domingo, abril 11, 2010

Mudo

Se tudo fosse
o que falassemos,
o que seria
de tudo aquilo
que não foi dito?

Te amo
Sem palavras.

Escutou?

Adivinha

Sabe que,
tudo que eu sei
é que sou alguém
ao lado seu.

Sabia?

Único

Eu,
Sou seu.
Único.

Inteiro
Sem metades
Nem mesmo
Laranjas

Sou a manga
Com caroço
Chupada no pé
de seus dedos.

Eu sou
Seu único.

Canaleta

Lágrimas não nos pertencem.
Brotam daqueles que amamos
para enfim...,

Desaguarem em nossos corações.

Destroncado

Mal sabe ela o que sei
Mas; sei tão pouco...

Sei tanto quanto ela
Que até fico sem jeito.
Chega a dar mal jeito
Toda vez que penso
sem poder tocar.

Destronco
toda vez
que vejo
ela passar.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Acidente na estrada

Hoje me bateu
uma tristeza de frente -
sem freios.
Me pegou de surpresa
e me jogou no chão.

E ela me deixou só,... alí..,
esparramado, imobilizado
sofrendo com meus arranhões.
Não pedi ajuda nem mesmo
ao meu amor.

Os velhos amigos
estão todos aqui.
Mas cada vez mais
me distancio e não
me reconheço
entre eles.

Hoje bati
e assumi a culpa.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Terra boa

Como eu gostaria
de hoje apontar pro céu
e me surpreender com um pássaro
de cores nunca vistas por mim
num vôo rasante sobre minha cabeça.

Passar debaixo daquela árvore
lá no topo da montanha e sentar
em uma de suas raízes
até a fome apertar,
a coluna curvar,
os olhos secarem,
as formigas subirem em minhas pernas,
a manga cair de podre,
o vento cansar,
o sol ir deitar,

e assim...
me tornar terra
terra boa
de se
plantar.

Conta-gotas

Lhe ver chorar
através das paredes
do quarto ao lado
não dói menos
que escutar
com os olhos fechados.

Daria os olhos
para enxugar suas lágrimas
entre meus braços.

Daria os pés
para lhe fazer correr
(Daí) em minha direção
sem tropeçar
em linha reta
pra mim.

Mas vou enxugando
com meu conta-gotas
sem perdero faro
de suas pegadas
ao chão.

Nem que me leve a vida;
levo meu conta-gotas
no meio do meu
coração
seu.

domingo, outubro 25, 2009

24h

Hoje quis você até amanhã sem dormir.

Dois dedos de poeira

Ah!,
Vai falar
Que você não se lembra:

Dos vaga-lumes no alpendre
Da roxinha panhada na vara
Da bota em fuga
Da jibóia no pasto
Dos sapos na escada
Da chuva lá fora.

Do sono...
que chega logo após o feijão
e as passadas,.. de fio dental
nos dentes dela pela casa.

Ah!,
Sem falar:
No som do motor
Do "Sonhôzin" e sua lanterna
Do caminhão "leitêro" atolado
Do novo ninho de galinha
Dos ovos azuis
Do mamão macho
Dos espinhos ardidos
na agulha do dedos.

E o córrego...
Ahh, como era "baum"
Passar com a família dentro daquela água fria
Faltando tão pouco pra chegar
Faltando tão pouco pra atolar.

Ahhh,
E o chuveiro de uma gota só?
Aquela bucha com sementes
A briga pelo pescoço, moela, coração
O calderão de goibada
A porteira emperrada
A volta do meu avô
da vendinha da esquina
com a sacola cheia de "mineirinhos".

Dos tucanos...
na janela da cozinha, lembra?
Que vontade que dá
De ser um tucano daqueles
Num pomar como aquele
Em dias como estes.

(Para minha mãe, Dona Ivone)

segunda-feira, agosto 31, 2009

Satisfeito

Meu rosto salgado em lágrimas

Lhe faz cócegas que não engordam

nem com brigadeiro de colher.


Quero mesmo é a sua carne

vermelha em meus braços.

Pra com os dedos dizer

que lhe toco com os olhos.

O sorriso da língua

Quando me pego sorrindo

tenho seus passos de teatro nos olhos,


Sua língua mordida pra fora de lado.

Me dá um pedaço?

sábado, maio 23, 2009

Des(norte/miol)ado

Se quando ando sem norte
ando com pernas apenas.

Sem dentes nos miolos,
pra qualquer lado
que seu sorriso desmiolado
estiver.

segunda-feira, março 09, 2009

Bonde lunar

Acordei sorrindo.
Como quem cai
de um sonho
em outro.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Próxima parada

Bom dia,
meu doce do apito
que me desperta
para os trilhos do dia
e me aguarda na
Estação Amor
depois da viagem
das horas do sono.

terça-feira, novembro 11, 2008

Pinta

Ainda hoje,
ontem mesmo,
caí da cama ao te ver
jogada ao meu lado,
esparramada,
como um leão
de pernas pro ar
em sua árvore
preferida.

Ainda hoje
não acordei
deste sonho
cheio de sono
que hoje
faz um ano.

...deste gelo sem ar
que é lhe tocar.

Chego a pensar
que não vai durar,
de tão belo e eterno
nosso olhar.

Mas,
se um dia eu acordar
por favor esteja lá -
na mesma árvore,
no mesmo pomar.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Agulha no peito

Agora me vejo só
novamente.

Mais próximo de mim
mais distante...

Perto de uma paz branca;
vazia.

E um sossego,
só.

Vale a pena

A vida não vale uma pena.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Yellow

I wanna make your smile
my reason to laugh.

Expiração nº1

...ter a liberdade de ser só por existir...,
com as pessoas certas somos nós mesmos
mesmo sem perceber que ali somos...

quinta-feira, agosto 28, 2008

Afinação

Sou seu ainda que seja minha
a voz que lhe chega aos ouvidos.

Ainda que esta voz, às vezes,
não seja a trilha
de seu palco
comédia.

Sou nosso
ainda que drama
em dias cinzas.

Sejamos.
Sempre.

domingo, julho 13, 2008

Feira

Da sua ausência
sou mandíbula em falta
na oferta da maçã.

sexta-feira, julho 11, 2008

Galhos de brócolis

Sempre te vejo de verde
com os olhos apertados
e suas caretas...

Caretas que
enchem o saco
de um desconhecido
de saco cheio
de tudo que vê
de longe
pela 1a vez.

Sempre te vejo de longe.
Mas sempre de verde.

Como um pasto
sadio no horizonte
que afoga a garganta do boi magro de saliva ---,
pra te ruminar,
durante a sesta,
debaixo de uma
sombra de mangueira.

Sempre te vejo com os dentes
Mas sempre de verde.

E quando os esconde
faz bico pra juntar suas minhocas ---,
colocá-las para trabalhar
e logo desenrolar
uma nova
língua de sogra no ar...,

...a mesma,
que sempre lhe aperta os olhos
e me sacia a fome
com seus galhos
de brócolis
entre os
dentes.

terça-feira, junho 24, 2008

Pintura exposta

Pensar é não usar a borracha.
Assim como escrever sem pauta; desenhando.

Poema para o psicólogo

Não sei se direi
o que sinto.

Digo apenas que sinto
o que nunca serei capaz de dizer.

domingo, junho 22, 2008

Adormeço no cerrado

Quando o dia me cansa
a tarde procuro a árvore - sua sombra.

E,
com a palha do chapéu no rosto
ouço, espio, prestenção nela;

na preguiça mansa ventando
entre os galhos das mangueiras.

quinta-feira, junho 19, 2008

Fala amor

Estou triste,
chateada.

Tá.
Tudo bem.
Fica tranquila.
Cada um
no seu direito.
Tá certo.

Você me faz feliz.
Quando quiser falar,
me procura.

Estou aqui.
Amor..!
Me abraça.
Sim.
Te cuido
e peço
teu carinho
pra mim.

Eu estou aí
com você.
Sempre.

Mas sempre
quero mais
o que é seu
pra mim.

terça-feira, junho 17, 2008

Prematuro

Te tocar
ainda me é inédito.

Ainda que te conheça cada dia mais
em nossos 7 meses de vida.


quinta-feira, maio 15, 2008

Lancheira

Saudades da lancheira
cortando o peito
do uniforme.

Pois os olhos
espreguiçados de hoje
são os mesmos
dos recreios.

terça-feira, maio 13, 2008

Varanda

Pra ganhar o direito
de desfrutar uma varanda
é preciso viver uma vida
fora dela.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

All Star

Quando pequeno nunca usei All Star.
Tampouco aprendi a desenhar.

Gostava de caçar gafanhotos
com os pés descalços na grama,
...desenhar com as nuvens no céu.

Quando pequeno
queria ser caminhoneiro.
Talvez por não precisar desenhar
e assim,

viajar entre nuvens no horizonte
em direção às estrelas
que nunca estiveram
ao alcance
de meus
pés.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Dar com os ombros

Era uma vez um ombro
que queria ser coração.
E assim derramar lágrimas,
entoar uma canção.

Cansado de dar com os ombros
e carregar pesados fardos
queria mesmo era participar
das coisas do coração.

Trocar a bigorna das costas
por um novo amor em construção.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Mofo

Acordo
num acorde
verde
e
toco
o dia
morno
num crescente
desbotado;

mofo.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Oi?

Amor, o que você está fazendo?
O que você está olhando?

Você gosta do que vê,
gosta do que você toca?
Te toca me ouvir em você?

oi...?

No chuveiro

Adoro seu corpo com fome
suas mãos cheias de sono.

Seus olhos borrados no chuveiro,
sua boca espumando o branco da pasta
ganhando o ralo na queda dos pingos.

Coca cola do dia anterior

Amasso a lata de coca-cola
imaginando seu pescoço vermelho
deitado morno em minhas mãos.

Seu pescoço de lata
vermelho coca-cola
desperdiçado
em bolhas
para enfim,
beber do seu silêncio
morno, doce, sem ondas.

terça-feira, novembro 27, 2007

Bem feito

Sinto. Muito.
Sinto muito.

terça-feira, novembro 06, 2007

Superfície de contato

Quem já viu
menino de rua
descer calçada
passando a mão
no chapiscado dos muros,
na ferrugem dos portões?

Quando foi
que guardamos
os mesmos dedos
ásperos dos muros
em bolsos limpos
sob lenços de algodão?

terça-feira, outubro 02, 2007

Sou um coração batendo no outro

Domingo sou um coração oco.
Um pulso no eco desperdiçado.

Mangueira aberta
ao chão sem dono
num jardim
qualquer;
derramado.

Domingo
sou um coração
que bate no muro -
esmurrado em ponta de faca.

Noutros dias...
não dou ouvidos
ao meu coração
sem calibre
na veia.

Coração
de osso
e carne
de 2a
feira.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Trançar

Aperto meus dentes e
te acerto no rosto um tapa
pra te ver no sofá
escorrer desarmada,
com as pernas dobradas
e o sangue inchado
nos lábios.

Pronta pra me receber
entre seus joelhos nus desacordados
e sua boca trêmula, semi-aberta,
anestesiada.

Saciar a saliva dos meus olhos
e observar o trançar manual
de seus dedos dos pés.

sábado, agosto 11, 2007

De uma vez por todas

Dessa vez
não fique
por pouco.

Me ofereça
o seu pouco
de uma vez
por todas.

Para aos poucos
ficarmos de vez.

terça-feira, julho 17, 2007

Fios de manga

Na sua boca
nunca vão faltar,
dentes pra mim -
minha língua passear...

...plantar,
na sua gengiva fértil,
meus fios de manga
pra você salivar.