Inédito
15. (Escuto o piano de Nélson Freire: Chopin) A lua e suas marés quando ela sai das alturas de tons baixos quando ela se retira (quase nua) uma parte de meus braços soltos segue com as areias Lua: fiel ao tempo das vertigens do corpo As sombras correm Os corpos giram Sem sinfonia Em todo caso não mais as mornas manhãs de abril, mas as frias sílabas dos dias de julho que começam sem sol Aqui as palavras partem mais facilmente ... e as caixas de areia na intimidade do sonho carregam caranguejos vivos olhos em pé: amarrados juntos no emaranhado de cordas sujos dos grãos A canção da Lua embala o trabalho com a fraqueza na melodia das letras essa distenção que move uma e outra linha balança e se escande no esquecimento A persiana do quarto lamenta e cai