam sendo preponderantes no que se apresenta como realidade brasileira.”

Geraldo Vandré, no "Dossiê GloboNews"

domingo, 11 de abril de 2010 | | 0 comentários

Feridas abertas

A seguir, duas belas entrevistas (para variar...) do repórter Geneton Moraes Neto que mostram feridas ainda não cicatrizadas na história do Brasil. Vale a pena! Foi ao ar no "Jornal da Globo".

Em tempo: o Geneton tem um site própria, cuja leitura eu recomendo. Clique aqui para acessar.