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A mostrar mensagens de agosto, 2021

O DILEMA DE LUÍSA FIM

  A Leonor nĂŁo diz nada, faz um gesto vago na direcção da nova colega que entra nesse momento na sala. HĂĄ qualquer coisa nela que nĂŁo me agrada, conto mais tarde Ă  Dra LĂșcia, e nĂŁo, nĂŁo sei explicar se Ă© o sorriso rĂĄpido, se Ă© a frieza no olhar. Vou estar atenta, noto que os meus colegas ficam muito desconfortĂĄveis quando falo nela. HĂĄ pessoas muito tĂłxicas, concorda a mĂ©dica, concentre-se nos seus planos, no seu filho. O Gustavo tambĂ©m me dĂĄ o mesmo conselho e descubro verdadeiramente o caracter da nova colega quando tem um grande discussĂŁo com a Leonor. A Leonor fica muito vermelha, a RosĂĄrio ri-se triunfante e o meu chefe Ă© incapaz de intervir. A Leonor levanta-se, murmura qualquer coisa que soa como " nĂŁo tenho que aguentar isto" e desaparece no gabinete da gerĂȘncia. Ficamos todos calados, o chefe encontra finalmente a voz, dĂĄ instruçÔes que ninguĂ©m segue, pois estamos preocupados com o que poderĂĄ acontecer com a Leonor. A Leonor aparece meia hora mais tarde, tem os olhos...

O DILEMA DE LUÍSA PARTE V

  O Gustavo cumpre a promessa: apresenta-me vĂĄrios cursos, assinala mesmo a opção que lhe parece mais viĂĄvel. TambĂ©m fico interessada, faço uma pesquisa mais profunda e tento ignorar os comentĂĄrios da minha MĂŁe. A vida nĂŁo termina sĂł porque tenho um filho, penso e tanto a Dra LĂșcia como o Gustavo concordam. Organizamos um horĂĄrio do Tobias, diz o Gustavo, a minha MĂŁe e a Clarinha ajudam e tenho a certeza de que os teus Pais tambĂ©m. A minha MĂŁe estĂĄ contra, acho que estou a ser egoĂ­sta, conto, tenho que pensar no meu filho, na minha idade, tenho que ter um emprego estĂĄvel. Isto dito por alguĂ©m que me acusa de nĂŁo ser batalhadora e o mais irritante disto tudo, continuo, Ă© que nĂŁo o diz a mim, mas aos outros! Confronta-a com isso, aconselha o Gustavo e a Dra LĂșcia tambĂ©m o diz. NĂŁo, nĂŁo me sinto com forças para isso, contrario, vou receber um sermĂŁo sobre boas maneiras, sobre os deveres dos filhos, etc. Parece-me que a sua MĂŁe Ă© uma grande egoĂ­sta, comenta a Dra LĂșcia, devia ficar con...

O DILEMA DE LUÍSA PARTE IV

  A Dra LĂșcia despede-se, diz que volta no dia seguinte e deixa-me sĂł com os meus pensamentos. E tenho muito em que pensar; a mĂ©dica lançou-me um desafio e eu tenho que o aceitar. Talvez a vida fique mais fĂĄcil, talvez seja mais feliz, nĂŁo sei, mas tenho que tentar. A voz da minha MĂŁe soa-me na mente, tens a certeza? acho que Ă© melhor nĂŁo arriscares e lembro-me como tentou dissuadir-me de casar com o Gustavo, Ă©s nova demais, vais arrepender-te. A Ășnica coisa de que me arrependo neste momento Ă© ter-me divorciado; o Gustavo foi, Ă© um Ăłptimo companheiro, amigo, amante e deitei tudo a perder por ser radical. O Gustavo visita-me naquela manhĂŁ, fica satisfeito por me ver de bom humor e mais ainda quando lhe conto os meus planos. Ups! O que aconteceu? pergunta, mas eu apenas sorrio, a vida serĂĄ mais interessante se me desafiar. O Gustavo sorri, Ă s vezes, Ă© bom arriscar, estou a adorar esta nova faceta da minha vida, diz, estamos jĂĄ a considerar contratar mais gente. Posso ajudar? mas acab...

O DILEMA DE LUÍSA PARTE III

  Acho que sou uma pessoa mĂĄ, digo lentamente e vejo que a mĂ©dica me olha surpreendida. NĂŁo creio que seja mĂĄ, tem defeitos como todas as outras pessoas, responde, teremos que nos concentrar nesses defeitos e encontrar uma solução. Fala-me da sua infĂąncia, da sua adolescĂȘncia. Mas eu nĂŁo quero falar do passado, quero falar apenas do presente, no que aconteceu e como posso viver daqui para a frente. A Dra LĂșcia nĂŁo fica muito convencida, o problema estĂĄ geralmente no passado, explica, mas eu nĂŁo concordo. Ouve-me atentamente, por vezes, interrompe-me para esclarecer um pormenor e quando dĂĄ a consulta por terminada, eu sinto-me mais aliviada. Penso no meu casamento, na paciĂȘncia do Gustavo, talvez possam reatar se admitir que estĂĄ errada, sugere a Dra LĂșcia, mas eu abano a cabeça. O Gustavo seguiu em frente, eu nĂŁo, observo, nĂŁo lhe perdoo ter avançado com o projecto apesar das minhas reticĂȘncias. Talvez seja inveja, porque teve coragem de fazer o que a LuĂ­sa quer, no fundo, ter o se...

O DILEMA DE LUISA PARTE II

  Fico chocada, sou uma pessoa problemĂĄtica, em conflito comigo e com os outros? penso, mas nĂŁo me atrevo a dizer isso alto. Tenho muito que pensar, tento rever os acontecimentos presentes e passados, onde Ă© que falhei e como posso corrigir? e estou tĂŁo abalada que nĂŁo vejo o sinal. Passo com vermelho, o outro carro bate-me com toda a força e embato contra o separador. Desmaio e os meus Pais contam-me depois que estive uns dias em coma, que pensaram o pior, que foi um alĂ­vio quando disseram que ia sobreviver. Vais ter meses de recuperação, avisam, nĂŁo vai ser fĂĄcil, mas nĂŁo te preocupes, tu e o Tobias ficam lĂĄ em casa o tempo que for necessĂĄrio. O Gustavo tambĂ©m me visita, tu Ă©s tĂŁo cuidadosa, como Ă© que nĂŁo viste o sinal? censura carinhosamente e vejo que estĂĄ aliviado por o Tobias nĂŁo estar no carro. Gostava de ver o miĂșdo, mas um hospital nĂŁo Ă© o local adequado para um bebĂ©, explica a minha MĂŁe e tenho que concordar com ela. Naquela tarde, sentam-me num cadeirĂŁo, amanhĂŁ vai come...

O DILEMA DE LUÍSA

Todos dizem que estou sempre de mau humor. Desde o divĂłrcio, acrescentam e começo a achar que tĂȘm razĂŁo. AtĂ© o Gustavo evita falar comigo, pois tratei-o tĂŁo mal e ele precisava de todo o meu apoio. Ok, ninguĂ©m estĂĄ a dizer que tens que concordar com tudo o que ele faz, observa o meu Pai, eu prĂłprio tenho as minhas dĂșvidas, mas respeito o ponto de vista do Gustavo e sei que, se nĂŁo resultar, ele serĂĄ o primeiro a admitir que errou e tomarĂĄ as providĂȘncias necessĂĄrias para controlar a situação. Mas tu foste radical, continua a MĂŁe, fizeste-lhe um ultimato, em vez de o apoiares! Pronto, jĂĄ sei, digo, a culpa Ă© toda minha! e os meus Pais suspiram, oh, LuĂ­sa, lĂĄ estĂĄs tu a armar-te em vĂ­tima! Fico calada, furiosa com o comentĂĄrio, mas, mais tarde a conversar com a minha amiga, Susana, esta, diplomaticamente, confirma a opiniĂŁo. Achas mesmo que me estou a armar em vĂ­tima? pergunto, admirada e magoada e a Susana hesita antes de continuar. Acho que estĂĄs a ser egoĂ­sta, sĂł pensas em ti, explica...

MATIAS FIM

  Os Pais acabam por saber da luta, pois a InĂȘs relata tudo ao jantar, estĂĄ deliciada com a palavra " verme ". Por isso, paira no ar a ameaça do colĂ©gio militar, talvez percebas o que Ă© a disciplina e a organização, explica o Pai. O Matias estĂĄ aborrecido, culpa o Edgar de tudo, mas o irmĂŁo defende-se, tu Ă© que começas as coisas, eu apenas reajo! Mas isso Ă© tĂŁo mau como provocar! responde a Filipa que ouve a discussĂŁo, Ă© como o Miguel disse, organizem-se. Eu e o Miguel tĂ­nhamos um esquema, por exemplo, quem saĂ­sse Ă  sexta-feira Ă  noite com os amigos, ficava convosco sĂĄbado Ă  noite. Nos jantares de famĂ­lia, a mesma coisa e resultou. TĂȘm que conversar, aconselha. EntĂŁo, hoje eu vou com a MĂŁe buscar a InĂȘs e fico com ela atĂ© Ă  hora do banho, declara o Edgar, tu ficas com ela depois, lĂȘs-lhe a histĂłria atĂ© ela adormecer e nĂŁo se fala mais nisso!  Mas isto Ă© uma ditadura? reclama o Matias, mas a Filipa acha uma boa ideia e o irmĂŁo nĂŁo se atreve a dizer mais nada. Em casa, o Edgar ...

MATIAS PARTE IV

  És um palerma, pĂĄ! diz o Miguel mais tarde quando os convidados se vĂŁo embora, os miĂșdos estavam entretidos, os dois podiam ter almoçado na sala sem problemas, mas tu resolveste armar-te em esperto! EstĂĄ calado! protesta o Matias, atĂ© parece que nunca te queixaste por ter que ficar no quarto de brinquedos a aturar estes " idiotas"! Lembro-me muito bem disso! AtĂ© posso ter dito, concede o irmĂŁo mais velho, mas eu e a Filipa tĂ­nhamos um esquema que resultava, Ă© o que tens que fazer! Falar com o Edgar e trabalhar em conjunto para que ambos gozem o momento! Qual era o vosso esquema? pergunta o Matias, curioso, mas o irmĂŁo abana a cabeça, tens uma cabeça para pensar, faz uso dela, palerma! e saĂ­ do quarto. Palerma! ecoa a InĂȘs, deliciada, palerma, palerma, palerma! e o Matias grita, estĂĄ calada, InĂȘs! Isso nĂŁo se diz! Mas claro estĂĄ que a InĂȘs continua a cantarolar, palerma, palerma e o Edgar junta-se ao coro. O Matias fica muito vermelho, cala-te, verme! ordena e a InĂȘs ri-se, ...

MATIAS PARTE III

  O que Ă© que vamos fazer agora? pergunta o Edgar, Ă© que estou cheio de fome e nĂŁo quero comer as sobras!  Fazemos como das outras vezes, diz o Matias, seguro de si, eu vou comer agora e depois, vais tu! Mas porque Ă© que tens que ir tu primeiro? protesta o Edgar, Ă© sempre a mesma coisa! Estou farto de ficar em segundo! O Matias nem responde, saĂ­ do quarto, entra na sala de jantar onde a conversa rola ruidosamente. EntĂŁo, Matias, o que contas? pergunta o Gonçalo, dĂĄ-lhe uma palmada nas costas, mas nem espera pela resposta, em breve, estĂĄ embrenhado numa grande conversa com o Pai. O Matias fica um pouco aborrecido, o Gonçalo podia conversar um pouco com ele, afinal, ele nĂŁo Ă© um miĂșdo! JĂĄ tem treze anos, Ă© um homem! Suspira, avança atĂ© Ă  mesa, cheia de coisas tĂŁo boas, estĂĄ indeciso. Resultado, demora tanto tempo que o Edgar aparece com o Miguel ao colo, muito aborrecido Ă  porta. O Miguel solta um grito ao ver o Pai, o Pedro fica logo preocupado, o que Ă© que se passa? pergunta, ...

MATIAS PARTE II

  A MĂŁe estĂĄ muito zangada, os dois irmĂŁos ficam muito atrapalhados e o Edgar tenta justificar-se. NĂŁo quero saber, corta a MĂŁe, jĂĄ falamos sobre lutas, isto Ă© uma casa de famĂ­lia, podemos ter opiniĂ”es diferentes, mas LUTAS nĂŁo sĂŁo permitidas! Façam o favor de ir lavar essa cara, pentear o cabelo. Quanto a nĂłs, periquita, e a InĂȘs ri-se, vamos atĂ© Ă  cozinha e almoçar. Meia hora depois, os irmĂŁos apresentam-se na cozinha, lavados, penteados, prontos para receberem ordens, como murmura o Matias. A campainha toca nesse momento, a Carolina faz um gesto vago e os dois irmĂŁos apressam-se a abrir. É a Teresa e o AntĂłnio, o Gonçalo e a Sofia que, ao verem os primos, fazem um estardalhaço tal que a InĂȘs foge Ă  MĂŁe. A Filipa e o Miguel tambĂ©m aparecem e ficam ali todos no hall a conversar atĂ© que a Carolina os interrompe, hĂĄ uma sala com sofĂĄs confortĂĄveis Ă  vossa espera e atenção que o Gustavo estĂĄ a preparar receitas novas de cocktails! Todos riem, o Matias e o Edgar levam o trio para o qu...

MATIAS

  O Matias sente-se importante agora que fez treze anos. É um homem, nĂŁo tem que tomar conta dos mais pequenos, o Edgar pode fazer isso, porque o Edgar Ă© um miĂșdo, protesta. TambĂ©m tu Ă©s um miĂșdo, diz o irmĂŁo mais velho, por isso, organiza a creche; nĂŁo olhes para mim assim, gira, andor! O Matias fica aborrecido, o Miguel nĂŁo pode falar assim, explica ao Pai, mas o Pai concorda com o irmĂŁo, sĂł que Ă© mais diplomĂĄtico. Conto com a tua ajuda, diz, vamos ter a casa cheia e precisamos de ter os mais novos ocupados. Precisamos de relaxar, de conversar, compreendes? O Matias acena que sim. começa a dar ordens ao Edgar, arruma a mesa ali ao canto, pĂ”e os puffs aqui, o tapete no meio, ordena. E tu nĂŁo ajudas? protesta o Edgar, nĂŁo, InĂȘs, dĂĄ cĂĄ isso, mas a irmĂŁ ri e esconde-se no meio dos cortinados. O Edgar persegue-a, mas a InĂȘs jĂĄ aperfeiçoou o mĂ©todo de fuga e Ă© a muito custo que o irmĂŁo recupera a almofada. Anda lĂĄ, Edgar, estĂĄs a ficar atrasado, diz o Matias, mas o Edgar estĂĄ a ficar f...

A NOVA LOUCURA DA LAURA FIM

  O que Ă© que vai acontecer agora? pergunta a Teresa quando sabe da histĂłria, preocupada com o AntĂłnio que estĂĄ hĂĄ imenso tempo ao telefone com os Pais. A Carolina suspira, nunca tive problemas com os vizinhos, desabafa, e agora tenho que pedir desculpa a todos e tudo por causa da loucura da Laura! Todos estĂŁo magoados, a brincadeira do Matias nĂŁo foi bem recebida e o Pai deu-lhe um sermĂŁo tĂŁo forte que o rapaz fez um esforço enorme para nĂŁo ceder Ă  vontade de chorar. Quanto Ă  Laura, recusa a falar com os Pais, mesmo com o mĂ©dico sobre o assunto e o advogado que consultou recusa-se a avançar com o caso. A Laura acusa o Pai de ter interferido no assunto, hĂĄ uma violenta discussĂŁo que termina com a Laura a sair de casa sem dizer para onde vai. NĂŁo atende o telemĂłvel, os Pais telefonam aos filhos, preocupados e o Pedro volta a avisar o infantĂĄrio para nĂŁo deixarem o filho sozinho, nĂŁo vĂĄ a louca da ex-mulher tentar raptĂĄ-lo. Que disparate! protesta a Beatriz, estĂĄs a fazer uma tempest...

A NOVA LOUCURA DA LAURA PARTE V

  O fim de semana nĂŁo Ă© fĂĄcil, o Miguel desconfia daquela senhora que estĂĄ sempre a dizer, sou a tua mamĂŁ. Esconde-se por trĂĄs dos avĂŽs, conhece-os bem e adora andar com o TomĂĄs, o jardineiro, a regar as plantas. Fica todo molhado, a avĂł ralha, mas ele fica feliz e a senhora tambĂ©m ri, mas o Miguel nĂŁo gosta dela. HĂĄ qualquer coisa que nĂŁo lhe agrada, ri-se, fala muito e por isso, Ă© um alĂ­vio quando o levam de volta para a cidade. O Pai disse-lhe que tem uma irmĂŁ, o Miguel fica um pouco aborrecido, uma intrusa, confessa Ă  InĂȘs e Ă  Sofia, mas estas riem-se. É bom termos irmĂŁos, dizem, o Matias e o Edgar pensam que mandam em mim, mas sou eu quem dĂĄ as ordens, conta a InĂȘs e a Sofia ri-se, o Gonçalo nem se atreve a desobedecer-me! Nessa noite, a Maria Rosa começa a chorar e o Miguel ordena que se cale, mas a irmĂŁ grita ainda mais alto. Que estranho, pensa o Miguel, as primas disseram que ela obedecia! e abana a cabeça, vĂĄ lĂĄ uma pessoa entender os outros! Entretanto, o mĂ©dico da Laura...

A NOVA LOUCURA DA LAURA PARTE IV

  E foi isto o que se passou, conta o Pedro sentado no sofĂĄ da irmĂŁ com uma cerveja na mĂŁo. As irmĂŁs e os cunhados bem como o Beatriz nĂŁo sabem o que dizer, a situação Ă© complicada, nĂŁo vai ser fĂĄcil lidar com a Laura e as idiotices. E, o mĂ©dico? interrompe a Teresa, o que Ă© que o mĂ©dico diz? mas o Pedro nĂŁo conseguiu falar com o mĂ©dico, estĂĄ de fĂ©rias, explica, deixei mensagem, pedi para me ligar logo que possĂ­vel. AmanhĂŁ tens que falar com o teu advogado, aconselha o Gustavo e a Carolina concorda, ele tem que estar a par de tudo, para agir caso seja necessĂĄrio. NĂŁo vamos pensar no pior, diz o AntĂłnio muito sĂ©rio e tanto a Carolina e o marido suspiram, um pouco embaraçados. Desculpa, a Laura Ă© tua irmĂŁ, e a Carolina pousa uma mĂŁo no braço do cunhado. O AntĂłnio sorri, um pouco triste, eu sei que ela Ă© complicada, mas Ă© minha irmĂŁ! Vou falar com os meus Pais, devem estar abalados com tudo isto! observa e saĂ­ da sala. A Teresa levanta-se, dĂĄ um abraço ao irmĂŁo e segue-o. Fui um pouco...

A NOVA LOUCURA DA LAURA PARTE III

A sogra fez-lhe os pratos favoritos, o Pai escolheu um vinho Ăłptimo e a Laura parece estar bem comportada. O almoço Ă© agradĂĄvel atĂ© a Laura falar do Miguel, estĂĄ na altura de estabelecer uma relação comigo, mal me conhece, diz. A culpa Ă© tua, intervĂ©m a MĂŁe, escondias-te no quarto quando ele estava cĂĄ, mostravas-te tĂŁo distante, tĂŁo seca que ele ficava nervoso e começava a chorar! Mas tem que aprender a gostar de mim, insiste a Laura, Ă© por isso que tem que ficar comigo uns tempos!  Acabar com este absurdo de sĂł o visitar em dias marcados e na presença de alguĂ©m escolhido pelo Pedro! Mas, para isso, tens que me provar que estĂĄs capaz, explica o Pedro, capaz de lidar com ele, de nĂŁo teres uma crise na frente dele... Longe de mim afastar o meu filho da MĂŁe, mas tenho que ter a certeza de que ele estĂĄ em boas mĂŁos. Claro que estĂĄ! e a Laura exalta-se, eu sou a MĂŁe dele! Mas onde Ă© que estiveste estes dois Ășltimos  dois anos? pergunta o Pedro friamente, nĂŁo foi nada fĂĄcil gerir a ...

A NOVA LOUCURA DA LAURA PARTE II

  O AntĂłnio suspira, nĂŁo sei o que te dizer, confessa, para todos os efeitos, ela estĂĄ bem. Voltou a interessar-se pelo trabalho, o Pai diz que tem umas Ăłptimas ideias, tem que a refrear um pouco, mas fora isso... O Miguel nĂŁo Ă© mais um projecto que tem que resultar, Ă© disso que tenho medo, responde o Pedro, tenho que pensar no bem-estar do miĂșdo, ele fica retraĂ­do na presença dela, nĂŁo confia nela! SĂł tens que fazer o que lhe disseste, diz o irmĂŁo da Laura, conversa com o mĂ©dico, com os meus Pais e depois... tomas uma decisĂŁo. Entretanto, quer ela queira ou nĂŁo, vĂȘ o Miguel na tua presença ou na dos meus Pais. É a vez do Pedro suspirar, nĂŁo devia ter pensado que a vida estava em ordem, mas a Beatriz acha que Ă© um perfeito disparate. Tens que pensar que Ă© um acidente de percurso e encontrar uma forma viĂĄvel de o resolver, comenta, nĂŁo podes deixar que as loucuras, chamemos-lhe assim, da tua ex-mulher comandem a tua vida! Nem a do teu filho! E se ele me odiar porque o afastei da MĂŁe...

A NOVA LOUCURA DA LAURA

  A Laura estĂĄ diferente. EstĂĄ mais magra, o corte de cabelo Ă© moderno e resolveu adoptar o estilo da cunhada Teresa, boĂ©mio mas chique. O Pedro ficou surpreendido quando ela ligou e pediu para se encontrarem. Podes vir cĂĄ a casa, diz, vĂȘs o Miguel, conheces a Beatriz, mas a Laura recusa. EntĂŁo, o que se passa? pergunta o Pedro quando o empregado se afasta e a Laura sorri. Quero falar sobre o Miguel, responde, quero passar mais tempo com ele, se possĂ­vel, atĂ© partilhar a custĂłdia. Calma! aconselha o Pedro, temos que discutir o assunto com calma, hĂĄ muitos pormenores a esclarecer. NĂŁo hĂĄ nada a esclarecer! comenta a Laura, estou melhor e quero estar com o meu filho! Ou vais negar-me isso? NĂŁo, nĂŁo vou negar nada! observa o Pedro, mas nĂŁo basta chegar aqui, quero ver o meu filho e quero vĂȘ-lo jĂĄ, nĂŁo funciona! Quero saber o que o teu mĂ©dico pensa acerca do assunto. O meu mĂ©dico Ă© um idiota, interrompe a Laura, e os meus Pais tambĂ©m! Acham que sou incapaz de tomar conta de um miĂșdo! U...

A CONVERSA FIM

  Mais tarde, todos comentam que o motivo para o divĂłrcio Ă© pouco convincente, pois sempre pareceram se felizes juntos. Mas a LuĂ­sa tem medo, nĂŁo quer assistir Ă  derrota, explica, o que enfurece o Gustavo, pois "esperava maior apoio por parte de alguĂ©m que aceitou compartilhar a minha vida". A discussĂŁo Ă© acesa por causa da guarda do Tobias, mas o juiz nĂŁo aceita as alegaçÔes da LuĂ­sa e a custĂłdia Ă© partilhada. Abrem, finalmente a empresa, a Rita e o Gonçalo encarregam-se da publicidade, o Bernardo jĂĄ tem dois clientes interessados e os dois amigos empenham-se ao mĂĄximo. Claro que nĂŁo Ă© fĂĄcil, Ă s vezes, o Gustavo sente-se desanimado, pensa constantemente se terĂĄ sido a melhor opção, mas a Rita continua a incentivĂĄ-lo, estas coisas demoram tempo, diz. AtĂ© ao dia em que um antigo colega os contacta, a empresa dele precisa de ajuda na reestruturação de um departamento. Estamos a ter prejuĂ­zo, explica, nĂŁo hĂĄ coerĂȘncia, nĂŁo hĂĄ diĂĄlogo e hĂĄ pessoas que pedem transferĂȘncia para out...

A CONVERSA PARTE V

  O Gonçalo e o Bernardo ficam calados, embaraçados pela discussĂŁo e a Rita decide intervir, vocĂȘs acabam de jantar e discutir o que hĂĄ a discutir, diz, eu e a LuĂ­sa vamos conversar para a cozinha. Na cozinha, a LuĂ­sa desabafa, que tem medo que as coisas corram mal, que a situação da empresa dela Ă© delicada, Ă© possĂ­vel que haja despedimentos colectivos, acrescenta, o que vamos fazer com uma casa a pagar e um bebĂ©? Viver, nĂŁo estĂŁo sozinhos no Mundo! observa a Rita, começa tu tambĂ©m a procurar um novo emprego. Quanto ao Gustavo, Ă© hora de arriscar; serĂĄs mais feliz se o deixares ir atrĂĄs do sonho dele do que viver com um homem frustrado! O vosso casamento ainda acaba em divĂłrcio! Mas, se nĂŁo resultar? insiste a LuĂ­sa, nĂŁo sou tĂŁo optimista como tu, Rita, tenho medo! Todos temos medo, continua a Rita, nĂŁo foi fĂĄcil para mim e para o Gonçalo, trabalhamos e muito para conseguir chegar atĂ© aqui! HĂĄ muita coisa a fazer antes de dar o passo final, sei que Ă© assustador, repete, mas tens qu...

A CONVERSA PARTE IV

  A irmĂŁ do Bernardo nasce de madrugada, Ă© um alĂ­vio para o Pai e para o irmĂŁo. HĂĄ agora um grande problema, porque o Pai gosta de Sofia e a AĂ­da prefere Madalena. És tu quem vai decidir, diz o Pai enquanto tomam o pequeno almoço numa confeitaria perto do Hospital, eu e a tua MĂŁe nĂŁo estamos de acordo. O Bernardo ri-se, sĂł tenho duas opçÔes, comenta, ou fica Sofia Madalena ou escolho um nome completamente diferente. Que tal Mafalda? A Mafalda e a MĂŁe regressam a casa uns dias depois e a confusĂŁo Ă© tanta que o Bernardo nem tem tempo para falar com o Gustavo sobre a ideia de abrirem uma empresa juntos. Mas o Gustavo tem pensado, nĂŁo estĂĄ nada satisfeito com o trabalho que estĂĄ a desenvolver na empresa, o que foi discutido na entrevista de admissĂŁo estĂĄ sempre a ser adiado e ele sente-se encurralado. Por isso, telefona Ă  tia, podem reunir-se um dia destes? Eu e o Bernardo temos um projecto e gostarĂ­amos de falar convosco, explica. A Rita fica curiosa, venham cĂĄ jantar, tu, o Bernardo ...

A CONVERSA PARTE III

  O que queres dizer? questiona o Gustavo, curioso e o Bernardo suspira, faz sinal que se vai servir de mais cafĂ©. Gosto de pegar, digamos assim, num departamento, numa secção, reorganizar, definir prioridades, objectivos, treinar as pessoas para que tudo funcione como uma MĂĄquina bem oleada e depois sair, explica o Bernardo, repetir o processo noutra empresa. O Gustavo fica pensativo, Ă© uma ideia interessante, gostas de ser consultor? Estudas a empresa, os problemas com que se debate e encontras uma solução? Sim, tenho pensado em abrir uma empresa de consultadoria e fazer o que descreveste, confirma o Bernardo, sĂł nĂŁo tenho capital suficiente e preciso de um sĂłcio. EstĂĄs a pensar em mim? interrompe o Gustavo, oh, pĂĄ, eu tambĂ©m nĂŁo tenho dinheiro e fui pai hĂĄ pouco tempo. Tenho outras coisas a considerar! afirma. Eu sei, diz o Bernardo, mas podes pensar no assunto? Claro que temos muito que considerar, acho que uma das primeiras coisas a fazer Ă© falar com a Rita e o Gonçalo. Eles a...

A CONVERSA PARTE II

  O Pai do Tobias tambĂ©m nĂŁo fica satisfeito quando a MĂŁe entra na sala e o chama baixinho. JĂĄ nĂŁo estĂĄ a dormir, estĂĄ apenas confortĂĄvel com os olhos fechados, a gozar o silĂȘncio. Às vezes, o Tobias parece ter prazer em os deixar acordados a noite inteira, jĂĄ tentaram deixĂĄ-lo gritar, se ninguĂ©m aparecer, ele cala-se, sugeriu o Gustavo, mas o Tobias ainda gritou mais alto e sĂł sossegou quando a LuĂ­sa voltou a entrar no quarto. Mas o que Ă© que o Bernardo quer? protesta quando saĂ­ para o corredor, oh, filho, nĂŁo sei, responde a MĂŁe, parece estar muito agitado, vai conversar com ele. No quarto da Clarinha, o Bernardo organizou um jogo, o Tobias estĂĄ a rir-se feliz e a Clarinha jĂĄ nĂŁo tem aquele ar de amuada que irrita os irmĂŁos. O Bernardo faz sinal de STOP quando vĂȘ o Gustavo entrar e levanta-se. Oh, pĂĄ, desculpa incomodar-te num domingo, mas preciso de falar contigo, explica, nĂŁo hĂĄ problema, vamos conversar para a cozinha, comenta, a LuĂ­sa estĂĄ a dormir na sala. NĂŁo Ă© justo, decla...

A CONVERSA

A LuĂ­sa e o Gustavo nĂŁo sabem como a Clarinha consegue acalmar o Tobias. Os dois adoram-se, Ă© visĂ­vel, o Tobias fica positivamente louco quando vĂȘ a Clarinha e esta, sempre tĂŁo inquieta e rebelde, passa horas a brincar com ele. A Madalena ri-se, a Clarinha sente-se um pouco a mĂŁe dele, ter um bebĂ© a sĂ©rio para cuidar enche-a de orgulho, diz. Por isso, naquele domingo, depois do almoço, os dois rendem-se ao cansaço e adormecem. A Clarinha instala-se com o Tobias no quarto e a Madalena tambĂ©m se senta lĂĄ. Os dois estĂŁo sentados no chĂŁo, a Clarinha tenta explicar-lhe o jogo, mas o Tobias acha mais graça atirar as peças ao ar e ver onde elas caem. NĂŁo Ă© isso, Tobias, tens que as colocar aqui, protesta a Clarinha, mas o Tobias ri-se e atira a peça contra a parede mais prĂłxima. Oh, Clarinha, ele sĂł tem seis meses, explica a MĂŁe, ele nĂŁo entende o que sĂŁo regras e afins. Organiza um espectĂĄculo de circo com os peluches, mas a filha estĂĄ jĂĄ amuada. NĂŁo, Clarinha, nĂŁo vais ficar amuada, observa...

O REGRESSO FIM

  Por isso, relaxa, continua o Major. prova que tens capacidade para desempenhares as funçÔes que te propuseram. E, deixa a vida seguir o rumo... NĂŁo quero com isto dizer, acrescenta, que nĂŁo lutes, que nĂŁo sejas ambicioso, mas nĂŁo sejas demasiado! Nunca tinha analisado a situação desse prisma! confessa o Bernardo, tem toda a razĂŁo, Ă© melhor esperar e ver o que acontece. Ora bem, concorda o Major, agora que jĂĄ discutimos este assunto, vamos passar ao prĂłximo? Quero organizar um jogo de futebol com os miĂșdos. Os Ășnicos que ficaram de fora sĂŁo a Francisca e o filho do Gustavo. Eu sou o ĂĄrbitro, tu e a Clarinha os fiscais de linha. O Bernardo começa a rir-se, mas acaba por concordar e discutem todos os pormenores. O jogo fica marcado para sĂĄbado, as famĂ­lias comparecem em peso e o Matias e o Edgar apresentam-se como massagista e enfermeiro respectivamente. É um verdadeiro sucesso, o AntĂłnio fica orgulhoso do filho e a Sofia chora quando a bola lhe bate nas pernas. Ao fim da tarde, vol...

O REGRESSO PARTE IV

  TĂŁo tarde, meu filho, queixa-se a AĂ­da, tens que descansar um pouco, tens que te habituar a outros horĂĄrios, a outro ritmo de vida, deviam ter dado uns dias de fĂ©rias. O Bernardo e o Pai riem-se e nesse fim de semana, o Bernardo decide ver uns apartamentos. Encontra um interessante, num bairro novo. NĂŁo Ă© muito longe do escritĂłrio e tambĂ©m fica relativamente perto da  casa MĂŁe. A renda nĂŁo Ă© muito alta, a cozinha estĂĄ toda equipada e por isso, o Bernardo assina o contrato. A AĂ­da fica um pouco contrariada, pensei que ficavas mais algum tempo connosco, diz e o Pai sussurra, nĂŁo te preocupes, Ă© das hormonas! A irmĂŁ da Teresa, a Carolina, vai vender a casa da praia e deixa-o ir ver a mobĂ­lia. Talvez encontres alguma coisa que te agrade, nĂŁo a vou vender com a casa, explica e o Bernardo passa lĂĄ o fim de semana a escolher mĂłveis. Fica com o sofĂĄ, o tapete e a mesa que estĂŁo na sala de estar, a mobĂ­lia de um dos quartos e tem pena que a estante esteja embutida, porque ficaria mui...