A COLUNA
" Hoje... tenho que escrever alguma coisa para a minha coluna." diz a Mara, mas nĂŁo se levanta. Ă Domingo, chove e sente que nĂŁo tem nada de novo para dizer. " A tua coluna de mexericos!" ri-se o JoĂŁo. " Digo coisas muito interessantes!" afirma a Mara, batendo-lhe no braço. " Que nem sempre sĂŁo verdade! Ăs vezes, apenas adivinhas..." responde o marido e levanta-se. Mara volta a deitar-se e fica a matutar no que ele diz. Aquilo que pensava ser um emprego temporĂĄrio, apenas para ganhar experiĂȘncia, tornou-se permanente, exigente. Gosta da fama, de receber cartas,mails, com elogios, com fortes crĂticas, mas estĂĄ na altura de escrever qualquer coisa fantĂĄstica. Algo interrompe a meditação. AlguĂ©m deixou cair um mĂłvel no andar de cima e deu um grito. Pelo menos, foi o que pareceu. Mara fica Ă escuta, a tentar perceber o que se passa, mas nĂŁo ouve mais nada. " Os nossos vizinhos devem ter deixado cair um ...