quinta-feira, abril 28, 2005

Prémio Nobel do Amor

Eu estava grávida de 7 meses. Passeávamos as duas, junto ao Rio e falávamos de Amor. Eu dizia-lhe que o Amor, entre duas pessoas - falamos do Amor Par/conjugal - é um bem raro, precioso e escasso e não acontece a todas as pessoas. Existem pessoas que conseguem essa proeza, mas não está ao alcance de todos.

Encontrar a pessoa certa, no momento certo, no local certo, é obra. Mas evoluir no mesmo sentido durante anos, mantendo, cuidando e alimentando um Amor, é uma conquista digna de um Prémio Nobel.

Ela ficou boquiaberta a olhar o meu barrigão e o meu sorriso calmo e descontraído. Adivinhei-a pelo olhar e respondi; “Não perguntes, que eu não quero responder!“ E ela não perguntou… e eu não precisei de responder.

A mim, a vida presenteou-me com mais do que um Amor. Inclusive duas vezes um desses Amores, mas não consigo deixar de acreditar, que o Amor vivido tem um prazo de validade, mais ou menos curto ou longo. Mas, que acaba por expirar.

Ficam-me cravadas na alma, as alegrias, no coração as tristezas e no sorriso as memórias Boas dos Amores vividos, partilhados, com principio, meio e fim.

Algures em mim, fica ainda, apesar dos brancos, que tento esconder, a esperança, de ser uma das privilegiadas nesta vida e de no fim da minha vida, me atribuir a mim mesma um Nobel.

O Prémio Nobel do Amor.

Flores

Entre rosas e cravos, a paixão pelo sentimento ligado às cores de fogo, não me largam, não me deixam. Ficam em mim, presas no espaço livre, que a Natureza, me deu. Onde o Amor e o êxtase se intercalam juntos e separados, entre o desejo de te Amar e o oposto que te expele, repele repetida e continuamente.

Ficas, o tempo, que o prazer te permite Amar-me e vais quando te cansas deste desejo repelente, das trocas de tudo a que nos damos.

Entre o vermelho e todas as outras cores ligadas a uma paixão, em que me vês verde. Ressaltam os lábios mais vermelhos que nunca, mais lisos que nunca de tanto que te beijo, querendo-te, naqueles momentos mágicos que nos olhamos, sem percebermos, os corpos juntos, que Amam com a alma.

Sem espaço, nem tempo. Num presente, que um dia já foi, que será sempre. Mas, não tem tempo no presente, por falta dele, com o excesso do mesmo.

Entre rosas brancas e cravos vermelhos, as nossas flores misturam-se, com os nossos tons, mais ou menos transparentes, que nos cegam e nos lêm, como tu, nem ninguém.

Todas as ligações do meu corpo com o exterior, te vão esquecendo à medida, que ficas longe e o espaço livre, que mantenho, estreita-se torna-se mais pequeno… nesta elasticidade de sentimentos e paixões, presos na vontade de Amar e ser Amado.

And I feel like dancing, dancing, dancing in the wind…

quarta-feira, abril 27, 2005

Presente

Acabaste mesmo por vir. Sem eu esperar, embora o desejasse, te desejasse, sempre.
Foi bom, o presente que me ofereceste, naquele presente que já passou, mas que se mantém sempre desejado, em todos os momentos, que te desejo presente e não estás.

A pouco e pouco e sem eu perceber, nem como nem porquê, muito menos por quanto tempo; estás. Num presente, que se vai fazendo, quando se pode fazer, sem evitar a ausência de tantos presentes, que te queria dar, oferecer, contigo partilhar.

Boa, esta calma de espirito, que se faz com a tua presença, como a peça que me faltava para me equilibrar, não sei bem, se corpo, se alma, se vida, se amor, ou se simplesmente a tua falta, dentro do meu Eu, do meu Ser da minha essência, que um dia fiseste tua. Não sei.

Sei que te sorrio e te desejo e te sinto bem, comigo e em mim, bem perto, tão longe. Sei que te sinto sorrir, quando não o queres fazer e que foges de mim, sem querer, querendo-me, ou não... Sabes tu? Eu não!

Mas, estás, finalmente não foges... E eu descanso, deste ano cansado de tanto correr atrás de ti, que não tenho, mas não foges. Estás, mesmo que não estejas, ficas...

E eu descanso, sorrio e danço, danço, danço...

terça-feira, abril 26, 2005

Do contra

25 de Abril de 1974

Completava 6 anos.
Era a primeira vez, que a minha mãe, me enviava um bolo para a escola, que acabou por não ir…
O meu pai, foi trabalhar, como sempre.
O meu irmão, então com 4 anos, sofria de uma doença, que lhe provocou a perda do andar. Lembro-me de ver os militares, na linha do comboio, que se via da janela do nosso quarto.
Estendemos uma toalha branca no chão e fizemos um lanche.
O meu irmão, também não se podia sentar.
Festejar o nosso aniversário num dia feriado é um privilégio. Podemos passá-lo, com família e amigos, descansada e relaxadamente.

Devo dizer, que me incomoda está cena do 25 de Abril sempre, ou a cultura do cravo vermelho, ou uma luta contra os carrascos e opressores… que hoje elegemos, democraticamente. Mas, que a maioria das pessoas, se esquece de o fazer…

Gosto de dizer, o que me apetece, quando me apetece e como me apetece.
Esforço-me por ter cuidado com o que digo e como o digo, por uma questão de respeito pelos outros.

Passo, pelos meus blogues favoritos e é vermelho, por todo o lado. Adoro o vermelho e o clube é o Benfica… Mas irrita-me este exagero…

Claro, que o facto de eu poder dizer, o que me apetece é fantástico. Esta é a prova disso.
Mas, existe muito mais na liberdade do que eleições com trinta e tal por cento de abstenções, porque ir à praia é mais cómodo e agradável.
Muito mais do que partir do princípio que a opressão acabou, quer seja de empregadores ou empregados, quando o nosso estado “livre” dá trabalho a milhares de pessoas, a recibo verde durante anos. Ou gestores de empresas públicas (nossas, portanto) a ganhar milhares de contos por mês, livre e democraticamente.
Eu, o “povo” continuar a ter medo e sujeitar-se a horas de espera numa urgência hospitalar, ou morrer aos 60 anos, porque um hospital distrital não tem um ventilador… Mas, ninguém reclama, ninguém exerce o seu direito, ninguém tem a noção do seu direito. Continuamos calados a aceitar “livremente” as faltas de respeito institucionais, enquanto os nosso libertadores, têm hospitais só para si (pagos por nós), supermercados, só para si, reformas só para si… em nome da liberdade e da igualdade entre todos… connosco a pagar é claro…

Não vejo televisão neste dia; altera-me o espírito, irrito-me realmente.

Talvez, se possa ensinar que a Liberdade conquistada há 31 anos, atrás, envolve muito mais que cantigas … e que esse 25 de Abril, que nos mostram, não é nosso o da maioria, mas de outra minoria, agora privilegiada, em nome da liberdade.

Liberdade sempre, para sempre, sem tempo e com respeito, mas esclarecida. Podemos sempre, fazer a revolução pelo respeito da liberdade. Pelo respeito de homens como Salgueiro Maia, que o fizeram de alma, com fé e risco… e não dos que vivem , à custa da sua coragem.

E não me peçam, que me cale, porque é por isso que houve uma revolução... porque nem todos, pensamos igual.

sexta-feira, abril 22, 2005

Adeus

Ela, disse-nos, um mais ou menos Adeus e eu fiquei sem palavras.

Ela, foi o primeiro blogue, que eu comecei a ler. A gostar. De certo modo, o facto de A ler, mostrou-me que este espaço, poderia servir para isso mesmo; Escrever sobre nós. Sobre o que nos apetecia, ou não.

A pouco e pouco, fui lendo outros blogues. Através do dela, acabei por linkar os que mais me agradam. Os relacionamentos, foram-se estreitando, com outras pessoas e com ela não. Por nada, por razão nenhuma. Gosto de a ler diariamente, quase que para saber, como está. E depois desenvolvem-se uns sentimentos fantásticos de ... nunca mais se livra da tese... ou ... ai a Miosótis e o Pluto...

O texto, que algures no Verão, escreveu para A Mãe, num dia em que eu deveria já ter partido de férias e em que me emocionei e chorei a bom chorar, com tanta capacidade de escrever emoções...

Quando comecei eu a dar rostos, a nicks, fiquei meia perdida, sobre o que iria escrever... Diz a Cris, que por vezes, não me comenta, porque não pode encher a boca com o meu nome... e eu delicio-me com isso...

Acabei por transportar alguns contactos daqui, para este lado e o telefone, passou a ser o meio priveligiado de contacto, de conversa. Excepção feita ao rosto mais recente, que nos mantemos nos mails, mas vemo-nos, com mais frequência, devido à proximidade geográfica.

Pela amizade e carinho estabelecidos, com algumas pessoas, retiro os comentários em alguns dos meus desabafos...

O titulo do meu Blogue é "Sem limites, nem medos", por mais que eles se atirem, para a minha frente e por mais que os medos, me passem pela cabeça... por mais, que pense que vão ficar a pensar isto ou aquilo...

Não quero deixar de acreditar que, este espaço é como a Muito Mais diz o meu saco de boxe e ao mesmo tempo o meu espelho.

Outros blogues existiram, que me deixaram imensa saudade. Elas, ou desapareceram ou fecharam o blogue e como não disseram Adeus, achei que nem e-mail, lhes deveria mandar para respeitar a sua decisão.

Estranha esta sensação... de se sentir saudade de alguém que se aprendeu a gostar, e um modo tão espontâneo e de quem não fica uma memória visual.

Beijos minha Querida, às duas.

Sabia que não vinhas. Tinha a certeza, que não vinhas. Mas é mais ou menos como a morte. Por mais que se pense que se está preparado, nunca se está… E afinal, mais uma vez eu não estava. Eu não estava.

quarta-feira, abril 20, 2005

Amor, sem vista.

É bom poder dizer que te Amo.
Que te Gosto.
Que fico morta de saudades, quando estamos assim duas semanas seguidas, sem falarmos, sem te ouvir a voz. Sem me rir contigo.
É bom ouvir-te dizer que me Amas.

E é muito Bom, este Amor, não material, virtual, mas tão próximo e real. Estas partilhas, que só nós fazemos, temos e conseguimos, à nossa moda, do nosso jeito.

E depois quando passa este tempo, fico realmente com saudades dos abraços, que não conhecemos, dos beijos, dos olhos, das vozes, sem telefone. Saudades, delas, dos cheiros, das cores, dos sons. Saudades, do que Amo, sem conhecer a forma...

Montanha Russa

Hoje estamos, lá em cima.
Equilibrados.
Juntos.
Agarrados.
E eu sinto-me mesmo a rainha da bolacha...
Vamos ver amanhã!
Hoje... é Bom!

terça-feira, abril 19, 2005

Intervalo

Toca o meu telefone e eu atendo...
- Estou sim Boa tarde.
- Olá! Ainda não tenho, o que me pediu.
- Eu sei é 5ª ou 6ª feira. Diga. Alguma dúvida?
- Não! Tenho aqui um problema (etc. etc., 2 minutos de conversa)
- Sr.X., não me diga que me telefonou, para me contar isso.
- Um homem, também se passa!
- Está bem! (Entre risos e gargalhadas, bem sonoras) A sério? telefonou, mesmo para desabafar?
- Ai desculpe, mas um homem também se passa.
- Está bem, então até amanhã (entre risos, imensos risos)

Mas, não é que me soube bem! Soube pois.
Andamos sempre às turras e ele pegou, num problema, que se poderia ligar a mim e telefonou, para desabafar, sem motivo, só para deixar sair.

Lugar marcado

Não gosto de não saber, onde estou.

Posso estar empoleirada, ali em cima do mastro do barco, mais pequeno do porto. Mas, estou lá, não na planicie alentejana, ou em cima da ponte, ou no cume da montanha.

Gosto de saber onde estou.

E não sei onde estou.

E isso mata-me!

Esfoliante

Mudo de pele de rosto, de tanto mimo, de tanto beijo. Do desejo, desejado. Querido.
Gostava de mudar de pele. De vestir outra.
De ter uma pele nova. De me sentir, renascida, fresca.
De retirar a velha onde tu te colaste e seguir sem ti, andar, evoluir.

Mas, sinto-me presa, agarrada, deslivre, com um peso às costas, que não me deixa caminhar, mas sem ele, me desequilibro e não sigo na mesma... E repito vezes sem conta...

Não, quero isto. Eu não quero isto. Eu não preciso disto. Tu, não precisas disto. Eu não mereço isto... Mas, não me livro, desta pele, que se colou à minha, deste sabor, que mantenho, deste cheiro que me altera, desta merda destes momentos mágicos, que me sufocam.

Sob protesto e contra-gosto.

Um dia, eu liberto-me disto.

Nunca entendi, porque é que as pessoas, são maltratadas, por quem amam e não se piram. Não entendo, porque é que as pessoas, aceitam nada, quando merecem tudo! Nunca percebi, como é que as pessoas se humilham, em Nome de um Amor, que NÃO É. Que pode ser paranóia, doença, dependência, obcessão, mas NÃO É AMOR. E se sujeitam, a desamores e utilizações e a uma dependência estupida em pessoas, que até não são burras.
O desamor em troca, do Amor dito e não vivido e não Amado.
A humilhação, em troca, de um mimo esporádico, que serve de cenoura ao Burro.
O empatanço, de quem gosta de possuir e não entende, que o respeito pelo outro pode ser uma forma de Amor próprio. Quem quer que seja o outro!

Enfim...

Um dia, eu liberto-me disto. Deixo-me disto. De correr atrás de um nada, de que não me livro. Porque Eu não quero... Porque sou eu a culpada de andar atrás do desmerecimento.

Racional... racionalissima...
Bem, pelo menos não me auto-engano.
Já deixei de acreditar que é Amor...
Pode ser que esteja no bom caminho... até à próxima vez.

É bem feito, para não teres a mania que és a Rainha da Bolacha.

segunda-feira, abril 18, 2005

A casa do pai

Pela primeira vez, desde há 2 anos e meio, fui levar o meu filho, à casa do pai. Significa que não o fui levar à casa da avó e do avô, mas à casa do pai.

A excitação era imensa, minha e dele.

Apesar do Besnico conhecer bem a casa, eu nunca o tinha levado lá, e ele nunca tinha dormido lá. (Nem eu)

Não me cansei de elogiar a casa (que não conhecia). Cheia de luz, áreas boas, espaço e conforto. Aliás, com cortinados e candeeiros em todas as divisões, algo, que não acontece lá em casa…

Vim de lá inchada e orgulhosa. Sempre achei que o pai só se mudaria lá para casa, quando tivesse namorada/empregada doméstica… procurei os sinais exteriores de algum tipo de presença feminina, abri armários (para ver, a arrumação). O pai, fez questão de me mostrar outros e não dei realmente, porque fosse assim…

Fiquei satisfeita de me ter enganado e do pai, me ter surpreendido pela positiva. Gosto de os ver juntos. Da alegria espelhada no rosto dos dois. E dos ver, numa casa com 2 homens… e me rir de imaginar a bagunça, em que deve ter ficado, ontem.

De finalmente achar, que com um espaço deles, a cumplicidade se estreitará, sem divisões entre avó e avô… e a casa deles.

Pode ser que agora, o pai, possa passar mais tempo, com o seu filho.

Neste momento, estamos em Paz… e isso descansa-me o sono.

quinta-feira, abril 14, 2005

Irresistivel

Tu desculpa, mas achei a ideia, fantástica e copiei-te...

Mas, nada!
Não tive direito a nadinha... nadica de nada...
Nem sequer um ponto de interrogação...

Bem me quer, mal me quer...
Muito, Pouco ou NADA!
rrrsssstttt

______________________________

Depois de almoço;
:-)
Tásse, Bem!

Gosto de ti!

Carla leio-te diariamente.

E raramente - acho mesmo que só o fiz uma vez – te comento.

Não sei porque é que não me saem as palavras, para te comentar. Mas, nunca sei o que te dizer. Depois, sei que me lês. Vens cá, Partilhas-te comigo.

De algum modo eu aprendi a gostar de ti.

Existe algo, no que tu escreves que é meu. Mas, és tu, quem o consegue deixar sair. E eu ao reconhecer-me tantas vezes, assusto-me.

Não sabia bem, como te dizer.

Aqui fica. Beijo.

sexta-feira, abril 08, 2005

Só para dizer que...

Apetece-me escrever sobre ti.
Dizer, que te Amo.
Escrever, que me divertes.
Fingir, que choro.
Receber o teu abraço, forte, forte.
Os teus beijos, que só Tu consegues ritualizar...

Há dias, em que andas por aqui aos saltos, como que a querer dizer-me alguma coisa...
Mas, eu não oiço nada.

Gosto de acordar e te ver ali, logo ao meu lado.
Ouvir-te chamares por mim...
Fingir, que não oiço nada, mas chegar-me a ti.
Depois agarro-te aos beijos e beijos e mais beijos...
Pequeninos e silenciosso se a meio da noite e devolvo-te à tua cama...

Sonoros e barulhentos, repenicados e esfregados, se de manhã...
E suplico-te, especialmente ao sábado...

"Filho, só mais meia-horinha... se faz favor, filho..."
"Mãe, já tá de dia.... acóda... Mãe! Mãe! Mãe, Mãe!"

A minha (Mãe) reclamava que nós lhe gastávamos o nome...
Ao inicio eu achei, que ela não sabia valorizar, essa palavra mágica...

Hoje, sou eu... A achar o mesmo.

Ainda Assim, apetecia-me, dizer que te Amo.
Embora te o diga todos os dias e tu a mim.

Até já Besnico lindo!

Enrolados

quinta-feira, abril 07, 2005

Ideias

São o que valem e por aquilo que valem.
Não valem nada.
Só se aplicadas e vividas é que se fazem em algo, nalguma coisa. Concreta ou não.
Muitas ideias juntas podem valer, uma teoria. Que vale o que vale, nada.
As teorias, só valem se aplicadas. Se feitas de forças, de vontades, de Paixões e Amores. De acreditares, falsos ou verdadeiros.
Hoje, não sei o que é que acho mais importante.
Se acreditar em algo, mesmo que em mentiras, ou não acreditar em nada.

Nahhh, é muito mais interessante acreditar, nem que seja em nada de concreto. Só em ideias, destas que Partilho por aqui.

quarta-feira, abril 06, 2005

Rainha da bolacha

Sempre soube, que eram migalhas, que me davas. E aceitei-as.
O meu tamanho era tão pequeno, que transformei cada uma das migalhas, num bolo gigante disforme. E cada uma dessas migalhas feitas bolo, eu admirava, como um bolo lindo, cheio do que queria.
Depois, a auto-estima, foi crescendo, subindo devagar.
Ao assumir-me, na Merda, vieram as pessoas, que me amam. Outras sem saberem, nem imaginarem, vieram também.
E de repente, cada uma das tuas migalhas, assumiu a sua real forma. Mas, eu tinha-as visto bolos… não poderiam ser migalhas…
Mas vieram mais mimos e mais mimos.
E eu agigantei-me cheia de carinho, de Amizade, de respeito.
E de repente, tudo assumiu a sua real forma.

Eu rainha da bolacha, ou tenho o Bolo todo. Seja de que forma, tamanho, sabor ou cheiro… Ou então escolho salgados. Não me dêm migalhas…
Claro, que de vez em quando dão-me cada pisadela, que me esborracho toda. Mas, recupero a forma, com mais ingredientes e fico ainda mais apetitosa.

Sais se faz favor?

Como podes imaginar, tenho imensa coisa, que me apetece escrever aqui.
Ou pelo menos alguma... Uma frase ou duas... Enfim o que seja...
Mas, contigo por aí... Não dá...
Importas-te de sair, se faz favor?
Falamos, noutras vias. Sem me leres, se faz favor.
Parto do principio que farás o obséquio.
Agradecida.

E a partir de amanhã, este blogue, volta a ser MEU.

terça-feira, abril 05, 2005

Respirar

Migalhas da rainha da Bolacha

Falávamos de afectos e carências.
Ela dizia-me, que eu não devia ficar sozinha. E eu respondi, que não me sentia sozinha. E fiquei a pensar nisso.
Não, realmente não estou sozinha, nem tenho motivos, para me sentir sozinha.
Mas, acho que à primeira ela acertou em cheio…
Não, não estou sozinha. Não, não sou sozinha. Mas, sinto-me sozinha, por dentro. Cá dentro. Mesmo cheia de gente à minha volta. Ou sem falta de gente.
Quando paro e me sento. É verdade, sinto-me sozinha.
Engraçado, nunca imaginei conhecer a solidão. Em especial, uma solidão acompanhada, seguida, rodeada.

Sem comentários, nem mails, nem conversas; Por Favor. Ou este espaço, deixa de fazer sentido.

segunda-feira, abril 04, 2005

Tradições nossas

Embora com algumas, muitas, reservas. Tenho um orgulho imenso, na minha terra, nas minhas raízes, na minha família, no que está em mim, sem se ver.

Além das imagens visuais dos meus avós maternos e paternos, recordo em especial os cheiros. O cheiro da casa, que normalmente mantinham fechada. A textura da camisa de flanela do avô, que visto hoje noutro tamanho ao Besnico, sempre que lá vamos… A temperatura dos homens da família de camisa de flanela aos quadrados, por cima de outra, só para “compor” e no meio deles o Besnico, orgulhoso da sua condição de próxima geração de homens fortes… Queira Deus, que na proporção certa.

Olho para eles, quando nos juntamos à mesa, nos domingos de Inverno, com o cozido, feito pelas nossas mães, já sem o cheiro da carne do porco, criado pelos avós, ou os chouriços, cujas carnes, éramos nós os meninos e meninas que cortávamos aos pedaços. Faltam sempre os avós. Mas, já há mais netos...

A mesa, já não é a mesma. Nem a loiça, nem os copos. A sala, varia entre duas casas de família, junta. Umas vezes, mais unida do que outras, mas ainda assim; a Família. Esse bem fantástico, que os homens criaram e que não é a Natureza, que nos dá. Somos Nós, que nos damos, ou trocamos, alimentamos ou destruímos, à nossa vontade.

As tradições alteraram-se, por mais que tentemos manter algumas. Já não há a panela de ferro sempre ao lume com “o comer do porco”, nem é já o meu pai quem o mata. Nem a minha mãe, quem segura o alguidar do sangue mexendo-o qual heroína… impossível de acompanhar por mim… Os cheiros, já não são os mesmos, os paladares também não.

O cheiro do porco chamuscado com caruma, ao nascer do sol. Com os tios (irmãos do avô) envergando as suas boinas e camisas de flanela, bebendo o seu copo de vinho (feito em casa), a “matar o bicho”, todos juntos, com um brilho nos olhos, a irradiar Amor, por tudo, pela família, pela vida.

Hoje, quando a carne, chega já desfeita, sem o cheiro da vida a pular, por ali ao lado, sem o cheiro da lenha a queimar, para se grelharem as primeiras febras, ou sem a arca, pronta para a salmora, o cheiro da carne morta é nauseabundo e assustador. E claro está, o sabor... não é o mesmo.

Ainda hoje se toma o pequeno-almoço na cidade, e matamos o bicho, lá. As tradições e os cheiros de há 30 anos, o Besnico, já não conhecerá. Pergunto-me, que cheiros e que cores levará a memória dele.

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Para vocês dois, Obrigada pela troca de mimos. Pela Partilha das nossas Arcas velhas, carregadas de emoções e Amor. Frescas, cheirosas e cheias de sabores, quentes de novas Amizades, feitas, com Alma.

Beijos 2. E mais alguns!

O homem perfeito

Um Homem Bom.
Um Homem diferente.
Um Homem Igual.
Um Homem conservador.
Um Homem revolucionário.
Um Homem de Fé.
Um Homem de muitas Fés.
Um homem Politico.
Um Homem não Politico.
Um Homem com uma Missão.
Um Homem forte.
Um Homem, com muitas fraquezas.
Um Homem de Paz.
Um Homem de Lutas.
Um Homem que muda de emprego aos 60 anos, idade de reforma. E é, o que este foi. Com Defeitos e Qualidades. Com admirações e estalos na cara... Um Homem interessantissimo.

O homem perfeito... cheio de imperfeições.

sábado, abril 02, 2005

Alegria

Escrevo sobre o que me apetece.

Talvez escreva mais sobre a tristeza, do que sobre a alegria. Talvez, resingue mais no teclado, do que na prática. Talvez diga por aqui, o que não diria de outro modo. Talvez!

A alegria vive-se e claro que se partilha, com quem se, a partilha. A tristeza ensina-nos. Penso muito mais na tristeza, que na alegria. A alegria está lá. Não é para ser discutida, ou falada, mexida. É para ser. Ela, lá, aqui, comigo. Sou impulsiva, com ela, espontânea e prefiro, não a pensar ou racionalizar... Quando o faço, estrago-a... Depois existem aqueles momentos irresistíveis de se teclarem, quase que um “deixa cá teclar o meu sorriso”...

A tristeza... penso-a, analiso-a, escarafuncho-a, abro-a, tento arrumá-la, dividi-la . Quero mesmo entendê-la, levá-la ao extremo do aperto, onde já não sobre nada dela, para analisar. Escrevo normalmente textos tristes, ou pelo menos, sobre aquilo que me entristece. Sobre o que me dói, ou magoa... E de que normalmente, não falo. Não tenho muito feitio para falar das minhas tristezas... e durante anos, sem falá-las, nem escrevê-las... muitas, não se viveram, não se analisaram, não se apertaram, não se mataram... ignoraram-se, anestesiaram-se e agora, não quero ignorar mais nenhuma... Por isso digo tantas vezes, que este espaço é terapêutico, para mim, para o que preciso resolver, em mim.

Escrevo, como um modo de viver a minha tristeza... tenho direito! E dever... se não a viver, não sobra espaço para a alegria real, verdadeira sincera. E sou as duas. Uma a que percebo, vou deixando por aqui. Outra, a que vive de modo diferente, do que escreve... ou talvez não.

A tristeza, existe em nós (em mim, pelo menos), por vários motivos. Ou porque não estou bem, onde estou. Ou porque tenho saudades do que já tive. Ou porque me falta, o que não conheço, ou porque simplesmente já não me aturo, de mau humor. Ou porque a alguém que eu Amo, ou conheço, falta algo, quer seja, saúde Amor, ou o que seja... Existem outros motivos de tristeza, mas hoje, são estes que me apetece enunciar.

A alegria, a felicidade, essa partilha-se, troca-se, faz parte de muito mais, do que a minha própria individualidade... e por isso nem sempre falo nela. Por um lado, porque não sinto vontade, estou cheia dela, não me falta nada. Por outro, pelas pessoas, que comigo a partilham.

Ainda assim, escrevo muitas, tantas vezes, para aqueles, que Amo. Que Amo, muito, imenso, tanto e que por um motivo ou outro, me apetece partilhar esse Amor, com o mundo inteiro. Se todos partilhássemos com o mundo a nossa alegria, talvez, ele acabasse por se esquecer de como é ser triste.

Personalidades

A primeira personalidade internacional, que me marcou… Lady Diana. A idade a beleza, a história de principes e princesas. A menina bonita, com coração… Chorei a bom chorar, quando morreu. Impressionou-me.

A segunda o Senhor Gorbatchov. A paz, a determinação, o respeito, a liberdade. A serenidade, a coragem. Impressionante.

A terceira. João Paulo II. Que todos os conservadores, o sejam, como ele. Agora e sempre.