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Mostrando postagens de janeiro, 2013

Reflexão:

No outono , o ar em movimento... desejos tomam posse da mais profunda respiração e alguns gestos carregam o mais distante de nossa humanidade (grega, judaica, cristã)? Fixados nas pedras, os movimentos marcam uma memória sensorial muito antiga. No poético encontro razões para me confrontar com o tempo, a história, o desejo. No movimento sempre relançado, a imagem em sua relação com o sonho nos apresenta sua questão. A imagem de um sonho - até mesmo esquecida - em um relato que tenta desenhá-la, mas não consegue. Resta apenas um gesto. Qualquer. As imagens se desfazem. A palavra restitui a memória na sua superfície legível. Acaso, já pensamos que são as imagens que nos levam a "ver" o sonho (nestes espaços em branco nos quais eles muitas vezes se mostram?)

Cabelos rabiscados de névoas

Revejo os pássaros da infância. Costumávamos guardá-los no viveiro de arame. Domingo, com as mãos ligeiras eu gostava de ajudar meu pai. Muitas p i p i r a s beliscavam o mamão doce naqueles dias incomparáveis de calor amazonense. Cabelos - amarrados no rabo de cavalo – e ao sol a tarefa do brilho. O verde da grama formigava. Café da manhã prolongado: Suco de cupuaçu e de maracujá. Realidade de gestos. Bico vermelho, penas negras. Pequeninas. Assustadas. Elas sorriam nas duas faces do mamão aberto. Recolhíamos os sons. Guardávamos os pássaros para soltá-los depois. Cabelos rabiscados de névoas e entre nós, nos dedos soltos, os gestos . (poema do próximo livro)

Santa Maria

............................................................................................... Rogai por nós, agora e na hora da morte de tantos de nossos jovens. Amém!

Fragmento do Livro das areias

11. A caminhada e um mergulho. Percorro uma foto em duas cores. Um corpo leve. Saído do frio. A nudez não tem eixo. O corpo sim. Esse pode se dividir em partes e ser visualizado aos poucos. A nudez embaça. Incorpora emoções e o olhar padece de algum mal que nos conforta com o que vê, e, é apenas isso. Um detalhe pode ser o centro de uma imagem, uma só imagem. O corpo de lado comparece em ângulos. Os joelhos dobrados qual folha de papel e bem perto da janela compõem a cena. A janela verde, aquela que se abre ao lado do mar e  perto da pracinha logo acima da rua de barro, deixa ver o vento sujo de poeira. (publicado no Livro das areias , 2012)

Passeio na orla do mar

                                           Para Oliverio Girondo De manhã um passeio na praia povoada. Super povoada. Pernas e mais pernas nas areias. E braços e cabeças em tumulto. Muito azul e alguma coisa cinza. Não há sombra. No ritmo da caminhada de algumas mulheres o horizonte do corpo e o algodão da estação se incorporam. Por quase nada, um gole de água de coco pode acender o desejo. Os homens em bando jogam vôlei e futebol. O céu cinza finca o tempo e as horas. O mar essa água metade sal e metade vento afoba e abafa os vícios de verão. Muito azul! Alguma coisa gris ? O mar grita. Na voz do mar uma tortura, um sonido distante : muito azul e muito cinza. (publicado no livro Estrangeira , 2010)

Nunca mais

Nunca mais Sonhei que o mar                      avançava pela sala                                              e as pedras                                                      suportavam                                                       nossa velhice Há sinais de peixes                      no universo? Um osso mergulhado               na lacuna do tempo E as nuvens tão azuis e as heras tão verdes             ...

Inverno em Paris - 2009

Imagem
Parc Montsouris Fotos de José Eduardo Barros

Impressionismo no Rio de Janeiro

Crônica de uma visita Recebi o telefonema nesta manhã de sábado. Ela estava eufórica porque havia conseguido ver a exposição do Centro Cultural Banco do Brasil que termina amanhã. Foi logo me contando que a fila estava bastante grande, mas a sua filha cuidara deste desconforto esperando em pé durante três horas e, depois, ambas conseguiram adentrar a exposição tão desejada, na qual permaneceram por quarenta minutos preciosos diante das obras de Manet, Pissaro, Cézanne, Degas, Monet e Renoir entre outros. Relatou-me detalhes de tudo, desde a moldura dos quadros até o efeito estético que a exposição causava na maneira como estavam as obras dispostas. "Uma maravilha!" Então, vieram os comentários com os detalhes vividos na fila de espera. Um senhor idoso, que estava colocado logo atrás delas, nunca havia ido a um museu antes. Portanto, como ele nunca havia visto uma exposição perguntou a ela se estava acostumada a ver coisas assim tão especiais. Ela saiu contando do...