Em viagem, no verão de 2011, conheci um novo gosto. Nada doce. Mirei a Europa de forma diferente. Havia estrangeiros por toda parte: nos museus de Berlim, nas pontes sobre o Sena, nas ruas, nos ônibus, nos bistrôs, nos cinemas, nos jardins, nas farmácias, nas boulangeries, au Bon marché, etc... Em toda parte encontrei estrangeiros. O gosto nada doce, no entanto, está guardado no olhar de alguns, ou seja, no olhar mais radical e incômodo que alguns homens lançam a outros diante da diferença. Fomos confundidos com os americanos e, na confusão, eu me senti quase agredida. Mas, percebi em tempo que ao falar a língua portuguesa do Brasil alguns olhares surpresos surgiam. Alguns olhares... e sorrisos também. Vaguei na diferença de minha língua mãe de forma bem confortável. Enfrentei olhares críticos com a língua doce e embalada por canções africanas. No Marché de Vanves fui beijada por Collete, uma descendente de africanos, que me contou ter ouvido as correntes/” les chaînes” de g...