Sinto. Muito.
Sinto muito.
terça-feira, novembro 27, 2007
terça-feira, novembro 06, 2007
Superfície de contato
Quem já viu
menino de rua
descer calçada
passando a mão
no chapiscado dos muros,
na ferrugem dos portões?
Quando foi
que guardamos
os mesmos dedos
ásperos dos muros
em bolsos limpos
sob lenços de algodão?
menino de rua
descer calçada
passando a mão
no chapiscado dos muros,
na ferrugem dos portões?
Quando foi
que guardamos
os mesmos dedos
ásperos dos muros
em bolsos limpos
sob lenços de algodão?
terça-feira, outubro 02, 2007
Sou um coração batendo no outro
Domingo sou um coração oco.
Um pulso no eco desperdiçado.
Mangueira aberta
ao chão sem dono
num jardim
qualquer;
derramado.
Domingo
sou um coração
que bate no muro -
esmurrado em ponta de faca.
Noutros dias...
não dou ouvidos
ao meu coração
sem calibre
na veia.
Coração
de osso
e carne
de 2a
feira.
Um pulso no eco desperdiçado.
Mangueira aberta
ao chão sem dono
num jardim
qualquer;
derramado.
Domingo
sou um coração
que bate no muro -
esmurrado em ponta de faca.
Noutros dias...
não dou ouvidos
ao meu coração
sem calibre
na veia.
Coração
de osso
e carne
de 2a
feira.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Trançar
Aperto meus dentes e
te acerto no rosto um tapa
pra te ver no sofá
escorrer desarmada,
com as pernas dobradas
e o sangue inchado
nos lábios.
Pronta pra me receber
entre seus joelhos nus desacordados
e sua boca trêmula, semi-aberta,
anestesiada.
Saciar a saliva dos meus olhos
e observar o trançar manual
de seus dedos dos pés.
te acerto no rosto um tapa
pra te ver no sofá
escorrer desarmada,
com as pernas dobradas
e o sangue inchado
nos lábios.
Pronta pra me receber
entre seus joelhos nus desacordados
e sua boca trêmula, semi-aberta,
anestesiada.
Saciar a saliva dos meus olhos
e observar o trançar manual
de seus dedos dos pés.
sábado, agosto 11, 2007
De uma vez por todas
Dessa vez
não fique
por pouco.
Me ofereça
o seu pouco
de uma vez
por todas.
Para aos poucos
ficarmos de vez.
não fique
por pouco.
Me ofereça
o seu pouco
de uma vez
por todas.
Para aos poucos
ficarmos de vez.
terça-feira, julho 17, 2007
Fios de manga
Na sua boca
nunca vão faltar,
dentes pra mim -
minha língua passear...
...plantar,
na sua gengiva fértil,
meus fios de manga
pra você salivar.
nunca vão faltar,
dentes pra mim -
minha língua passear...
...plantar,
na sua gengiva fértil,
meus fios de manga
pra você salivar.
segunda-feira, julho 16, 2007
Solidão III
Me sinto cada vez mais só
em intervalos cada vez menores.
Mas não existe nada mais puro
que oferecer ao outro
sua solidão de bandeja;
seu vazio escancarado.
em intervalos cada vez menores.
Mas não existe nada mais puro
que oferecer ao outro
sua solidão de bandeja;
seu vazio escancarado.
Véspera de feriado
Neste feriado
nossas geladeiras esqueceram
as portas abertas durante a noite.
Descongelamos
em água corrente.
Nos sentimos
como o broto
na véspera da flor.
nossas geladeiras esqueceram
as portas abertas durante a noite.
Descongelamos
em água corrente.
Nos sentimos
como o broto
na véspera da flor.
quarta-feira, julho 04, 2007
Maio, Abril, Junho

A flor de Maio abriu em Junho
para celebrar o aniversário do meu mês.
Veio ao mundo como uma língua de sogra em slow motion.
Espreguiçou até estalar os ossos - apertando os olhos no final.
E eu,
vendo aquilo tudo,
no atraso das horas,
criei raízes,
no azulejo branco da cozinha.
Envergonhado,
disse que não precisava se incomodar
que bastava um "oi" da área de serviços mesmo.
Mas ela,
se exibindo pra mim,
me pediu um gole de regador
para apagar as velas
e molhar o vaso;
preparar a minha surpresa
do ano que vem.
segunda-feira, junho 25, 2007
Condução
De nossas superfícies transplantadas,
da ligação direta entre nossos poros,
do meu (+) positvo (-) negativo
na sua água salgada;
220V
da ligação direta entre nossos poros,
do meu (+) positvo (-) negativo
na sua água salgada;
220V
domingo, junho 24, 2007
Sopro
Vou começar dizendo
que pra sempre nunca vi.
E terminar sentindo que talvez
nem tenha procurado;
pra começo de história.
E entre uma e outra,
entre umas e outras,
sinto que vou acabar
mesmo nunca vendo,
pois troco um par de olhos cansados
por uma brisa sua sobre as sobrancelhas.
que pra sempre nunca vi.
E terminar sentindo que talvez
nem tenha procurado;
pra começo de história.
E entre uma e outra,
entre umas e outras,
sinto que vou acabar
mesmo nunca vendo,
pois troco um par de olhos cansados
por uma brisa sua sobre as sobrancelhas.
quinta-feira, junho 14, 2007
Tapado
Tapo os ouvidos
pra te escutar melhor.
E aqui dentro:
o teu som.
...e ele sola no la menor dos meus pulsos abertos em lágrimas descompassadas sem o tom do seu refrão dando de comer aos meus pulmões já mudos sem suas palavras aos pés dos meus ouvidos...
Tapo os ouvidos
pra te escutar melhor.
E aqui dentro:
a respiração
do nosso
silêncio
. . .
pra te escutar melhor.
E aqui dentro:
o teu som.
...e ele sola no la menor dos meus pulsos abertos em lágrimas descompassadas sem o tom do seu refrão dando de comer aos meus pulmões já mudos sem suas palavras aos pés dos meus ouvidos...
Tapo os ouvidos
pra te escutar melhor.
E aqui dentro:
a respiração
do nosso
silêncio
. . .
terça-feira, junho 05, 2007
Elevador
É nesse
vão livre,
abismo oco
cheio de ecos,
que meu...,
elevador do humor
passeia e obedece
meus passageiros
de passagem.
vão livre,
abismo oco
cheio de ecos,
que meu...,
elevador do humor
passeia e obedece
meus passageiros
de passagem.
segunda-feira, maio 28, 2007
Estilingue
Às vezes acontece,
assim já dentro do sono,
de me dar conta
que tenho em mãos
punhos fechados
do lado de fora.
E acordo duro,
como num arco e flecha.
Preso em suas mãos estiradas
prestes a me estilingar.
assim já dentro do sono,
de me dar conta
que tenho em mãos
punhos fechados
do lado de fora.
E acordo duro,
como num arco e flecha.
Preso em suas mãos estiradas
prestes a me estilingar.
segunda-feira, maio 21, 2007
Sinto muito
Não sinta
nem lembre;
nem me lembre.
Nem se lembre
de sentir...
E se lembrar
Sinto muito.
Está bem?
Não está.
Esquece.
Tudo bem,
estou bem melhor assim.
E pra não cair no acostamento,
vou ser mão única ao fritar
meus pneus na sua língua.
Deixar minha derrapagem na tua rua
pra você esquecer e passar por cima.
nem lembre;
nem me lembre.
Nem se lembre
de sentir...
E se lembrar
Sinto muito.
Está bem?
Não está.
Esquece.
Tudo bem,
estou bem melhor assim.
E pra não cair no acostamento,
vou ser mão única ao fritar
meus pneus na sua língua.
Deixar minha derrapagem na tua rua
pra você esquecer e passar por cima.
quinta-feira, maio 10, 2007
Pronto-Socorro
Minha veia bailarina
dança em carne vermelha
como uma minhoca
presa em garfo,
como uma moto esgoelada
morro acima em lama.
Foge da picada,
da agulha sem palheiro.
Busca a mão dos amigos
que dormem tranquilos
debaixo de seus cobertores.
Pronto;
corro ao socorro branco
numa noite fria de garoa.
Suando,..
frio.
dança em carne vermelha
como uma minhoca
presa em garfo,
como uma moto esgoelada
morro acima em lama.
Foge da picada,
da agulha sem palheiro.
Busca a mão dos amigos
que dormem tranquilos
debaixo de seus cobertores.
Pronto;
corro ao socorro branco
numa noite fria de garoa.
Suando,..
frio.
segunda-feira, maio 07, 2007
sábado, maio 05, 2007
Aborto
Parto do princípio
que pra se partir
há de ser de 1,
ao 1/2;
pela raíz.
Mas parto sem princípio, sem princípio(s),
minha única metade ao meio
num parto cesária
prematuro.
Há indícios
de que parti
sem deixar
vestígios.
que pra se partir
há de ser de 1,
ao 1/2;
pela raíz.
Mas parto sem princípio, sem princípio(s),
minha única metade ao meio
num parto cesária
prematuro.
Há indícios
de que parti
sem deixar
vestígios.
segunda-feira, abril 23, 2007
Copo de requeijão II
Faço da sua maçã
a mandíbula da minha fome.
E dos teus podres e amassados
o Mertiolate de minhas feridas abertas;
Sedentas por sua saliva em copo de requeijão.
a mandíbula da minha fome.
E dos teus podres e amassados
o Mertiolate de minhas feridas abertas;
Sedentas por sua saliva em copo de requeijão.
sábado, abril 21, 2007
Copo de requeijão
Fui abissal em cada gota
quando na tua ausência.
E das minhas lágrimas bebi,
goles em copo de requeijão.
quando na tua ausência.
E das minhas lágrimas bebi,
goles em copo de requeijão.
sexta-feira, abril 20, 2007
Branco oceano
O silêncio me basta.
O branco me é suficiente -
satisfaz a minha fome
de paredes brancas e
portas fechadas.
Mas a fome volta, voraz.
Então ordeno ao garçom
uma dose dupla cowboy,
do mais puro
branco mudo
de ontem.
E me embriago
nessa lama branca.
Branco movediço
que me engole.
E me resto em cinza(s)
Num branco oceano.
O branco me é suficiente -
satisfaz a minha fome
de paredes brancas e
portas fechadas.
Mas a fome volta, voraz.
Então ordeno ao garçom
uma dose dupla cowboy,
do mais puro
branco mudo
de ontem.
E me embriago
nessa lama branca.
Branco movediço
que me engole.
E me resto em cinza(s)
Num branco oceano.
Banco de praça
No tumulto,
te faço companhia.
Escuro alto sem se ver.
Te sopro a brisa nos ouvidos
pra você soltar os ossos,
esquecer os olhos;
estirar no colo
e decolar.
Descolar no sonho
um banco de praça,
uma brisa, um colo.
Pra você me desligar
sem o tal tumulto alto
e a gente se enxergar.
te faço companhia.
Escuro alto sem se ver.
Te sopro a brisa nos ouvidos
pra você soltar os ossos,
esquecer os olhos;
estirar no colo
e decolar.
Descolar no sonho
um banco de praça,
uma brisa, um colo.
Pra você me desligar
sem o tal tumulto alto
e a gente se enxergar.
sábado, abril 14, 2007
Bagagem de mão
Está vendo
que eu nem
te vejo
+
Assim,
sem +
nem -
Onde já se viu...
Pois decolei vazio
cheio de poltronas.
Sem cinto nem ticket
com sobrenome.
E desde já
ando só comigo;
Eu e minha
bagagem de mão.
que eu nem
te vejo
+
Assim,
sem +
nem -
Onde já se viu...
Pois decolei vazio
cheio de poltronas.
Sem cinto nem ticket
com sobrenome.
E desde já
ando só comigo;
Eu e minha
bagagem de mão.
terça-feira, abril 10, 2007
Me diz
Se eu lhe disser
Que quando te invento
Te invento ao meu lado
Com os olhos fechados
Embalada em mim...
Você,
Me mira
Me aceita
Em você?
Se eu lhe disser
Você me diz?
Me diz...
Que quando te invento
Te invento ao meu lado
Com os olhos fechados
Embalada em mim...
Você,
Me mira
Me aceita
Em você?
Se eu lhe disser
Você me diz?
Me diz...
Vácuo
No vácuo
Sinto
A falta
Sua;
Seu
Som.
E no vácuo congelei
Sem sua propagação de ondas
Em minha corrente sanguínea.
Sem sua falta de juízo,
Sem o seu silêncio
Em meus ouvidos.
Sinto
A falta
Sua;
Seu
Som.
E no vácuo congelei
Sem sua propagação de ondas
Em minha corrente sanguínea.
Sem sua falta de juízo,
Sem o seu silêncio
Em meus ouvidos.
domingo, março 25, 2007
Bonecas Russas
Tenho pra mim
Que sou seu (e, no mais,)
De mais ninguém.
E que demais!
Pois os sonhos;
Estes são meus.
Além do mais,
De maneira alguma seriam
Sem alguém como você.
Mas,
Nunca se sabe
Nem sei de mim...
Quiçá,
Sou resto
De um sonho seu.
Mas,
Se porventura
Eu acordasse primeiro,
Você automaticamente
Seria o resto...
De um sono meu.
Que sou seu (e, no mais,)
De mais ninguém.
E que demais!
Pois os sonhos;
Estes são meus.
Além do mais,
De maneira alguma seriam
Sem alguém como você.
Mas,
Nunca se sabe
Nem sei de mim...
Quiçá,
Sou resto
De um sonho seu.
Mas,
Se porventura
Eu acordasse primeiro,
Você automaticamente
Seria o resto...
De um sono meu.
sábado, março 10, 2007
Ponto morto
Ao certo,
Não dava pra dizer.
Mas mesmo assim
Os vizinhos de porta,
Porteiros e zeladores,
À-toas de plantão,
Andavam dizendo.
Dizia-se que ela,
Moradora do 64,
Saía sozinha à noite,
Pela garagem do prédio,
Dirigindo palavras
Às janelas dos carros.
Certa noite,
Diante da janela do próprio carro,
Não dirigiu palavra alguma.
Brecou seus pensamentos
Ao ver do outro lado
Sua imagem...,
Em (.)
Morto.
Não dava pra dizer.
Mas mesmo assim
Os vizinhos de porta,
Porteiros e zeladores,
À-toas de plantão,
Andavam dizendo.
Dizia-se que ela,
Moradora do 64,
Saía sozinha à noite,
Pela garagem do prédio,
Dirigindo palavras
Às janelas dos carros.
Certa noite,
Diante da janela do próprio carro,
Não dirigiu palavra alguma.
Brecou seus pensamentos
Ao ver do outro lado
Sua imagem...,
Em (.)
Morto.
sábado, março 03, 2007
Carne de sol
Arranco seus Band-Aids com os dentes
E exponho suas feridas abertas ao sol.
Revelo o seu avesso de osso e carne
Sem a epiderme pra te proteger
Dos meus raios ultra-violetas.
Tiro todos os seus anéis, braceletes e pulseiras.
Extraio cada uma de suas unhas esmaltadas.
Passo máquina zero nesse cabelo de ar-condicionado.
Não deixo mechas pra você se esconder no banco traseiro
Nem franjas descabeladas pra pentear na frente do espelho.
Rasgo a embalagem do açougue,
Penduro ele até salgar:
Seu coração de carne,
De sol.
E exponho suas feridas abertas ao sol.
Revelo o seu avesso de osso e carne
Sem a epiderme pra te proteger
Dos meus raios ultra-violetas.
Tiro todos os seus anéis, braceletes e pulseiras.
Extraio cada uma de suas unhas esmaltadas.
Passo máquina zero nesse cabelo de ar-condicionado.
Não deixo mechas pra você se esconder no banco traseiro
Nem franjas descabeladas pra pentear na frente do espelho.
Rasgo a embalagem do açougue,
Penduro ele até salgar:
Seu coração de carne,
De sol.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Lavagem completa
Sentei no chão da varanda
Cruzei as pernas - escorei.
Na porta de vidro,
Minha cabeça descolada,
Decolava distante de mim.
Pouco a pouco,
Em contatos imediatos,
De 1/2 dúzia de palavras ao pé do ouvido,
Nasceram sorrisos inclinados...
O beijo veio no escuro, sem cortes,
Do nosso encontro com as luzes
Da máquina de lavar.
Duas manchas vermelhas
Em camisa branca,
Sem estampa,
No varal.
Lavagem completa.
Corações cardíacos;
Centrifugados.
Cruzei as pernas - escorei.
Na porta de vidro,
Minha cabeça descolada,
Decolava distante de mim.
Pouco a pouco,
Em contatos imediatos,
De 1/2 dúzia de palavras ao pé do ouvido,
Nasceram sorrisos inclinados...
O beijo veio no escuro, sem cortes,
Do nosso encontro com as luzes
Da máquina de lavar.
Duas manchas vermelhas
Em camisa branca,
Sem estampa,
No varal.
Lavagem completa.
Corações cardíacos;
Centrifugados.
sábado, fevereiro 24, 2007
Nascimento
Se ao nascer,
Me carimbassem na planta dos pés
Data e hora de validade
Não me daria ao trabalho
De aprender os primeiros passos.
O choro viria antes do tapa.
Me carimbassem na planta dos pés
Data e hora de validade
Não me daria ao trabalho
De aprender os primeiros passos.
O choro viria antes do tapa.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Queijo suiço
Sou,
Um vazio de pernas,
Ar rarefeito dos Andes
Silêncio asmático;
Respiração de gato
Quando em modo
Auto-lavagem.
Sou,
Aquele vizinho desavisado
Que morreu sem dar notícia.
No lixo da escada,
Junto aos sacos plásticos do supermercado.
...Um queijo suiço de dúvidas
Que acorda sempre com o sono pesando nas costas
Interrogando travesseiros, dando gravata em lençol,
Grampeando os pés da cama
Pra não te deixar fugir
Dos meus sonhos
De amanhã.
Um vazio de pernas,
Ar rarefeito dos Andes
Silêncio asmático;
Respiração de gato
Quando em modo
Auto-lavagem.
Sou,
Aquele vizinho desavisado
Que morreu sem dar notícia.
No lixo da escada,
Junto aos sacos plásticos do supermercado.
...Um queijo suiço de dúvidas
Que acorda sempre com o sono pesando nas costas
Interrogando travesseiros, dando gravata em lençol,
Grampeando os pés da cama
Pra não te deixar fugir
Dos meus sonhos
De amanhã.
sábado, fevereiro 17, 2007
Atrás dos olhos
Quando eu sinto sem pensar
E abro minha boca muda
Meus olhos pedem
Língua pra falar.
E assim escrevo pra você me tocar
Saborear nas entrelinhas de minhas cordas
A melodia piano que soa nos meus ouvidos;
Te revelar a nuca dos meus olhos.
Quando eu sinto sem pensar
Separo os passos da calçada
Observo os pássaros sem os fios,
Sem a placa de pare da esquina.
E abro minha boca muda
Meus olhos pedem
Língua pra falar.
E assim escrevo pra você me tocar
Saborear nas entrelinhas de minhas cordas
A melodia piano que soa nos meus ouvidos;
Te revelar a nuca dos meus olhos.
Quando eu sinto sem pensar
Separo os passos da calçada
Observo os pássaros sem os fios,
Sem a placa de pare da esquina.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Cachos de uva
Suas pequenas mãos de menina
As mesmas do chá para gripe,
Da pinguela sobre o córrego,
Que pena, não as vi.
Mãos de cachos de uvas
Curtas, roxas e maduras
Rompem suas frágeis cascas;
Borram as cordas do meu violão.
Nos meus cabelos,
Nos meus olhos fechados,
Nas minhas horas vagas;
Que pena, não as vi.
Menina,
Um dia desses,
Elas serão minhas;
De uma mulher.
As mesmas do chá para gripe,
Da pinguela sobre o córrego,
Que pena, não as vi.
Mãos de cachos de uvas
Curtas, roxas e maduras
Rompem suas frágeis cascas;
Borram as cordas do meu violão.
Nos meus cabelos,
Nos meus olhos fechados,
Nas minhas horas vagas;
Que pena, não as vi.
Menina,
Um dia desses,
Elas serão minhas;
De uma mulher.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Machado na cabeça
Não senti uma vírgula essa semana.
Mas não vou morrer um dedo por isso
Pois os pontos finais sempre terminam
Na esperança de novos parágrafos.
Nos versos de amanhã
Sempre existe a chance,
De me cair na cabeça,
Uma nova edição,
Em capa dura...,
Das obras completas
De um autor tuberculoso
Que morreu do coração.
Mas não vou morrer um dedo por isso
Pois os pontos finais sempre terminam
Na esperança de novos parágrafos.
Nos versos de amanhã
Sempre existe a chance,
De me cair na cabeça,
Uma nova edição,
Em capa dura...,
Das obras completas
De um autor tuberculoso
Que morreu do coração.
domingo, fevereiro 04, 2007
Sono
Não sei,
Sinto falta.
De quem?
De um outro
Que não eu.
Um alguém,
Pra me acordar
Com resto de sono
No canto dos olhos.
Sinto falta.
De quem?
De um outro
Que não eu.
Um alguém,
Pra me acordar
Com resto de sono
No canto dos olhos.
sábado, fevereiro 03, 2007
Ontem
Hoje me bateu
Vontade de beijar.
Ou quem sabe,
Um livro ao seu lado,
Debaixo do abajur,
Na cama do quarto.
Suas mãos nos olhos,
Um par de lentes,
Sua respiração:
Lenta...,
...densa.
E eu paro,
Te observo...,
Apago ao seu lado.
Vontade de beijar.
Ou quem sabe,
Um livro ao seu lado,
Debaixo do abajur,
Na cama do quarto.
Suas mãos nos olhos,
Um par de lentes,
Sua respiração:
Lenta...,
...densa.
E eu paro,
Te observo...,
Apago ao seu lado.
Hidrocores
Hoje acordei com o elogio na língua
Vontade de fotografar sorrisos na rua
Grifar de amarelo os vasos nas sacadas
Circular raios de sol por entre os dedos.
E eu paro e te ofereço meu caderno...,
Meus hidrocores pra você grifar;
Sublinhar meus pensamentos."
Vontade de fotografar sorrisos na rua
Grifar de amarelo os vasos nas sacadas
Circular raios de sol por entre os dedos.
E eu paro e te ofereço meu caderno...,
Meus hidrocores pra você grifar;
Sublinhar meus pensamentos."
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Sapatilha de um ballet
Você é a sapatilha de um ballet,
Com ou sem ponta,
De um pé,
Esquerdo,
De uma boneca de cera,
Em uma caixinha de música.
E te convido pra dançar
Mas não entro,
Te estendo a mão
E te aguardo
Do lado de fora.
Somente daqui,
Pra gente desviar dos copos
Descartáveis no chão do salão,
Tropeçar nos pés das cadeiras,
Escorregar no morango do ponche.
Mas você não me estende a mão
Diz que não, gira e me vira as costas
Dura, esguia, empostada e afinanda,
Presa pra sempre na minha contra-mão.
Com ou sem ponta,
De um pé,
Esquerdo,
De uma boneca de cera,
Em uma caixinha de música.
E te convido pra dançar
Mas não entro,
Te estendo a mão
E te aguardo
Do lado de fora.
Somente daqui,
Pra gente desviar dos copos
Descartáveis no chão do salão,
Tropeçar nos pés das cadeiras,
Escorregar no morango do ponche.
Mas você não me estende a mão
Diz que não, gira e me vira as costas
Dura, esguia, empostada e afinanda,
Presa pra sempre na minha contra-mão.
domingo, janeiro 28, 2007
Co-piloto
Converso tudo que vejo
Com meus botões.
Ilustre co-piloto da madrugada.
Sempre com os ouvidos abertos
A comentar tudo que sente
Aos pés dos meus ouvidos.
Alimentamos prosa
E seguimos viagem.
Atravessamos noites claras,
Organizamos reuniões de pauta
Discutimos as idéias na mesa -
As vezes nos estranhamos.
Que seria de mim
Sem sua companhia:
Um longo monólogo frio;
Uma voz no barranco.
Com meus botões.
Ilustre co-piloto da madrugada.
Sempre com os ouvidos abertos
A comentar tudo que sente
Aos pés dos meus ouvidos.
Alimentamos prosa
E seguimos viagem.
Atravessamos noites claras,
Organizamos reuniões de pauta
Discutimos as idéias na mesa -
As vezes nos estranhamos.
Que seria de mim
Sem sua companhia:
Um longo monólogo frio;
Uma voz no barranco.
sábado, janeiro 27, 2007
Febril
Ela gostava de tomar banho no escuro.
Pra não precisar fechar os olhos
E sonhar com a chuva.
Chuva sem roupa molhada,
Sem gripe, escorregão,
Nem bueiro sem tampa
Na enxurrada.
Chuva com hora marcada
Comprada com antecedência.
Camarote VIP, serviço de Vallet,
Box de vidro e toalha pendurada.
Um dia, no breu do seu chuveiro,
Sonhou com o casamento da viúva,
Com a transparência da roupa colada no corpo,
Com o splash da poça e o nariz escorrendo.
Sonhou com o castigo da mãe
E a febre debaixo das cobertas.
Pra não precisar fechar os olhos
E sonhar com a chuva.
Chuva sem roupa molhada,
Sem gripe, escorregão,
Nem bueiro sem tampa
Na enxurrada.
Chuva com hora marcada
Comprada com antecedência.
Camarote VIP, serviço de Vallet,
Box de vidro e toalha pendurada.
Um dia, no breu do seu chuveiro,
Sonhou com o casamento da viúva,
Com a transparência da roupa colada no corpo,
Com o splash da poça e o nariz escorrendo.
Sonhou com o castigo da mãe
E a febre debaixo das cobertas.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Colírio
Sede de te ver.
Molhar os olhos.
Sentir o passeio do seu colírio
Escorrer pelos cantos dos meu olhos
Como num percurso de lágrima salgada.
E deste sal,
Sentir o vinco na face,
Cicatriz permanente de sua passagem
Tão breve, tão singela...
Suficiente pra deixar
Meus olhos de 1/2 lua
Trocando as pernas
Nessa lua sem rua.
Molhar os olhos.
Sentir o passeio do seu colírio
Escorrer pelos cantos dos meu olhos
Como num percurso de lágrima salgada.
E deste sal,
Sentir o vinco na face,
Cicatriz permanente de sua passagem
Tão breve, tão singela...
Suficiente pra deixar
Meus olhos de 1/2 lua
Trocando as pernas
Nessa lua sem rua.
Decantação
Um dia como outro qualquer
A gente bate de frente num acidente:
Você deixa cair seus tubos de ensaio
Num incidente sem precedentes.
E nessa mistura; reagimos.
E nessa mistura; dissolvemos.
Até que...
A ação da gravidade nos separe.
A gente bate de frente num acidente:
Você deixa cair seus tubos de ensaio
Num incidente sem precedentes.
E nessa mistura; reagimos.
E nessa mistura; dissolvemos.
Até que...
A ação da gravidade nos separe.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Olhar coadjuvante
Vivo de olhar
Olhar coadjuvante.
Vivo de observar
Minha roupa a rodar
Nessa máquina de lavar;
Roupa limpa sem usar.
Onde estão minhas roupas sujas,
Encardidas, cheias de histórias pra contar?
Essas sim,
Vou lavar com as mãos
No tanque da área de serviço.
Pendurá-las no varal
Como se fosse um mural
Secar meus spams no quintal.
Olhar coadjuvante.
Vivo de observar
Minha roupa a rodar
Nessa máquina de lavar;
Roupa limpa sem usar.
Onde estão minhas roupas sujas,
Encardidas, cheias de histórias pra contar?
Essas sim,
Vou lavar com as mãos
No tanque da área de serviço.
Pendurá-las no varal
Como se fosse um mural
Secar meus spams no quintal.
domingo, janeiro 21, 2007
No alpendre
Olha lá,
Os pintinhos da galinha.
Pontinhos amarelos,
Simétricos entre si.
Como a mãe,
Dona de um cérebro de galinha,
Sabe diferenciá-los?
Tem o filho nerd, o ovelha negra, o patinho feio,
O futuro galo dono do terreiro, o artista...
Até a minhoca;
Tem um gosto diferente no bico de cada amarelo
Uns gostam de insetos, outros de milho...
Até o milho;
Cada grão tem o seu tempo de virar pipoca.
Se não fosse assim,
Não teríamos o pipocar da panela,
Barulhinho bom de infância
Guardado dentro de nossos
Corações vermelhos,
Simétricos entre si.
Os pintinhos da galinha.
Pontinhos amarelos,
Simétricos entre si.
Como a mãe,
Dona de um cérebro de galinha,
Sabe diferenciá-los?
Tem o filho nerd, o ovelha negra, o patinho feio,
O futuro galo dono do terreiro, o artista...
Até a minhoca;
Tem um gosto diferente no bico de cada amarelo
Uns gostam de insetos, outros de milho...
Até o milho;
Cada grão tem o seu tempo de virar pipoca.
Se não fosse assim,
Não teríamos o pipocar da panela,
Barulhinho bom de infância
Guardado dentro de nossos
Corações vermelhos,
Simétricos entre si.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Baseado em versos reais
Nossa foto de ontem a noite
É hoje um filme de ficção,
História de pescador;
Delírio, alucinação.
Blá, blá, blás,
Em bolhas de sabão,
Formam bolas de neve
Numa avalanche sem corrimão.
Cresço, desabo,
Tomo um caldo deste turbilhão.
Sou apenas um filme de ficção
Em busca de um amor-documentário
Baseado em versos reais - incondicionais.
É hoje um filme de ficção,
História de pescador;
Delírio, alucinação.
Blá, blá, blás,
Em bolhas de sabão,
Formam bolas de neve
Numa avalanche sem corrimão.
Cresço, desabo,
Tomo um caldo deste turbilhão.
Sou apenas um filme de ficção
Em busca de um amor-documentário
Baseado em versos reais - incondicionais.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Nem pense nisso
Porque paramos pra pensar?
Porque não se pode pensar sem parar?
Bom,
Até pode,
Mas já pensou?
Já parou pra pensar?
Não pare,
Não pense,
Nem pense nisso.
Porque não se pode pensar sem parar?
Bom,
Até pode,
Mas já pensou?
Já parou pra pensar?
Não pare,
Não pense,
Nem pense nisso.
sábado, janeiro 13, 2007
Ligue os pontos
Em dias
De noites frias,
No céu da sua boca,
Minhas estrelas brilham
Numa valsa que pulsa
Em contrapontos.
E assim,
Vou ligando os pontos,
Formando imagens;
Constelações.
E assim,
A cada toque
De ponta de língua,
Uma nova estrela
Na minha fogueira.
Em noites
De dias frios,
Ligo seus pontos
Pra passar as horas
Sem a brisa morna
De sua boca em mim.
De noites frias,
No céu da sua boca,
Minhas estrelas brilham
Numa valsa que pulsa
Em contrapontos.
E assim,
Vou ligando os pontos,
Formando imagens;
Constelações.
E assim,
A cada toque
De ponta de língua,
Uma nova estrela
Na minha fogueira.
Em noites
De dias frios,
Ligo seus pontos
Pra passar as horas
Sem a brisa morna
De sua boca em mim.
Manequim
Acordei amassado.
No colarinho, na gola,
Na barra da calça;
Um traste desalinhado.
Mas,
Convenhamos,
Não dá pra acordar
Passado a ferro todos os dias.
Fujo do impecável, busco o amassado
Para registrar a ferro o meu passado.
No colarinho, na gola,
Na barra da calça;
Um traste desalinhado.
Mas,
Convenhamos,
Não dá pra acordar
Passado a ferro todos os dias.
Fujo do impecável, busco o amassado
Para registrar a ferro o meu passado.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Aula de Ciências
Me falta o ritmo,
A pegada,
O braço solto,
O rio abaixo...,
A banguela no ponto morto das idéias.
Crescer versos sem franzir testa,
Lápis na boca ou olhos pro teto.
Me faltam,
Versos broto de feijão;
Sol e água no algodão.
A pegada,
O braço solto,
O rio abaixo...,
A banguela no ponto morto das idéias.
Crescer versos sem franzir testa,
Lápis na boca ou olhos pro teto.
Me faltam,
Versos broto de feijão;
Sol e água no algodão.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Rabo de peixe
Será que um dia
Terei um dia
Só meu?
Me curtir em mono x estéreo.
Curtir minha carreira solo.
Estar só pra mim.
Estar só por existir.
Estar sem interagir.
...e não ter que alimentar
Estômago, telefones,
Sinais de trânsito...
Ser apenas o sono de uma galinha,
O som de uma manga madura,
O rabo de um peixe:
Que nunca olha pra frente
E deixa o passado deslizar.
Terei um dia
Só meu?
Me curtir em mono x estéreo.
Curtir minha carreira solo.
Estar só pra mim.
Estar só por existir.
Estar sem interagir.
...e não ter que alimentar
Estômago, telefones,
Sinais de trânsito...
Ser apenas o sono de uma galinha,
O som de uma manga madura,
O rabo de um peixe:
Que nunca olha pra frente
E deixa o passado deslizar.
4 paredes
Se seus olhos falassem
E seu som coubesse em em uma caixa
Eu seria mudo e te daria forma
Dentro de minhas
4 paredes.
E seu som coubesse em em uma caixa
Eu seria mudo e te daria forma
Dentro de minhas
4 paredes.
domingo, janeiro 07, 2007
o(2)
Meu pulmão
Anda de saco cheio de mim.
Ando respirando demais.
Já não posso com:
Elevador,
Feira hippie,
Montanha-russa,
Hitchcock;
Eu e você no verão.
Eu e você no inverno
Iluminado de Jack Nicholson.
Anda de saco cheio de mim.
Ando respirando demais.
Já não posso com:
Elevador,
Feira hippie,
Montanha-russa,
Hitchcock;
Eu e você no verão.
Eu e você no inverno
Iluminado de Jack Nicholson.
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